Assim foi: Comic Con 2018

Fui pela primeira vez à Comic Con! Por um lado porque decorre em Lisboa, por outro porque fiz parte do júri dos Galardões Comic Con e porque ia apresentar o painel do Daniel Rodrigues no Domingo. Eis um pequeno apanhado sobre o evento: o bom, o mau e o vilão. Claro que, dados os meus interesses, o meu comentário centra-se nas vertentes que mais aprecio: livros, banda desenhada e jogos de tabuleiro.

Espaço dedicado à série Walking Dead

Acessos

Este foi, no Domino, O Vilão do evento. Pelo menos porque nesse dia houve condicionantes adicionais que, não sendo culpa da organização dificultaram o acesso ao evento.

O problema do acesso começou com estradas cortadas por uma corrida na marginal (ou algo do género). Talvez por esta razão, no Domingo, o estacionamento era inexistente. Fomos até Belém sem perspectiva de lugar. Optámos por fazer o resto do percurso de táxi mas nem este pode passar, algo que não é usual. Mas se até posso compreender que para nós os acessos fossem tão distantes. Mas vimos algumas pessoas com mobilidade reduzida (cadeira de rodas) que tiveram de fazer o percurso todo até à entrada do evento.

Saída de Emergência na Comic Con

Restauração

Li vários comentários referindo a pouca variedade de comida. A experiência, do nosso ponto de vista não foi má, considerando o tipo de evento e a expectativa que tinhamos. Quando quisemos comer, escolhemos e recebemos a comida em 5 minutos e até tivemos lugar sentados à sombra. Não vi confusão nem grandes filas e havia várias mesas espalhadas ao sol (demasiadas ao sol). A diversidade não era muita e não era barato. Mas também não achei excessivo para além do esperado.

Programação

Decididamente, O Mau. Uma confusão. A forma como é feita a divulgação e se encontra a informação na página oficial tornou difícil perceber, antes e durante o evento, quem estava onde, quando e a fazer o quê.  Vários autores e editoras tinham as duas publicações separadas, e os autores oscilavam entre o programa oficial do evento e o programa paralelo.

Para poder optimizar todas as presenças que me interessavam no evento, tinha de despender bastante tempo, coisas que não tive.

Espaço – Mapa e indicação

O evento dispunha de bastante espaço para se estender(O Bom). Mas faltavam indicações e organização. Cada stand estava voltado para o seu lado, e ainda que tivessem a mesma temática, não pareciam orientados para rapidamente se perceber a totalidade da oferta. Ainda, as indicações eram escassas – para alguém que pretendia estar em determinado local em determinada hora, houve alturas em que andei feita uma barata tonta. Ah. Quase me esquecia. Casas de banho. Costumam ser a parte esquecida da equação (excepto quando estão em estado miserável). Não vi muitas queixas nesta componente, o que, de si, é excepcional para um evento deste tamanho.

Os mais pequenos

Não levámos crianças ou jovens connosco, mas reparei que existiam várias actividades e espaços de que podiam dispor e divertirem-se!

O Espaço dos mais pequenos

Banda desenhada

Entre apresentações, sessões de autógrafos e stands, esta vertente estava bem representada mas parecia dispersa, sem aproveitar a totalidade dos interessados nessa componente:

  • Artist’s Alley – apertada, confusa e escura. Existiam várias bancas em que teria parado mais tempo se houvesse espaço, mas os visitantes acotovelavam-se. Existiam artistas semi escondidos e não era fácil dar com eles e deparei-me como autores convidados (Rubín, por exemplo) que não sabia que ia estar nesta zona no Domingo. Optei por contactar rapidamente aqueles que tinham livros que queria comprar, pedir os respectivos autógrafos e fugir. Sem dúvida O Vilão desta componente. Os autores que pagaram para expor o seu trabalho mereciam muito melhor;

 

Miguel Montenegro com o seu novo livro, Futuroscópio

Ricardo Venâncio

Pepedelrey

 

  • Painéis – alguns espaços encontravam-se rodeados de barulho, o que não facilitava a audição;
  • Autógrafos – confesso que não tive oportunidade para explorar esta vertente, dado ter planeado algumas entrevistas para o programa de rádio (vamos lá ver se possuem qualidade suficiente) mas várias pessoas que foram com o objectivo de recolher autógrafos se mostraram satisfeitas com o resultado – O Bom.

Jogos de tabuleiro

Talvez porque, em comparação com os videojogos, os jogos de tabuleiros não possuem, neste evento, a mesma quantidade de fãs, revelou-se uma parte com espaço suficiente para circular e comprar. Existiam bancas de várias editoras (a bons preços) e mesas para experimentar os jogos – O Bom.

Cosplay

Ainda que seja das vertentes do evento que menos me interessem, existiam fatos de grande qualidade, e de universos variados, conferindo um aspecto bastante interessante ao evento.

Steampunk

Existiam dois espaços Steampunk no evento, um com adereços próprios e informação, e outro dispondo um género de pavilhão de curiosidades, associado ao Custom Café (cujas fotos apresento a seguir).

Resultado

Quem lê parece que foi uma má experiência. Não foi. Também não foi excepcional. Para quem gosta de banda desenhada, livros e jogos de tabuleiro é um evento agradável, mas algo disperso. Esta dispersão sente-se em tudo: na comunicação das várias vertentes, tanto pública como aos que intervém nos painéis, ou na disposição da página web.

Compreendo que seja um evento de grande dimensão e que é a primeira vez neste espaço, mas existem vários elementos de pouco esforço que poderiam ter contribuído para uma melhor experiência.

4 pensamentos sobre “Assim foi: Comic Con 2018

  1. Fiquei com a mesma impressão na minha visita, que foi no sábado. Penso que não vale os 25 euros que pediam pelo bilhete diário (muito menos os 35 euros que pediam para quem comprasse o bilhete no dia).

    E algo muito triste foi saber que um evento como a Comic Con não tinha licença para os artistas da “Artist’s Alley” terem as suas coisas à venda, já que eles até pagaram, e não foi pouco, para terem uma mesa manhosa numa tenda obscura.

    • Sim, se tivesse de pagar os dois bilhetes não sei até que ponto, no meu caso, valiam. Julgo que, para mais jovens / crianças existiam muitas actividades e poderiam sair mais satisfeitos. Ouvi várias crianças a referirem a sua satisfação.

      Essa história também a ouvi. Se for verdade é, no mínimo idiota. Seria bom perceber o que estava disponível no contrato que assinaram com os artistas para perceber se estava incluída a possibilidade de venda de produtos. No Domingo os artistas tinham livros à venda e preços visíveis. Para além disso, acho uma falta de respeito as condições que lhes forneceram.

      • Eu tinha duas amigas nas bancas de artistas. Elas contaram-me que durante a tarde de Domingo (mais para o fim da tarde) apareceu alguém da organização a dizer-lhes para esconder os preços das coisas porque a asae estava lá e eles não tinham licença para que os artistas vendessem as suas coisas. A maioria estava muito insatisfeita, e não é para menos.

  2. Sem dúvida! Até digo mais, se houvesse alguma coisa salvaguardada no contrato como tal (ou em troca de mails ou afins em como alugaram o espaço e iriam vender lá coisas) eu deixaria os preços onde estavam que a multa nesse caso seria para a organização, não para o artista.

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