Low – Vol.3 – Remender, Tocchini e McCaig

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Bastante menos centrado no optimismo extremo da mãe e num ambiente menos depressivo apesar das desgraças sucessivas, este terceiro volume abre a história a desenvolvimentos interessantes, muito para além da espécie humana.

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Para quem desconhece a série, a história de Low decorre num futuro em que a combustão do Sol foi acelerada, provocando a expansão antes do está previsto. Neste seguimento a espécie humana procurou outros planetas para colonizar mas, não encontrando nenhum no curto espaço de tempo de que dispunha, enviou algumas sondas para o espaço e criou cidades no fundo dos oceanos, dentro de bolhas que permitiriam a sobrevivência até obterem resultados mais concretos da exploração.

Muitos anos depois encontramos uma família de cientistas numa das cidades mais desenvolvidas, uma linhagem que herda um escafandro especial, associado ao seu DNA, Nesta cidade os métodos de renovação do ar já não conseguem manter o oxigénio a níveis óptimos e aguarda-se, apenas, a morte lenta. Contra todas as probabilidades a mãe continua esperançada na chegada de uma sonda, mesmo quando uma das filhas é raptada por piratas para a cidade que estes controlam.

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Neste terceiro volume a filha já foi encontrada e recuperada, apesar de adulta e traumatizada, mas a família está novamente separada. Enquanto a mãe se encontra na superfície com um guerreiro destemido em busca da sonda que regressou, as duas raparigas regressam à cidade para reabastecerem e carregarem o escafandro.

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Pegando nas duas linhas narrativas, o aspecto visual apresenta um grande contraste. Por um lado temos cenários demasiado luminosos que representam a superfície que o sol queima sem dó, por outro o fundo dos oceanos com cidades deprimentes e monstros marinhos em cenário de tons escuros.

Estas duas vertentes vão criando um contraste interessante, até porque num dos cenários quase sentimos a claustrofobia do fundo, associada aos espaços fechados que, pelo escassear do oxigénio, se caracterizam mais pessimistas, e no outro uma liberdade esperançosa apesar da missão carregada de perigos, de contratempos e de desastres. No entanto, esta até agradável oscilação gráfica traduz-se negativamente no visual quando o par de páginas que se nos apresentam são mistas, ou seja, uma de cada  cenário.

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Tal como o fundo carregado de monstros estranhos, dos quais se destacam os próprios humanos, a superfície revela uma imensidão de animais adaptados à nova realidade, bem como novas espécies inteligentes que formaram as suas próprias civilizações – o homem perdeu o pedestal em que se colocava.

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Se a apresentação, no primeiro volume, de um optimistmo extremo num cenário apocalíptico, catastrófico e deprimente, foi um factor interessante no início, já no segundo volume, quando o que resta se desmorona e a acção decorre lentamente, tornou-se um factor de alguma irritação.

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Neste terceiro volume o desenvolvimento de novos elementos permitiu camuflar a esperança desmedida (ou pelo menos justificá-la). Por outro lado o foco em episódios secundários de acção desanuviou alguma da tensão negativa transformando-a em consequências concretas. Estes dois factores, a par com novos pontos de interesse, garantem que correrei para o quarto volume, para tentar perceber o resultado do confronto dos seres humanos com as novas espécies inteligentes.

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