O Dilema de Shakespeare – Harry Turtledove

Ainda que na ausência do autor, O Dilema de Shakespeare foi outro dos livros apresentado no Fórum Fantástico de 2006 (parece que tirei tempo para ler os livros lançados no FF todos de seguida, mas não, não foi propositado).

Neste livro, Harry Turtledove re-escreve a história, mudando o desenrolar de uma batalha – A Armada Invencível vence a guerra contra a Inglaterra e é D. Filipe II que governa a Inglaterra, enclausurando a rainha D. Isabel.

Num país feito bola de ping-pong entre dois adversários religiosos, vive-se sob a inquisição em temor constante de que a mínima suspeita resulte em acusação de heresia.  Entre a confusão religiosa, acções heréticas e traições (a quê, se todos os princípios tinham sido já quebrados, algures) o espaço de manobra é cada vez mais escasso para se viver em paz.

Cobarde, Shakespeare é considerado o mais talentoso dramaturgo do seu tempo, e ainda que tente viver sem chamar a si grande atenção, é a sua fama que o torna peça central no enredo político-religioso – duas peças de objectivos opostos são-lhe encomendadas, uma sobre D. Filipe II pelos ocupadores espanhóis, e uma Boudica por quem pretende se revoltar.Simultaneamente, um outro escritor de peças encontra-se na cidade – tenente espanhol De La Vega – que se aproxima de Shakespeare pela sua paixão pelo teatro, paixão essa, só igualada pelas diversas mulheres,  e pela qual é sobejamente conhecido.

Entre os actos estupidamente heróicos de uns e os actos necessários cobardemente executados por outros, tem-se por vezes a sensação de se assistir a uma peça satírica extremamente movimentada, o que faz esquecer os possíveis erros históricos com os quais nos podemos deparar a meio. Ainda que a história se desenrole no campo da hipótese, do “E Se” , nem por isso deixa de ser menos interessante – uma ideia bem explorada capaz de colar o leitor até ao final, mas acima de tudo, divertida e que proporciona bons momentos.

One comment

  1. Este livro é fantástico, já tive o prazer de o ler e tenciono fazer uma apresentação oral do mesmo na escola. Há um fascínio muito grande dentro destas páginas, uma criatividade circunstancial que eu, falando na minha experiência de leitura, só vi em tão grande qualidade na obra de Eça de Queiroz, Os Maias.

    A boa literatura deve continuar a ser reconhecida e valorizada por quem ama esta arte. TEnho também um blog de literatura: http://clemon.blog.pt

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