MotelX Histórias de Terror

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Quem não conhece o MotelX, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa? Para mim que não sou uma fã total do género (gosto de alguns filmes, mas raramente me fascino como alguns meus conhecidos) este festival é sinónimo, também, de eventos literários (o ano passado com o Painel de Literatura Negra). Este ano o evento foi o lançamento desta antologia, ao qual não pude comparecer. Ainda assim, corri para a livraria mais próxima.

O que encontrei foi um livro esteticamente agradável, com boas  ilustrações de diversos artistas e alguns nomes bastante conhecidos na literatura. Mas estes nomes nem sempre correspondem a bons contos de terror, até porque não é este o seu género e isso, por vezes, é bem evidente.

A primeira história é uma das excepções deste síndrome “Peixe fora de água”. Contas para pagar de Afonso Cruz é uma história de tom pausado que se centra num autor pouco inspirado. Com contas para pagar e sem criatividade, socorre-se de terceiros para obter os seus escritos – pessoas que motiva de forma tenebrosa para poder produzir obras caricatas. Criando um cenário peculiar onde são perpetuadas acções horripilantes, Afonso Cruz consegue atingir o objectivo do terror não se tornando na melhor história do conjunto, mas compondo uma abertura mais do que aceitável.

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A parte pelo todo de Inês Fonseca Santos foi uma das histórias que mais gostei, criando expectativa e aproximação ao grande final de forma exemplar. O conto acompanha um carteiro que, todas as semanas entrega encomendas no mesmo apartamento, questionando-se quem estará por detrás daquela porta que inicialmente nunca se abre e de onde nenhuma reacção provém.

De Adolfo Luxúria Caníbal (fundador dos Mão Morta) vem o conto A Painelista, um misto de terror com o surreal, onde uma jovem integrando uma equipa de ensaios clínicos, se submete a diversos medicamentos, alguns deles com estranhos efeitos. Alongando-se um pouco mais do que deveria entrega bons momentos desembaraçando-se num final que não é totalmente original.

Segue-se O artista e as pessoas de olhos negros de Jeziel Bueno, um dos contos que mais gostei do conjunto apesar do desenvolvimento expectável em que um homem começa a ser atormentado por cadáveres que só ele consegue ver. A origem dos cadáveres é algo que é fácil de adivinhar, mas dentro do conjunto é uma história que se consegue destacar pela positiva.

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Os que nunca esquecemos de Filipe Homem Fonseca é um tenebroso conto de amor numa realidade distópica onde até os pensamentos se pretende controlar. Neste cenário um caçador apaixona-se por uma enclausurada que tudo empreende para resgatar.

Canção de ninar de Victória F. foi o conto vencedor do prémio e é efectivamente um dos melhores contos do conjunto, retratando a arrepiante história de uma mãe que não vê, na bebé que acabou de nascer, a inocência das crianças humanas, mas uma malvadez imensa. Não que a criança faça realmente algo para incentivar tal percepção.

O último conto do conjunto, Suicidem-me ou o diário de alva, de Patrícia Portela foi dos que menos gostei. Com grande pena, já que tenho apreciado outros trabalhos da autora, mas não o achei bem enquadrado no género – começa com boas ideias, mas acaba por não concretizar o terror e não me causou especial reacção.

Um pensamento sobre “MotelX Histórias de Terror

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