Eis um volume não ficcional de banda desenhada, que se centra no Museu Nacional de Arte da Catalunha, e que foi publicado pela Norma em dois idiomas – espanhol e catalão. O autor é o mesmo de outros livros não ficcionais sobre livros e bibliotecas (Livrarias e Contra a Amazon), ainda que só tenha reparado quando o comecei a ler. Eis, portanto, um exemplo de alguém que lê o que alguns chamam de literatura a sério, mas que percebe o lugar da banda desenhada como meio para expor algumas narrativas, firmando-o como um dos modos mais antigos de passar mensagens.

Em El Museo vamos visualizando as obras de arte, ao mesmo tempo que se nos apresentam algumas curiosidades sobre a sua história, ou, até, sobre disposição no museu, demonstrando que a forma é bastante importante para que se compreenda o conteúdo – e que esta forma vai mudando com os tempos e as novas interpretações que vão surgindo.

Não esperem um livro de história de arte. Também não esperem um foco exclusivo nas peças de arte. A sensação com que fiquei é que o autor tentou reproduzir a experiência do Museu num livro, alternando conversas ou interacções, com pequenas apresentações históricas e representando as peças mais importantes e carismáticas.

Trata-se de um volume de leitura lenta, com detalhes e leituras variadas, que ao cruzar conversas, apresentações e as peças, vai variando em tom, formato e perspectiva visual. O resultado é curioso e heterogéneo, saindo do formalismo que podemos encontrar em livros sobre museus – mas nem sempre funcionou bem comigo. Tem excelentes momentos, mas a apresentação de alguns textos mais longos (e, até, necessários), quebram um pouco a fluidez que outras passagens possuem.

O resultado é curioso, aconselhável, mas sem dúvida não será apreciado por todos. Por um lado, é um livro de banda desenhada não ficcional. Por outro, não apresenta uma constância de estilo e formato. Visualmente tem momentos brutais, cruzando informação com foco nalgumas obras (ou pedaços delas) tecendo histórias compreensões e entendimentos.

El Museo não é um livro puramente informacional nem uma perspectiva isenta – isto denota-se pelos tais focos nos detalhes, nas explicações que só existem para alguns trechos. É sem dúvida, o transpor de uma visão pessoal sobre o museu para livro, com reinterpretações visuais, persepctivas e transformações.

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