Sonata – Vol. 1 – Brian Haberlin e Geirrod Van Dyke

Visualmente agradável, este primeiro volume de Sonata carrega uma peculiar história de ficção científica. Possui alguns clichés narrativos mas dispõe elementos que podem transformar a história numa grande série se forem bem usados. Por enquanto ainda são apenas pontos de apoio: duas facções humanóides em desacordo, dois adolescentes apaixonados (pertencentes a cada uma das facções), duas outras facções alienígenas de aspecto primitivo mas grandes capacidades e um grande segredo.

As duas culturas de humanóides colonizam um novo planeta: os Ran e os Tayan. Enquanto os primeiros são pacíficos e lutam apenas quando necessário, os Tayan são, por natureza, lutadores que resolvem qualquer conflito através do confronto físico. Ambos tentam fazer do novo planeta a sua casa, mas a forma como gerem os recursos colocam-nos em conflito entre si e acabam por ameaçar os interesses das espécies indígenas que se revelam mais avançados do que é suposto.

A água deixou de chegar à cidade dos Ran. A causa é uma enorme barragem construída pelos Tayan. O rio seco afecta não só os Ran como a população nativa de quem são aliados. O desenlace é previsível. Após algumas tentativas de conversa pacífica os Ran explodem com a barragem, mas o súbito fluxo de água foi maior do que o previsto e as regiões a jusante serão rapidamente alagadas.

Três indivíduos refugiam-se numa gruta: Sonata, Pau e Treen. Sonata e Pau serão os filhos dos chefes das respectivas facções humanóides, Ran e Tayna. Já Treen é um local que conhece muito bem os segredos que jurou defender. Por sentir uma grande ligação com Sonata não a elimina quando ela descobre alguns importantes segredos tecnológicos.

Visualmente, um mundo novo carregado de espécies alienígenas tem todo o potencial para grandes visuais e imagens deslumbrantes. No entanto, o planeta apresenta vários dias de chuva, o que leva a um início menos brilhante. As feições são expressivas, as posturas são competentes. A cor é, por vezes, estranha, destacando algumas partes das imagens. A profundidade também apresenta uma focagem fixa num determinado plano, o que é pouco usual.

Em termos narrativos existem vários pontos interessantes, sendo um deles, sem dúvida, as peculiares espécies nativas do planeta que revelam capacidades superiores às que aparentam, quer em tecnologia quer em conhecimento. Em cima deste ponto interessante, soma-se o resto, o romance adolescente, uma rivalidade entre duas culturas e uma revolta – uma combinação que vai ter de ser muito bem gerida para não resvalar.

A história é movimentada, com vários pontos de acção, definido-se claramente, os objectivos de cada personagem ou grupo de personagens. Sonata, a personagem em que se centra a narrativa, apresenta, no entanto, uma atitude condescendente para com os nativos, e uma impetuosidade que pode ser típica de adolescente mas que parece excessiva. Adicionalmente, a narrativa vai deixando algumas pistas para os momentos que se seguem, mas estas nem sempre apontam para o mesmo sentido do que ocorre de seguida, o que quebra alguma ligação com a leitura.

Postos estes pontos negativos e positivos é uma série que pretendo continuar a ler. Sem ser excelente possui alguns pontos curiosos que a ser bem geridos podem resultar numa boa história.

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