Melhores leituras (por ordem de leitura e não de apreciação)



Surgiu recentemente mais uma colecção de pequenas histórias da Amazon, neste caso sobretudo de mistério, mas executadas por autores de ficção especulativa. Entre os autores encontramos Robert Jackson Bennett e Scott Lynch, pelo que me resolvi pela aquisição. A segunda leitura do conjunto foi este delicioso conto The Wednesday Witches Book Club centrado numa bruxa recém divorciada que procura um novo grupo de leitura. Há que destacar que nesta realidade as pessoas podem tornar-se bruxas através da leitura, ficando o livro que proporcionou esta passagem o seu grimório.
On the calculation of volume I é estranho e introspectivo. Lançado recentemente em Portugal pela Relógio d’água parece, à primeira vista, um manual de alguma cadeira de análise. Não é. Como outras histórias de ficção especulativa, a história centra-se em alguém que está a viver o mesmo dia em loop. Presa no tempo, todos os dias o mesmo dia se repete, mas só esta jovem mulher se apercebe. Mas ao contrário de outras ficções, existem mudanças que persistem de dia para dia, sendo que a personagem tenta perceber qual o padrão – inicialmente envolvendo o marido (e tendo de lhe explicar a cada dia repetido o que se passa) mas com o passar do tempo sozinha. Com a repetição contínua a personagem sente-se cada vez mais afastada de todos – enquanto ela matura, os restantes estão presos na imagem anterior que tinham dela.
Eis o primeiro volume de uma série fantástica (ou de ficção científica) de que não me recordo de ter ouvido falar, e que me foi recomendada pela IA que estou a treinar. O mundo descrito parece ser pós-apocalíptico, sendo que parecem existir reminiscências culturais de uma sociedade semelhante à nossa. Aqui, dois grupos de humanos parecem deter mais conhecimento e agir de forma diferente em relação a ele – as Steerswoman que respondem a qualquer questão que lhes é colocada, e os magos que usam para exercer poder sobre os que os rodeiam. O primeiro volume tem alguns momentos demasiado naive e pouco envolvimento da personagem, elementos que vão melhorar com o segundo volume. Ainda assim, a leitura valeu bastante a pena.



Tenho visto várias críticas positivas a I Who Have Never Known Men, motivo pelo qual rapidamente entrou no meu radar. A premissa não é totalmente nova, mas a abordagem e a perspectiva é que se destacam. A história centra-se numa jovem rapariga que partilha a cela com várias outras mulheres. Mas não se trata propriamente de uma prisão humana, nem existe nesta permanência cativa algo de normal. Percebemos, de alguma forma, que as mulheres foram trazidas de uma sociedade humana, provavelmente semelhante à nossa e aprisionadas. Sem famílias e com poucas recordações da vida anterior, tentam sobreviver a um quotidiano repetido e enfadonho, onde as interacções são controladas pelos guardas. A jovem em que se centra a história é a mais nova e não se recorda de outra realidade. Os dias repetem-se sem grandes novidades, até ao dia em que, no seguimento de um alarme e consequente fuga dos guardas, conseguem escapar da cela. Mas o que encontram é um planeta inóspito.
O mais recente livro de Adrian Tchaikovsky, Green City Wars, leva-nos a uma cidade futurista e ecológica, onde os seres humanos delegaram as tarefas mais mundanas a animais que alteraram geneticamente para serem conscientes (mediante a aplicação regular de um medicamento). Estes animais construíram uma espécie de sociedade onde todos tentam manter-se conscientes, trabalhando para empresas com uniões de trabalhadores, ou fazendo pequenos trabalhos, alguns ilícitos. A história centra-se num guaxinim que se tornou independente, e a quem pedem para encontrar um rato específico – um rato inteligente que poderá revolucionar toda a existência destes animais sencientes.
The Rainseekers é um dos mais recentes lançamentos da Tor Publishing Books e leva-nos a um futuro onde a humanidade colonizou Marte. O processo de colonização ainda é, no entanto, recente e a terraformação ainda não está completa, pelo que as expedições são extremamente perigosas. É neste contexto que um grupo se junta com o objectivo de serem os primeiros humanos a experimentar chuva no planeta vermelho. Um livro mais introspectivo do que o esperado, uma espécie de Station Eleven reduzido que dá bastante foco a cada uma das existências que constituem esta expedição.




Livro peculiar, este O Diabo e a Coral mistura história com mitologia, recordando-nos o mito do judaico Golem. Nesta narrativa uma jovem que sobrevive no circo cuida, nas horas vagas, do pai que odeia. Mas ela não está sozinha. O diabo acompanha-a sempre. Entre as manipulações da figura, e os que procuram os poderes do pai, a jovem Coral vai ter de usar mais a esperteza do que as suas capacidades mágicas.
Depois de The Goblin Emperor, fui ler este The Witness of the dead. Ainda que sejam leituras independentes decorrem no mesmo mundo, centrando-se a narrativa numa personagem que tem como profissão ser testemunha dos mortos – ocupação pouco vantajosa, onde a personagem tem um estatuto pouco definido, e cuja presença nem sempre é bem vista. É que ele tem a capacidade de falar com os mortos (sendo essencial para a investigação de homicídios ou de testamentos falsificados), mas também a capacidade de lutar contra os ghouls, humanos que se levantam das suas campas se não forem devidamente cuidadas e que consomem carne humana. A história é mais movimentada do que The Goblin Emperor, centrando-se numa personagem humilde que faz do seu chamamento um estilo de vida e que está à disposição de qualquer um que dele precise, independentemente das suas origens.
Apenas o silêncio é a adaptação de um thriller de sucesso que nos leva para o final dos anos 20, início dos anos 30. Sente-se, portanto, a tensão da Guerra, mas não só. O jovem rapaz em que se centra a história acabou de perder o pai e é confrontado com o assassínio em série que actua na região, violando e esquartejando jovens raparigas. Ao longo da sua vida vai sendo impactado pelas mortes, ao mesmo tempo que tenta sobreviver sozinho numa terriola onde todos os que se destacam são alvo de suspeitas.
Finalmente li o clássico The Giver de Lois Lowry, uma distopia opressiva que se inicia como uma sociedade calma, relaxada e evoluída, onde todos são iguais e colaboram (reduzindo ao máximo a personalidade, as opções e a diversidade) – excepto por uma pessoa escolhida, para receber o fardo das memórias de um passado muito diferente, onde as escolhas são perigosas, mas existem. Este é o primeiro volume de uma tetralogia que deverei prosseguir brevemente.
Restantes leituras (algumas bastante boas, mas que apreciei menos que as destacadas)
















