Assim foi: Sustos às sextas – 19 de Fevereiro

Sustos às sextas _ 19 Fev 2016

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A sessão abriu com a usual (mas não menos essencial) introdução de António Monteiro, que depois de referir a adaptação dançada, Dracula: Pages from a Virgin’s Diary como das poucas no género do horror, nos apresentou o primeiro espaço da noite, um pequeno bailado sombrio e alusivo ao horror, onde quatro jovens bailarinos utilizaram o espaço para a performance.

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Após o espectáculo seguiu-se uma apresentação de Pedro Nunes sobre cinema de horror. Percorrendo vários países e géneros do século XX, Pedro Nunes referiu alguns dos mais icónicos e representativos filmes, deixando escapar, por vezes, a paixão que tem pelo tema, ao apresentar mais detalhes sobre a histórias de algumas das películas. Abaixo, deixo-vos algumas das minhas notas.

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Passando pelo expressionismo alemão com referência a clássicos como The Golum, O Gabinente do Dr. Caligari ou Nosferatu, chega-se à Idade de Ouro de Hollywood onde não podem falhar, claro, Fantasma da Ópera, Dracula, Frankenstein e Múmia, e aos anos 40 com A Mosca, Zombie, O Médico e o Monstro. Escapando a este boom encontramos Dark of Night, Godzilla, A Maldição de Frankenstein e Horror de Dracula.

Golem

Adaptação do livro de Gustav Meyrink, de mesmo título

Depois de se referirem os clássicos do início do século, Pedro Nunes prossegue para os géneros e sub-géneros de vários países, destacando os principais realizadores e filmes. Em Espanha começa por Amando de Ossorio, com filmes de fantasmas peculiares onde quem deambula são os templários do século XIII, cegos, e que chegam às suas vítimas por sons. De realçar a tentativa de inibição sexual, apresentando como vítimas casais que procuram locais menos movimentados para fazer amor.

Ossorio

Mas este não foi o único realizador espanhol referido: Mercero com Verão Azul e La Cabina (onde a cabina era uma ratoeira humana), Molina mais conhecido por películas de lobisomens, Franco que realizou filmes a metro mas poucos de real qualidade explorando, nalguns, a sexualidade através dos vampiros, Jorge Grau com destaque o filme No profanar el sueño de los muertos, em que os filmes de zombies exploram temáticas ecológicas, ou Serrador, com destaque para Quien puede matar a un niño em que critica Espanha enquanto destino para turismo balnear.

no profanar

Não se pode falar de filmes de terror em Itália sem referir os Gialli, termo conotado com a literatura leve do género que era comercializada no formato de pequenos volumes amarelos (gialli). Argento terá sido um dos realizadores incluídos neste género do cinema de horror, que terá nomeado os seus primeiros filmes aludindo a animais e assim dando uma ligação entre os filmes.

lucio fulci

Já Lucio Fulci terá desenvolvido filmes de zombie dentro do estilo mais splatter apresentando mortos-vivos que se deslocam dentro de água. Destacando brevemente Mario Bava e Martino no género Gialli, referiu-se também Deodato como realizando filmes sobretudo de canibais, com filmes dentro do filme. Para além destes realizadores e géneros, terão surgido, também, em Itália, os filmes de género sádico-nazista.

the changeling

Destacando-se The Changeling, de Peter Medak, no Canada, prosseguiu-se com Bob Clarck realçando Murder by Decree onde se exploram duas figuras, uma ficcional e uma história, Sherlock Holmes e Jack The Riper. Claro que não se podia falar do género no Canada e não se referir Cronenberg. Para além destes, referiu-se Denis Héroux, com assassinos em série, teorias da conspiração de gatos que tentariam dominar o mundo (The Uncanny, um filme que me interessou pela referência a um conto de Poe).

house

No Japão são comuns as histórias que misturam histórias de fantasmas com repressão ou penalização sexual, bem como dramas históricos e psicológicos. Entre os vários realizadores, Pedro Nunes falou de Hiroshi Teshigabara (com Otoshiana), Kaneto Shindô (com The Naked Island que explora as temáticas derivadas da Guerra e com Kuronejo), Kenji Misumi (com The tale of Zatoichi de terror mais explícito e sangrento), Nobuhijo Ôbayashi (conhecido por House, uma casa que se transforma e tenta devorar pessoas) e Nobuo Nakagawa (com Jigoku).

Apesar de ter gostado da apresentação no seu todo, os melhores momentos aconteceram quando se deixava a catalogação para se entrarem nos detalhes mais imaginativos dos filmes, destacando-se ora o enredo, ora determinada cena de imaginação peculiar.

Após o curto intervalo apresentaram-se duas curtas de terror portuguesas: Dédalo e Arcana. A primeira um óbvio tributo a Alien (abaixo o trailler), uma curta que mistura elementos de ficção científica e horror, enquanto a segunda, Arcana, possui alguns elementos mais tradicionais, com referência aos bruxedos e à Dama Pé de Cabra.

No final, pudemos ver uma pequena exposição com alguns dos horripilantes adereços que foram usados para a realização do filme.

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Depois de sessão tão diversificada em formato e conteúdo, resta esperar impacientemente pela próxima, que decorrerá no dia 18 de Março.

2 pensamentos sobre “Assim foi: Sustos às sextas – 19 de Fevereiro

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