The Pro – Ennis, Conner, Palmiotti e Mounts

Garth Ennis, o autor de Preacher, The Boys, Just a Pilgrim, Punisher, entre outros, construiu, em 2002, uma paródia aos super-heróis, colocando uma prostituta a receber poderes sobrenaturais e a ter de enfrentar vilões à sua maneira, pouco digna, própria de quem se habituou a fazer pela vida e a aproveitar os poucos momentos em que se pode defender.

A história começa com esta mulher, indefesa, a tentar obter o dinheiro acordado previamente com o cliente. Sob a ameaça de uma arma foge para casa e recolhe o filho na ama, uma velhota irascível e mal-educada. Nesta altura uns alienígenas que fazem experiências com os terrestres atribuindo-lhes super poderes resolvem seleccioná-la com o objectivo de provar que qualquer um é capaz de acções nobres:

Any human can be a hero, my faithful robot assistant. For if there is one thing i have learned in my ceaseless vigil, it is that these strange creatures hold within them the potencial for endless evil and ultimate greatness.

Nessa mesma noite acorda com um esquadrão de super-heróis à janela, prontos para a enquadrar no novo ofício, nobre e honrado, mostrando-lhe que a remuneração associada é vantajosa. Aceita. Claro. Mas na sua primeira missão humilha o vilão urinando-lhe em cima o que levanta sérios problemas para a imagem polida dos super-heróis.

Cada um dos super-heróis é uma paródia a um conhecido, quase personagens de papel encarnando o cliché que lhe está associado, tornando-se imberbemente cómicos perante a profissional que desmancha, com cinismo, os pudores de quem se dá ao luxo de combater os vilões de forma  suave.

Entre missões a profissional volta ao ofício original, aproveitando os poderes para rentabilizar as horas de trabalho e para se vingar, e às colegas de profissão, de clientes afoitos que gostam de usufruir sem pagar ou que recorrem à violência. Sem sonhos românticos e sem restrições morais, a profissional contrasta e corrompe o verniz heróico, conseguindo mostrando-se mais correcta e verdadeira nas suas intenções.

Cínico, divertido e violento, The Pro parodia a banda desenhada de super-heróis, carregada de feitos nobres e mentes honradas, confrontando a dura realidade das ruas com as batalhas épicas dos heróis e criticando a forma como os super-heróis se distanciam dos problemas reais dos comuns mortais.

É um livro curto mas divertido, com uma história extra que apresenta uma outra mulher a quem os novos super poderes impossibilitam de um futuro universitário e, por essa razão, se vira para a prostituição. Ambas trocam experiências num pequeno episódio visualmente mirabolante.

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