King Rat – China Miéville

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Depois de uma leitura a ritmo frenético percebo que, apesar de ter ficado automaticamente agarrada ao livro, a história não tem elementos muito surpreendentes, nem muito originais, quando comparada com outras do autor, China Miéville.

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Se The Iron Council ou, o meu favorito, Perdido Street Station, decorrem num mundo fantástico, avassalador, pela quantidade de elementos díspares e surpreendentes, King Rat, o primeiro livro do autor, decorre numa realidade bastante parecida com a nossa e aproveita o Flautista de Hamelin como elemento catalisador da narrativa.

Saul é um rapaz que desconhece a sua verdadeira natureza até se ver no centro de uma sucessão de homicídios que incluiu o pai. Salvo pelo Rei dos ratos, aprende que ele próprio é metade rato, uma mistura fantástica que lhe permite vaguear pelos dois mundos e que o torna uma arma única contra o Flautista, personagem sobrenatural capaz de hipnotizar vários animais, entre eles, ratos e seres humanos.

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Considerado como principal suspeito, Saul aproveita as lições do Rei dos ratos e explora as capacidades escondidas que desconhecia possuir até ao momento, entre os esgotos infindáveis de Londres, e as paredes íngremes que agora é capaz de escalar. Cada vez mais afastado do mundo humano, descobre que os seus amigos estão a ser usados pelo flautista e decide-se a cumprir o seu papel de arma em potência, aliando-se ao Rei das aranhas e ao Rei dos Pássaros.

A premissa é simples, quase directa, centrada numa personagem que encarna uma espécie de Messias, neste caso um salvador fabricado propositadamente à medida, que se vê arrastado para uma realidade fantástica sobreposta à urbana que conhecia.

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Mas o que cativa não é a premissa, nem tão pouco o desenvolvimento antecipável dos acontecimentos. Antes a forma de se expressar, a bela do texto e o cruzamento de ideias que suscita, características que nos fazem manter o interesse mesmo quando um episódio de confronto directo entre herói e vilão se alonga por mais de vinte páginas. É esta capacidade  de nos fazer visualizar o cenário e seguir as personagens que se torna o elemento diferenciador do livro.

The trains that enter Londo arrive like ships sailing across the roofs. They pass between towers jutting into the sky lije long-necked sea beasts and the great gas-cylinders wallowing in dirty scrub like whales. In the depths below are lines of small shops and obscure franchises, cafés with peeling paint and businesses tucked into the arches over which the train pass. The colours and curves of graffiti mark every wall. Topfloor windows pass by so close that passengers can peer inside, into small bare offices and store cupboards. They can make out the contours of trade calenders and pin-ups on the walls.

O ambiente sombrio não nos poupa à violência, nem a algumas (poucas mas fortes) descrições que nos revoltam o estômago – elementos que ajudam a sentir a brutalidade dos acontecimentos, numa história que tem tanto de inquietante quanto de fascinante.

Lentamente a história caminha para o auge que, apesar de previsível, confere o necessário sentimento de fecho, sem demasiados episódios movimentados, num formato sempre equilibrado. É, em suma, uma boa história à qual ainda falta a grandiosidade que iremos encontrar mais tarde em Perdido Street Station.

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