Estação das Brumas – Vol.4 – Sandman – Neil Gaiman, Kelley Jones, Mike Dringenberg, Malcolm Jones III, Matt Wagner, Dick Giordano, George Pratt, P. Craig Russell

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O quarto volume contém os episódios mais cómicos (pela vertente irónica) que li, até ao momento na série. Iniciando-se com um desastroso encontro familiar, Sonho deambula até ao Inferno para procurar uma antiga amada que terá injustamente condenado, por mau feitio. O que Sonho não espera é que, ao invés de encontrar o Diabo furioso, encontra-o farto de corresponder às necessidades de governar o reino para castigar a maldade e abandona os seus domínios, deixando a Sonho a chave e o destino do Inferno.

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Mas se o Diabo está farto, outras entidades, provenientes das mais diversas mitologias, estão interessadas em governar o Inferno e dirigem-se, para tal, aos domínios de Sonho para o convencer de que serão os mais adequados sucessores ao governo do local. Sonho recebe-os revelando-se um anfitrião exemplar e confere, a cada excursão, uma audiência onde poderão expressar as suas condições e objectivos.

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Com o esvaziar do Inferno os mortos regressam, causando o caos na Terra numa sucessão de episódios cómicos perspectivados, numa primeira abordagem, por uma criança numa escola. De repente os que encontra estão mais ocupados a cuidar dos falecidos ou a obedecer à falecida mãezinha, e a criança depara-se com uma realidade estranha e desprovida de sentido.

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Depois do cativeiro e da recuperação apresentadas nos dois primeiros volumes, bem como das várias histórias apresentadas no terceiro, é neste que Sonho se torna numa personagem mais real, Eterno, mas com defeitos, capaz de admitir culpa, capaz de agir para expiar as suas próprias acções, mas com pouca paciência para enfrentar as várias exigências e expectativas com as quais é confrontado.

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Para além do evidente crescimento e consolidação da história, este volume destaca-se por apresentar uma brutal introdução de Harlan Ellison, o autor responsável por alguns dos melhores contos de fantasia e ficção científica de sempre que destaca a força que a mediocridade, acutilada pela inveja, pode ter:

Perfeição. Excelência. Uma amante muito apaixonada. Mas, depois de termos saboreado os lábios da excelência , uma vez que nos entregámos à perfeição, quão monótonas e penosas e cheias de anomia são as horas restantes, presos nas correntes regulares do meramente vulgar, do simplesmente aceitável, do que está só razoável e nem um pouco melhor do que isso. É triste, mas a maioria das vidas seguem esse padrão. (..) A excelência, quando vista pelos que não têm talento e são vulgares, produz prazer e espanto; mas, nos que possuem um mínimo de talento, causa ódio e inveja capazes de ferver.

A excelência é o seu próprio mestre, não obedece a ninguém, não se dobra a nenhum regime. Existe pura e inteira, como o disco de prata da Lua. Intocável, inatingível, extraordinária. Mas frustra-nos, porque nos lembra quanta mediocridade temos de aturar só para conseguirmos chegar ao fim da semana.

A série Sandman foi publicada pela parceria Levoir / Público.

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