Farmhand – Vol.1 – Rob Guillory

O nome de Rob Guilloy é conhecido como sendo o desenhador de Tony Chu, uma das séries mais nojentamente divertidas de sempre que é, também, um dos grandes êxitos da Image e da G Floy em Portugal. Foi com esta referência que peguei em Farmhand,  reconhecendo o estilo visual do desenhador, mas curiosa quanto o que poderia fazer a solo. O resultado, surpreendeu positivamente.

Em Farmhand um mau agricultor, Jedidiah Jenkins, descobriu um caminho para o sucesso através de um plano que lhe terá sido entregue por uma entidade divina – um plano através do qual seria possível tornar as células indiferenciadas e crescer partes de corpos humanos que poderiam ser usados em transplantes.

O que é peculiar é que estes pedaços de corpos humanos crescem em árvores e arbustos, dando, a todo o ambiente de cultivo uma imagem de filme de horror. Mas ligeiramente cómico. E trágico. E carregado de boas personagens – personagens mal humoradas que quebram estereotipos (como quase todas as boas personagens) e que transformam toda a premissa numa história interessante e envolvente.

A história começa quando o filho de Jedidiah retorna à casa do pai, decidido a remendar o relacionamento que se quebrou há alguns anos. Leva consigo a esposa e os filhos, uma dupla curiosa e pouco tradicional, com a rapariga durona e um rapaz mais preocupado com leituras e afins.

Nesta mistela de ficção científica e fantástico a história destaca-se por apresentar personagens reais e únicas, personagens que conseguem mostrar diferentes reacções de forma convincente, sem necessidade de mostrar grande enquadramento ou passado. Existem, claro, frases e referências a outros tempos que nos levam a perceber melhor o que ocorre, mas sem grande excesso de informação.

Para poder apreciar a narrativa é necessário esquecer os detalhes de biologia celular e deixarmo-nos envolver pelos detalhes absurdos e engraçados da premissa – algo que vale a pena até porque, ao contrário de outras séries que pegam em detalhes científicos, Farmhand não pressiona demasiado o leitor nesse sentido.

O resultado consegue ser divertido e absurdo, reconhecendo-se o tom de imaginação cómica (com narizes a crescer em árvores que nem maçãs) que caracteriza Tony Chu. As personagens são diversas e credíveis, contrastando com a premissa nos limites do absurdo que, pelo menos neste volume, se sustenta.

Um pensamento sobre “Farmhand – Vol.1 – Rob Guillory

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