Harrow County – Vol. 8 – Cullen Bunn e Tyler Crrook

Assim termina, com este oitavo volume, uma das melhores séries de horror publicadas em Portugal. O desfecho, que já vinha a ser preparado nos volumes anteriores, ocorre de forma coerente e equilibrada, garantindo a satisfação dos leitores. Adicionalmente, este volume tem espaço para as suas reviravoltas e episódios de acção catastrófica, mas é, sobretudo, coerente com a restante narrativa. Com o fim, chega, também, a altura de fazer uma análise mais centrada na série.

Em Harrow County os elementos de terror fantásticos são variados: bruxas que conversam e controlam serpentes, bruxas mortas e enterradas (mas nem por isso inertes), semi-deuses poderosos saídos de pesadelos, transmissão de poderes pelo canibalismo e criação de vida (ou simulação de vida) a partir do nada, fantasmas e restos mortais deambulantes.

Estes elementos conseguem traduzir o elemento de desconforto típico de uma narrativa negra e ainda que alguns destes elementos se revelem menos maléficos do que as contrapartes de aspecto humano, é impossível não sentir alguma inquietude proveniente do que é desconhecido e estranho.

Não existe um bem ou mal absolutos. Ainda que exista um lado bom e um lado mau. Mais que não seja porque somos levados a sentir mais empatia para com um dos lados. Emmy preocupa-se com as criaturas de quem cuida e revela algumas características que nos podem levar a considerá-la como uma personagem boa. No entanto, o percurso ao longo da série leva-a a adquirir características que rapidamente se tornam perigosas para quem a rodeia.

Paralelamente, algumas das personagens que podem ser consideradas más (como a família) são, sobretudo, guiadas pelo medo de alguém poderoso. E o medo leva-os a realizar algumas acções acções idiota – o que, em combinação com o seu despudor para com formas inferiores, nos leva a considerá-los como o lado mau da narrativa. Não são os únicos. Noutras personagens, apesar da caracterização peculiar, o que as move nem sempre é o desejo de fazer mal ou de prejudicar o outro.

Neste oitavo volume, coerente com a restante série, fecha-se a narrativa de forma coerente e equilibrada, garantindo a satisfação dos leitores. Existem algumas reviravoltas, mas não numa forma discordante para com a caracterização das personagens.

Ao longo da série acompanhamos o crescer de tensões. Algumas para com Emmy, outras para com a amiga Bernice. Sabemos, sem dúvida, que estes conflitos vão ter um papel importante na forma como se desenvolve o final da série – mas os detalhes são apenas entregues aqui, fieis ao desenvolvimento de personagens que se tem realizado e em concordância com os acontecimentos anteriores. O final não se torna, desta forma, demasiado abrupto ou descabido – e este é o truque para fechar, com sucesso e satisfação uma grande série.

Harrow County terminou e, ainda que vá sentir saudades da inquietação própria que proporciona, consegue a proeza de deixar uma aura de concretização. A série Harrow County foi publicada em Portugal pela G Floy.

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