Depois de ler o intrigante primeiro volume de On calculation of Volume, decidi-me rapidamente a adquirir o segundo. O primeiro, apesar de ser um livro pequeno, apresenta uma narrativa densa, que deve ser lida com calma pelas nuances e pistas que vai apresentando para o fenómeno que nos apresenta. A história parte de uma premissa comum a várias outras narrativas, como Groundhog day, em que uma personagem, Tara, se vê a viver o mesmo dia indefinidamente. Mas ao contrário de outras narrativas do género, os dias podem apresentar detalhes diferentes, consoante as acções de Tara.

Irene Vallejo é a autora do O Infinito no Junco, o livro de não ficção (neste caso, lia a adaptação para a banda desenhada) onde se abordam várias perspectivas sobre livros e literatura, falando-se de civilizações, do surgir da escrita, de produção de livros, da evolução dos livros, da criação de biblioteca e de hábitos de leitura. Não faltam referências a livros de ficção e não ficção. Este manifesto é uma obra mais pequena, que, dado tratar de leitura, corri a adquirir.

Com volume nomeados para os prémios Locus, British Fantasy e BSFA, este conjunto de histórias denominado The Lychford Collection já andava no meu radar há algum tempo. No entanto, os volumes isolados existem, ou em edições especiais bastante caras (e isolados) ou em segunda mão, pelo que me decidi por este que contêm os três primeiros da série. A história leva-nos a uma Inglaterra rural, onde as construções modernas poderão desestabilizar a fronteira para uma outra realidade, maléfica.

The Language of Power é o quarto volume da série Steerswomen, uma série que me foi recomendada pela IA depois de a treinar um pouco, e que, não estando no meu radar (nem me recordo de alguma vez a ter visto) é uma das boas leituras deste ano. A história apresenta-nos um mundo que parece pós-apocalíptico, ou, explorando outras teorias, a colonização de um outro planeta com vida alienígena por seres humanos, sendo que a civilização parece ter regredido ao nível medieval. Pelo menos para os que não são magos. Neste Universo encontramos as Steerwomen que são um conjunto de pessoas que se focam em adquirir e distribuir conhecimento, sendo obrigadas a responder a todas as perguntas que lhes sejam feitas – excepto aos que lhe estão barrados. A história peca pelo menor desenvolvimento inicial das personagens, mas tem apresentado desafios e perspectivas intrigantes, com personagens falíveis e interessantes.

Passado na Coreia, Sublimation tem sido globalmente bem recebido, aparecendo entre as melhores leituras. A sinopse promete interessar aos fãs de Severance, mas ao invés de se referir à ocupação laboral, refere-se à imigração. Quando alguém entra num novo país, cria-se uma cópia de si, sendo que uma prossegue para o novo país e outra permanece. Algumas duplicações mantêm contacto, outras afastam-se e prosseguem vidas totalmente diferentes.

Vários dos pequenos livros da Tor costumam estar entre as novelas nomeadas para vários prémios dentro do género da ficção especulativa. Tratam-se de leituras mais concisas, e, na sua globalidade, com boas histórias, sendo que algumas chegam facilmente à minha lista de melhores leituras do ano. Obstetrix é um dos mais recentes lançamentos, que se foca numa médica, a última que realizou um aborto no estado. Quando é raptada por um culto fundamentalista que precisa dos seus serviços, percebe que a sua vida estará em perigo.

Tanto no mercado nacional como internacional estão a ser re-lançados vários livros de Octavia Butler. Em Portugal estão previstos pela Relógio d’água, que apresenta a aquisição dos direitos de autor na sua página oficial (Kindred estava anunciado para agora). Este Survivor será um livro que decorre no mundo de The Patternists (iniciado com Wild Seed) mas que não fará parte da série principal.

Por último, apresento-vos o tão esperado The Sword of Kaigen, que encomendei quase há 8 meses. Entretanto o livro foi lançado em português pela Edições Asa. É um livro de tamanho respeitador (mais de 600 páginas) que tem recebido nomeações e boas recomendações, havendo a expectativa de ser uma história que se enquadra na fantasia épica, de influência asiática.