O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Záfon

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Assim termina a fabulosa tetralogia O Cemitério dos Livros Esquecidos, com um extenso e intenso O Labirinto dos Espíritos, que fecha todos os acontecimentos e ligações entre personagens ao longo de gerações, resolvendo mistérios e segredos da família Sempere, demonstrando que os laços de sangue e as grandes amizades superam as maiores intrigas.

O livro centra-se em Alicia, uma rapariga que terá sido salva dos bombardeamentos pela acção atempada de Fermín, mas que perde a família no incêndio resultante. Separados durante a confusão resultante, Alicia fica sozinha e acaba num hospital onde é operada aos graves ferimentos da anca. Sozinha, sem tecto e sem família, o destino de uma criança em Barcelona em plena guerra é o previsto.

O mundo da clandestinidade leva-a cedo à prisão, de onde é tirada por Leandro, o chefe de uma organização de agentes secretos, com uma agenda própria e missões perigosas. Leandro inicia Alicia nos segredos da profissão e transforma-a numa das melhores agentes, capaz de usar a sua vulnerabilidade e aparente fragilidade para manipular reacções e acções.

Quando Vals, um importante ministro desaparece em circunstâncias estranhas e violentas, Alicia é chamada para uma última missão, a par com um polícia, velho mas duro que tem, também, os seus traumas profundos. Entre os dois estabelece-se uma parceria interessante, carregada de subtilezas com lugar a pequenos desvios à honestidade.

Este enigma irá relacionar-se de várias formas à família Sempere e, no desenrolar da trama, revelam-se alguns grandes segredos que foram guardados entre gerações, segredos que irão marcar a vida dos homens da família de forma profunda.

Este último volume da tetralogia revelou-se uma excelente leitura que peca apenas por algumas passagens demasiado descritivas, no início, que, apesar de criarem o ambiente, dificultaram que se estabelecesse um ritmo coeso de leitura. Posto isto de parte, trata-se de uma história extensa carregada de perseguições, lutas e agentes secretos, num ambiente duro que castiga os mais emotivos, onde as verdades reveladas têm duras consequências.

Entre os momentos de acção intensa encontramos a paixão pelos livros que possui Alicia bem como a família Sempere e o fascínio pelos lugares carregados de livros, à espera de ser lidos, como o Labirinto dos Livros Esquecidos ou as livrarias sem fim. Denota-se o ambiente boémio de Barcelona aqui encarcerado por um regime fascista e o contraste entre o luxo exposto pelos mais ricos ligados ao poder, e o estilo de vida dos restantes.

Das ruas apertadas da zona gótica, às Ramblas assistimos à maior parte do enredo, onde a vida das várias personagens, mesmo as já conhecidas dos livros anteriores, se entrelaçam. Amores e amizades, desgraçadas e maldições, de mistério a mistério conhecemos o motivo dos desaparecimentos, dos traumas e dos rancores. Tudo, pelos olhos de uma personagem que a vida tornou dura e implacável, com um mau humor palpável, mas que ainda assim é capaz de momentos de empatia, sobretudo quando rodeada de livros.

Uma leitura excelente publicada em Portugal pela Editora Planeta.

Para os interessados, o autor Carlos Ruiz Záfon esteve em Portugal para o lançamento deste livro e deixo-vos a ligação para o relato do momento.

3 pensamentos sobre “O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Záfon

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