Li, há pouco mais de um ano, a pequena, mas excelente história The Butcher of the Forest. A partir daí, tenho andado a adquirir lentamente os restantes livros da autora, intercalando-os com outras leituras (gostaria de destacar também a trilogia iniciada com The Annual Migration of Clouds, onde cada livro pode ser lido de forma independente). Neste seguimento encomendei também este The Rider, the Ride, The Rich Man’s Wife, uma boa leitura, mas estranhíssima, que a autora descreve como “a post-apocalyptic Wild West Wild Hunt novella”.

A história parece decorrer numa realidade que cruza ficção científica com fantasia. O cenário parece pós-apocalíptico, referindo-se uma tragédia que terá eliminado os seres humanos da cidade. Mas por outro lado, ao longo do livro vamos assistindo a poderes sobrenaturais (com entidades de capacidades mágicas) que nunca são bem explicados cientificamente. A narrativa começa por nos apresentar uma pequena vila, onde de 7 em 7 anos, duas figuras surgem a cavalo, escolhem um dos habitantes e marcam uma hora para iniciar uma caçada com os seus cães.

É neste contexto que encontramos um par de gémeos õrfão que sobrevive em condições duras, uma espécie de idade média em termos tecnológicos. Quando um dos gémeos é marcado para a caçada, o irmão recusa-se a ficar de fora da perseguição. Mas se interferir de forma demasiado directa será prontamente eliminado. Direccionando o irmão na direcção que todos evitam encontra uma espécie de cidade onde aqueles que os iriam ajudar funcionam como extensão da caçada.

O resultado é misterioso, mas simultaneamente perceptível e oculto. A caçada parece funcionar como uma espécide expiação, um preço a pagar por algo, onde os restantes seres humanos da comunidade viverão com menos problemas. O cenário é, muitas vezes, inóspito, mas os gémeos cruzam-se também com personagens misteriosas, como por exemplo, uma jovem rapariga, também ela caçada, mas por diferentes caçadores – uma espécie de cruzamento de realidades onde se percebe que o mesmo sistema existe noutros locais.

O resultado é uma boa história, que oscila entre o entendimento e a estranheza. A jornada leva os gémeos a perceber alguns detalhes na forma como estas realidades são controladas, mas existem demasiadas perguntas por resolver pelo que o entendimento não é completo. A urgência que rodeia a situação explica porque estes detalhes introspectivos se tornam secundários, proporcionando ritmo à história. É efectivamente uma boa leitura, mas que poderá não agradar a quem gosta de circunstâncias claras e explicações completas.