Não é todas as semanas que chegam, ao mercado português, livros de ficção especulativa de origem não anglosaxónica. As histórias de ficção científica e fantasia costumam ser predominantemente de origem inglesa, influenciando bastante o que é produzido pelos autores portugueses. O que não é necessariamente mau, mas que leva, por vezes a uma repetição de temas e abordagens. Neste caso, A Feiticeira parece ser uma história de fantasia, tendo a autora nacionalidade francesa. Deixo-vos com a sinopse:

Numa pequena povoação, uma feiticeira medíocre, espartilhada num casamento medíocre, transmite os seus poderes às duas filhas. Só que um feitiço nunca dura para sempre — nem uma família. Lucie vem de uma linhagem de bruxas, com poderes transmitidos de mães para filhas.

Muitas ocultaram os seus dons, para agradarem a homens tomados pelo medo. Lucie não. Contra a vontade do marido, inicia as filhas gémeas na peculiar tradição feminina da família. Contudo, os poderes ensinados revelam-se perigosos, e abrem caminho a uma libertação absoluta, que Lucie nunca imaginara. Marie NDiaye, uma das escritoras francesas mais aclamadas da atualidade, constrói um romance assente em lágrimas e sangue – o mais poderoso laço entre pais e filhos. Fundindo onirismo e inquietação, A feiticeira conta uma fábula antiga: sem olharem para trás, as crias voam do ninho e deixam à vista a fragilidade do núcleo familiar.

Tensa e plácida, desassossegada e desarmante, esta é uma história de papéis que se replicam, tradições que se quebram, futuros que se reinventam.