12 – A Doce – François Schuiten

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12 – A doce começa como uma história solitária de um maquinista para quem a sua locomativa constitui todo o Universo. Deslocando-se diariamente com a máquina perde a oportunidade de constituir família e dedica todas as horas livres a manter a 12 limpa e afinada.

Mas as máquinas evoluem. Estas locomotivas alimentadas a carvão vão sendo substituídas numa primeira fase pelas eléctricas e mais tarde pelos teleféricos. É que com a subida do nível das águas os carris começam a ser intransitáveis. Nada que o nosso maquinista não consiga ultrapassar com mestria, sabendo exactamente as quantidades de carvão que deve usar para conseguir passar nos lugares mais difíceis.

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Tudo muda quando é emitida a ordem para enviar a Doce para o ferro-velho. É aqui que o maquinista arranja forma de esconder a locomotiva, tendo como objectivo protegê-la e continuar a mantê-la. Descoberto, acaba por ser preso.

Anos mais tarde, quando é libertado, resolve procurar a locomotiva. Sem o querer, acaba por ajudar e ser ajudado por uma jovem muda que o acompanha na longa viagem pelos teleféricos vazios.

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12 – A Doce é uma história bem menos simples do que pode parecer nas primeiras páginas. Começando por apresentar a ligação homem-máquina consegue dar-nos como palco de fundo uma realidade diferente da nossa, onde a subida constante das águas impele a cidade para o isolamento, tendo-se estabelecido como meio de transporte alternativo, o teleférico.

Utilizando episódios reais que envolveram a evolução das máquinas a vapor, substituídas por outros modelos, mais rápidos e rentáveis, a história começa por explorar a relação simples que se estabelece com a compreensão da máquina, e evolui para a perda dessa relação com a evolução da tecnologia – o sentimento de concretização inicial dá lugar ao melancolismo, quase ao desespero.

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Paralelamente, se no início se estabelece a sensação de uma história agradável, clássica mas simples, com as diferenças da realidade descrita evolui-se para a exploração do desconhecido, a partida em demanda, a busca por um propósito que os tempos parecem querer apagar e esquecer.

Em Portugal 12 – A Doce foi publicado pela Asa.

2 pensamentos sobre “12 – A Doce – François Schuiten

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