Os Passageiros do vento – 2 a 5 – Bourgeon

Lido o primeiro volume, A Rapariga no Tombadilho, eis que prossegui rapidamente por este primeiro ciclo, seguindo as aventuras e desventuras de Isa, quase sempre a bordo de um barco. Se, no primeiro volume, sabemos como a identidade da rapariga foi trocada na infância levando-a por um percurso menos luxuoso do que era esperado, o segundo volume leva-nos a perceber como a jovem vai libertar o seu amante e tentar rumar a uma nova vida.

Infelizmente, aquilo que deveria ser um percurso curto e directo transforma-se numa viagem inesperada a África, para recolher escravos. Enojada com tal perspectiva, Isa debate-se moralmente com as questões que tal comércio implica – observações que devem ser proferidas sem grande fervor, ou trazem consequências.

O terceiro volume centra-se neste confronto moral, apresentando os ocidentais da feitoria como interesseiros, viciosos e imorais. E não só com os escravos. Tendo em vista as apostas que fizeram, não têm pudor em assassinar, envenenar ou violar – mesmo que em sociedade tentem manter uma aparência de civilidade. Aliás, estas terras longínquoas da Europa parecem o local perfeito para recolher os que se encontram no limite da sociedade. Entre intrigas e interesses variados, Isa e a amiga vêem-se numa terra que levará ambas, de forma diferente, à ruína.

Entre várias contrariedades, Isa não perde o seu temperamento tempestuoso, lutando tanto por aquilo que quer, como pelo que acha justo. Para tal, vai recorrendo à espingarda ou às subtilezas da sedução, consoante o que melhor se aplicar. Como personagem principal, Isa é desinibida, quer em palavras, quer em postura, podendo ser encontrada, várias vezes, com roupa a menos.

Em termos narrativos, estes volumes conseguem manter um bom ritmo, demonstrando uma contínua introdução de conflito e variação de cenários. Na caracterização de personagem dá-se grande destaque a Isa, enquanto que as restantes se demonstram bastante mais lineares, apesar de reveladas as suas distintas motivaçoes.

Estes cinco volumes de Os Passageiros do Vento apresentam uma história auto-contida. Os meus sentimentos continuam a ser dúbios. Não é uma série que ache extraordinária, mas torna-se uma leitura viciante que debita, atempadamente, as reviravoltas necessárias para manter a acção e o interesse.

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