A Caçada – Enki Bilal e Pierre Christin

Os fãs de Enki Bilal destacam sempre os álbuns mais antigos, mais carregados de cor e com paisagens menos austeras, em detrimento dos álbuns mais recentes, mais inóspitos em cenário e mais lineares em narrativa. Este volume é da primeira fase, apresentando, no entanto, uma história sem detalhes fantásticos ou de ficção científica, mas rico em mensagens silenciosas.

A história

Um grupo de homens reúne-se para uma caçada. O evento é visto na perspectiva de um jovem tradutor francês que segue o seu mentor, traduzindo quando necessário. O lugar em que se reúnem estes homens é inóspito mas propício a uma boa caçada.

A narrativa

A história poderá parecer, à primeira vista, algo linear e simples. No entanto, cada homem que se apresenta nesta caçada tem um peso político diferente – um peso que nem o tradutor se apercebe inicialmente, sendo ajudado pelo mentor. Mais do que as palavras trocadas entre as personagens, são os seus silêncios que demonstram passar-se algo mais do que aquilo que é dito.

Estes silêncios, a par com algumas pistas proferidas, deixam antever que algo que vai passar. Existe um acumular de tensão e de perspectiva, uma sucessão de interacções dúbias que esconde algo bastante mais negro – um jogo político que, por vezes, deixa a diplomacia e se transforma em violência pura.

Para além dos silêncios, a história está assombrada de memórias e de mistérios, demonstrando a sombra que paira sobre todos os participantes. Cada homem presente na caçada tem o seu próprio poder e os seus próprios objectivos, bem como segredos (não revelados) e intenções políticas não proferidas.

A Caçada é um álbum curioso e diferente. Não sendo muito movimentado, decorre sobretudo da exploração da tensão acumulada e dos segredos não revelados. Os detalhes políticos não são referidos, mas podem ser deduzidos pelo pouco que é falado.

Conclusão

A Caçada é um bom álbum, apesar de apresentar uma história menos movimentada do que outras histórias da dupla. Visualmente está dentro do estilo mais exuberante de Enki Bilal, valendo a leitura para quem gosta deste autor, ainda que sem os detalhes de ficção científica e fantasia. Em termos narrativos é pausado, mas nem por isso foge da violência, como resultado da tensão acumulada. É, sem dúvida, um álbum a destacar.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.