Eis que chegou, finalmente, o décimo volume de Saga! Os autores tinham anunciado uma pausa em 2018 mas regressaram no início de 2022. Este décimo volume compila os números 55 a 60, publicados já este ano. Mas, será que a série continua com a mesma força?

A história

Hazel é o resultado de uma união improvável! Filha de Marko e Alana, dois soldados de facções opostas, duas civilizações com estilos distintos, mas, no fundo, com mais semelhanças do que diferenças. Hazel é, no entanto, vista como mais do que uma simples criança, antes um símbolo de uma possível união civilizacional que não pode acontecer. Acaba assim perseguida por mercenários e espiões variados.

Anos mais tarde, vamos encontrar a família fugida, saltitando de planeta em planeta, como forma de proteger Hazel. Mas a família sofreu várias mudanças. Neste volume já não encontramos Marko, mas apenas Alana que vai encontrando parceiros de negócio que, paralelamente, ajudam a cuidar das crianças.

Crítica

A história é contada na perspectiva de Hazel. Se antes usava elementos que lhe contaram, agora já usa algumas das suas próprias memórias na construção da história que se nos apresenta, vivendo as suas próprias aventuras e episódios mirabolantes quando se ausenta de supervisão adulta. As companhias não são, no entanto, as mais correctas. O estilo de vida, sempre em fuga, leva Alana a aliar-se a personagens com passado sombrio, o que trará as suas próprias surpresas.

Paralelamente, assistimos a outros episódios, centrados noutras personagens, fora da narrativa e da voz-off de Hazel. Estes episódios focam-se nos mercenários e espiões que perseguem a família, mostrando a vontade que persiste em eliminá-la, vários anos após o seu nascimento.

Existem, claro, alguns momentos fora da história apropriada para famílias. Desde episódios sadomaso a mortes violentas, passando por ameaçadas e torturas. Saga continua a apresentar-se como uma série para adultos que pega nos conceitos de uma Space Opera, uma saga que cruza fantástico e ficção científica, para desenvolver uma história épica e memorável.

Se, por um lado, usa com eficácia elementos de ambos os géneros, de forma coerente e ponderada, por outro, desenvolve personagens, apresentando virtudes e defeitos, e levando-as a tomar decisões questionáveis, embaraçosas ou simplesmente amorosas. São personagens movidas por paixões e lógicas próprias, que nos envolvem e nos cativam.

A juntar a tudo isto (episódios mirabolantes em género Space Opera e personagens fabulosas) encontramos um desenho que consegue transmitir emoção e sentimento, tensão e movimento. O desenho não se apresenta espectacularmente carregado de detalhes em todos os momentos, dando foco às faces e posturas corporais durante as conversas, mas também apresentando cenários mais detalhados quando é necessário demonstrar onde se encontram as personagens. A combinação do desenho com a narrativa funciona bastante bem, atribuindo o tom dramático ou cómico quando necessário.

Conclusão

A série tem assumido um tom um pouco mais sério do que o inicial, e neste volume nota-se que Hazel está a crescer. As circunstâncias em que o faz são de instabilidade e isso reflecte-se na sua personalidade. Este décimo volume volta à série com forças renovadas, e novos momentos fortes, rejuvenescendo o interesse pela narrativa. Mal posso aguardar pela continuação!