Melhores leituras (por ordem de leitura e não de apreciação)

Eis que peguei no mais recente livro Andy Weir, Projecto Hail Mary. Trata-se de um livro que tem tido tanto sucesso como o The Martian, tendo também uma recente adaptação para filme. Não é necessariamente a melhor ficção científica de todos os tempos, e provavelmente daqui a uns anitos dificilmente me recordarei da leitura. Ainda assim, é uma leitura ritmada e bem disposta, que consegue tornar-se envolvente. Apresenta um constante desenvolvimento de problemas e soluções, e alienígenas originais e curiosos, onde o autor tenta usar conceitos científicos para os justificar e apresentar. Trata-se de uma leitura onde a tensão é bem balanceada pelo humor e optimismo, resultando num bom page turner.

Passado no mesmo Universo de Service Model, Human Resources mostra como uma empresa automatizada vai perdendo todos os seus funcionários, restando o funcionário indispensável dos recursos humanos, representante d os funcionários humanos que já não existem. Tal como Service model, irónico e deprimente na sua perspectiva da automatização de tarefas – um género de paródia à realidade em construção na delegação cega às IA’s e companhias.

O terceiro deste conjunto, The Language of Liars, é um pequeno livro que explora o papel da linguagem e da tradução, no entendimento de outros seres, mostrando como aprender um idioma é também percepcionar perspectivas, e, neste caso, desenvolver a capacidade de ocupar outro corpo. A narrativa, apesar de curta, destaca-se por apresentar a narrativa que uma civilização cria em relação à outra, que justifica a sua exploração.

Eis o primeiro volume de uma adaptação formidável para o formato de banda desenhada do clássico Elric. A história apresenta os contornos mais tradicionais da história, mas também dá toques inovadores que complementarão bem o espírito original. Esta edição destaca-se, também, pelo aspecto visual, aproveitando as cenas mais épicas para apresentar belíssimas páginas.

The Goblin Emperor foi a mais recente sugestão da IA que treinei. Não sendo um livro com grande componente de acção, descreve uma realidade com um funcionamento peculiar, centrando-se numa personagem que, tal como o leitor, a vai tentar entender. O novo Imperador não foi criado na corte, e as nuances políticas e diplomáticas são algo que vai ter de compreender rapidamente. A narrativa apresenta audiências, reuniões e decisões administrativas, mas a narrativa ainda assim consegue tornar-se fascinante pela forma como desenvolve a empatia com as personagens, e desenvolve as várias camadas de interpretação. Não será, portanto, uma leitura aconselhável a todos os leitores, mas a quem procura fantasia com menos momentos épicos, mas maior complexidade na construção de um mundo.

Ia dizer que Wolf worm é o mais recente lançamento de T. Kingfisher, mas entre o lançamento (final de Março) e agora, a autora já tem um novo livro (Daggerbound) e existe outro previsto para este ano. Tal como outros livros da autora, este é um misto entre fantástico e horror, decorrendo entre o final do século XIX e o início do século XX, altura em que a ciência já se começa a desenvolver como tal, mas a tecnologia ainda não ocupou o lugar central na sociedade humana. A narrativa explora as lendas locais bem como as escassas possibilidades de uma mulher conseguir fazer algo de relevante de forma autónoma. Pelo meio, encontramos monstros mais humanos que humanos, e humanos que se revelam monstruosos – uma premissa comum nos livros da autora.

How to defeat a demon king in ten easy steps será o equivalente fantástico ao Projecto Hail Mary. Não é um livro formidavelmente inovador, mas apresenta uma narrativa movimentada e divertida que cumpre o papel a que se propõe. A história apresenta-se num mundo fantástico onde as pessoas podem evoluir e ganhar capacidades como se estivessem num videojogo. Ciclicamente aparece um Rei Demónio que inicia a conquista de territórios. Também ciclicamente, e após 100 anos do aparecimento do Rei Demónio surge um herói que o enfrenta. Mas desta vez, ainda faltam várias décadas para o surgir do herói e o Rei Demónio já conquistou mais de metade do Mundo, pelo que a personagem principal resolve fazer algo – não podem simplesmente esperar pelo surgir do herói certo, que corresponde a todos os elementos das profecias.

Surgiu recentemente mais uma colecção de pequenas histórias da Amazon, neste caso sobretudo de mistério, mas executadas por autores de ficção especulativa. Entre os autores encontramos Robert Jackson Bennett e Scott Lynch, pelo que me resolvi pela aquisição. A primeira leitura foi este Miss Gentle and the case of the very falt monk que apresenta o caso de um monge que poderá ter sido assassinado, caindo da torre mais alta. A história destaca-se pelo bom humor, mas também por apresentar uma investigadora curiosa que gostaria de ver noutros histórias (o que duvido, mas enfim).

Premee Mohamed já se tornou uma autora muito presente nas minhas leituras. Este The Rider, the Ride, The Rich Man’s Wife é um dos seus livros mais estranhos que parece um cruzamento de ficção científica e fantasia, apresentando uma aura que me recorda as histórias fantásticas dos anos 80 / 90. A história refere um apocalipse que terá eliminado os humanos das cidades, mas também entidades com poderes mágicos que caçam seres humanos escolhidos. A história centra-se num par de gémeos órfãos que vive numa aldeia de contornos medievais. Quando um deles é escolhido para ser a presa da próxima caçada, o outro gémeo resolve interferir. O resultado é misterioso, mas simultaneamente perceptível e oculto, havendo algo que sempre escapa pela sua estranheza. É uma boa história, ainda que algo hermética.

Restantes leituras (algumas bastante boas, mas que apreciei menos que as destacadas)