Spaghetti Bros – Vol. 1 – Trillo e Mandrafina

Spaghetti Bros traz-nos um ambiente semelhante ao que encontramos em Torpedo ou Moonshine – um mundo de gangsters italianos que cruza violência com extrema religiosidade, numa combinação curiosa e, neste caso, com alguns toques cómicos. A história centra-se num grupo de cinco irmãos italianos que, com as suas grandes diferenças, produzem interacções caricatas.

Tal como tantas famílias italianas, esta cruzou o mar para uma oportunidade de viver nos Estados Unidos. Infelizmente, a mãe faleceu ao dar à luz durante a travessia, deixando cinco filhos órfãos. O mais velho, acusando o bebé da morte da mãe, fará-lhe-à a vida negra durante toda a infância e adolescência. Esta oposição reflecte-se também nas profissões que adoptam enquanto adultos, um torna-se um temido gangster, outro um polícia.

Sendo uma família de italianos, não é de estranhar que um deles se torne padre, e que uma das irmãs se torne na típica dona de casa aborrecida, casada com um brutamontes e vários filhos agarrados às pernas. Em compensação, a quinta irmã torna-se numa estrela de cinema, divulgando a lenda de ter origem cigana e não italiana.

A interacção entre os filhos adultos é caricata e cómica, exagerada e conturbada reflectindo o sangue quente italiano. O filho mais velho, solteiro e de aspecto demasiado pesado para a idade, mantém um doentio complexo de Édipo, idolatrando a falecida mãe que representa o ideal feminino: pouco dada a sorrisos, uma mulher séria com a qual poderia casar. É com esta imagem que busca o par, numa sucessão de mal entendidos que revelam a sua má índole.

Por sua vez, o filho mais novo, o polícia, apresenta-se quase naive, acreditando sempre na melhor versão dos factos e decepcionando-se a cada novo episódio. O equilíbrio entre os irmãos é mantido pelo irmão padre, capaz de usar a sua autoridade religiosa para pôr o irmão mais velho em ordem, criando consequências para alguns dos seus actos.

Spaghetti Bros é uma caricatura bem sucedida onde as características latinas são exageradas para proveito da narrativa. As interacções são exageradas. As reacções são abruptas. Os estados de humor são absolutos e tempestuosos, sem qualquer contenção. O relacionamento familiar é disfuncional e caótico, carregado de segredos e sentimentos de culpa.

A par com a premissa, a forma como os episódios são estruturados garantem a atenção do leitor. Cada episódio se alonga por oito páginas. Após uma curta apresentação do tema sucede-se um conflito e uma solução temporária que resulta numa pequena reviravolta. Este modelo funciona em ritmo e concede as devidas reviravoltas às ideias que são exploradas em cada episódio.

Entre o retrato caricaturesco que cruza violência e sexualidade (de forma mais leve que Torpedo) e a estrutura das histórias, Spaghetti Bros revelou-se uma boa e divertida leitura. A cada episódio percebemos um pouco mais a forma como interagem os irmãos, mas, também, aquilo que os une, sobretudo em alturas de aperto.

Este volume apresenta uma divertida sucessão de histórias que usa todas os clichés dos emigrantes italianos! A interacção entre os irmãos é caricata, levando a situações inusitadas e mirabolantes que fazem esta uma das leituras mais divertidas dos últimos tempos! Foi uma boa surpresa que aconselho vivamente!

Spaghetti Bros é uma das mais recentes séries de banda desenhada publicadas em Portugal pela Arte de Autor. A série de 16 tomos vai ser publicada em quatro volumes, sendo que este primeiro já se encontra à venda.

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