Vencedora de três prémios Eisner e vários Harvey, esta série da famosa dupla Brian Azzarello e Eduardo Risso possui um estilo noir com uma história pesada e chocante com uma premissa simples – dar a possibilidade aos injustiçados de fazerem justiça pelas próprias mãos, fornecendo-lhes as provas das ocorrências, a par com uma pistola e 100 balas.

O primeiro volume desta série foi publicado na colecção comemorativa dos 25 anos da Vertigo (publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público)  e começa por nos apresentar uma jovem, Dizzy, que finalmente sai em liberdade. Esta será uma das jovens a quem será dada a oportunidade de fazer justiça dando-lhe a entender que quem paga pelos crimes não é quem os comete.

O marido e o filho de Dizzy morreram num tiroteio – duas mortes pelas quais Dizzy se culpa indevidamente, e quem será dada a oportunidade de compreender os verdadeiros motivos e a identidade do assassino, detalhes que terá de ser ela própria a descobrir.

Pelo caminho enfrenta a dura realidade de ser uma mulher não branca num bairro pobre, vendo-se perseguida por agentes da polícia corruptos que vêm nela um alvo fácil para importunar constantemente. Mas os episódios que se seguem fogem ao esperado – quando os agentes tentam prendê-la novamente percebem que alguém bastante poderoso a protege e Dizzy prossegue nas suas investigações sobre o que realmente aconteceu.

Carregado de episódios violentos, pesado pelas circunstâncias psicológicas que rodeiam o mundo dos gangs provocados pela pobreza e falta de oportunidades, este primeiro volume de 100 Balas apresenta uma boa série de banda desenhada (mas não excelente) de rápida leitura que se caracteriza por uma narrativa típica dos pulp.

Este volume de 100 Balas foi publicado na colecção de comemoração dos 100 anos da Vertigo, lançada em Portugal pela Levoir em parceria com o jornal Público.