Últimas aquisições

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No topo encontra-se um volume curioso de um estudioso brasileiro publicado pela Letra Livre (e que encontre na Almedina, conjuntamente com outros livros da mesma colecção) – O Bibliófilo Aprendiz.  Neste livro, um verdadeiro bibliófilo fala sobre a forma como se deve construir uma verdadeira colecção de edições antigas de livros raros, falando, não só do processo de aquisição, como se conservação, não faltando, claro, os episódios quase cómicos como algumas edições se perderam, ou particularidades profissionais do processo de edição que permitem distinguir, várias décadas depois, as diferentes edições.

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Segue-se Os Marcianos somos nós de Nuno Galopim, um livro comentado de forma bastante positiva por Artur Coelho e que me convenceu a dar uma oportunidade assim que tivesse oportunidade (ou promoção). Deixo-vos a sinopse:

Marte desperta a curiosidade desde há séculos. As descobertas científicas que se têm vindo a fazer em muito contribuem para manter aceso o interesse sobre o planeta vermelho. Dos tempos em que era apenas um ponto avermelhado nos céus ao momento em que uma sonda descobriu água no solo deste astro, a história da nossa relação com Marte somou séculos de fantasias e descobertas. Ao que se conhece do passado, associa-se o que se espera do futuro, onde parece abrir-se um mundo de possibilidades. É a oportunidade de viajar até lá, no momento presente, através de páginas cheias de referências, exemplos e histórias, que este livro oferece.

As visões dos invasores de H. G. Wells ou dos seres imaginados por Edgar Rice Burroughs cativaram muitos jovens para a ciência. Mas se Marte continua a despertar a ficção, capta igualmente o interesse de cientistas, cujas observações têm permitido acumular conhecimento sobre o planeta.

Carl Sagan defendeu que para contar a história de Marte é preciso juntar a ciência e a imaginação. Este livro faz essa reunião de modo convincente. O olhar do autor cruza as sondas Viking ou Mariner com as Crónicas Marcianas de Ray Bradbury, as canções de David Bowie com o hilariante Marte Ataca!, de Tim Burton. E fornece bons motivos para manter o leitor atento às páginas, incluindo pequenos marcianos que chegam à Terra maldispostos e colónias humanas que encontram em Marte uma nova casa.

O Cavaleiro Sueco de Leo Perutz foi um dos mais recentes lançamentos da Cavalo de Ferro que tive oportunidade de ler e de apreciar. Em O Cavaleiro Sueco encontramos algumas das características dos contos e lendas tradicionais num modo mais literário de escrita que resulta numa história de aventura curiosa.

E se a palavra curiosa diz pouco como caracterização, na verdade o que queria dizer era única e peculiar – a personagem principal não é  um herói imaculado, mas um homem que, seguindo uma moral própria e algo distorcida, tenta escapar ao destino. E como ao destino não se pode escapar, o que ele acaba por fazer é adiar um caminho sabendo agora tudo o que perde da vida.

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Mas o livro que aqui vos mostro não é O Cavaleiro Sueco. Esse já li e gostei tanto que aproveitei rapidamente outra promoção para arranjar outro livro do mesmo autor, O Judas de Leonardo.

Lendas, mitos, contos populares – desde sempre que este é um tema que me entusiasma, e o fascínio, que estava dormente, foi reactivado pelo livro Sobre o conto de fadas de Italo Calvino. E como um livro puxa outro, foi nessa sequência que me aconselharam os livros de Francisco Vaz da Silva, tendo escolhido este entre os vários que já publicou.

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Estar à espera de amigos, tendo uma hora para gastar, e estar perto de uma livraria – eis uma combinação perigosa. Neste caso saí de lá com dois livros de banda desenhada, o primeiro volume de Serenity (que está na minha lista de aquisições há alguns anos) e um livro da Panini Brasil. Serenity – those left behind apresenta aventuras que decorrem entre a série Firefly e a série Serenity. Apesar de cumprir o seu papel em termos de nos apresentar acontecimentos entre os dois segmentos, não consegue captar o espírito peculiar das personagens que era uma grande mais valia. No final, deixa a saudade e a vontade de rever a série (para comentário mais detalhado, vejam o tópico).

Matiné é um livro de banda desenhada que ando há muito para comprar. Não me parece ser exactamente o meu tipo de leitura, mas nada como sair, de vez em quando, da nossa zona de conforto:

AS TRÊS HISTÓRIAS QUE COMPÕEM ESTE MATINÉ têm por inspiração o velho e bom cinema de acção e aventura e são temperadas com cirúrgicas pitadas de sangue e humor. Mas isto não é pura e simples pancadaria, com alta dose de adrenalina à mistura. Os enquadramentos escolhidos ajudam a ambientar a acção, os ângulos, a movimentação e a velocidade das cenas transformam estas páginas em algo parecido com os filmes de Quentin Tarantino. Não sabendo o que se passa antes, ficamos no entanto a saber que acaba por estar tudo de alguma forma interligado. Atenção, pois, ao final. Matíné funciona como cartão de visita dos gémeos Magno e Marcelo Costa e seus convidados: Marcio Moreno, Magenta King e Dalts. Tudo boa gente da nova geração de autores de banda desenhada brasileira.

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Não sei se perceberam, mas estou lentamente a adquirir as coisas de André Oliveira. Sem achar que estejam perfeitas (das que li, faltavam alguns detalhes para garantir a total coesão da história, e uma melhor caracterização de personagens) são normalmente livros com uma história definida, onde se percebe a existência de um fio condutor. E, normalmente, a história combina bem com os diferentes estilos de desenho que o acompanham.

Classificado com o melhor desenho de álbum português de 2015, Erzsébet é a mítica condessa húngara que se banharia no sangue de jovens:

Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara contemporânea de Shakespeare, ao contrário deste, incarnou como poucos o lado negro e animalesco do ser humano. São-lhe atribuídos centenas de crimes inomináveis que lhe grangearam alcunhas como “Tigreza de Csejthe” ou “Condessa sanguinária” e que a colocam no mesmo lendário patamar de bestas humanas como Gilles De Rais ou Vlad, o Impalador. Por detrás do seu rosto pálido, de olhar impassível e melancólico ocultava-se o próprio demónio, Ördög.

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Mais interessante pelo aspecto gráfico do que propriamente pela história, Ruins consegue, mesmo assim surpreender. Com duas, quase três histórias paralelas, acompanha sobretudo um casal americano que se mudou para o México e uma borboleta que circula pelo mundo. Simultaneamente, encontramos algumas páginas do livro que a jovem americana estaria a escrever. A metáfora é óbvia, trata-se de uma viagem de transformação, tanto para o casal como para a borboleta, uma viagem que os levará a perceber o que querem da vida. Ainda assim consegue apresentar algumas características menos turísticas do México, num conjunto engraçado (para comentário mais detalhado sobre o livro, com imagens, vejam o seguinte tópico).

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Um pensamento sobre “Últimas aquisições

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