The Gods Themselves – Isaac Asimov

A grande novidade em The Gods Themselves é conseguir apresentar personagens alienígenas, provenientes de outro Universo, com preocupações, raciocínios e perspectivas muito próprias mas, ainda assim, fazer-nos sentir mais empatia e reconhecimento por estas personagens do que por algumas das personagens humanos que acompanhamos.

O livro decorre em três componente diferentes, partindo da perspectiva humana e passando à de outro Universo, para retornar aos humanos numa última componente. O livro começa quando um cientista se questiona sobre a presença de Tungsténio na sua secretária. O incidente não é de todo inocente e com este tungsténio obtêm-se instruções para a construção de uma máquina que irá fornecer energia ilimitada ao ser capaz de agir como condutor entre os dois Universos.

O ter-se questionado foi o que provocou a descoberta das instruções para a máquina, mas o cientista,  mediano, não se fica por receber estes louros e tenta captar para si a capacidade de inventar a máquina, obscurendo as circunstâncias que levaram à sua construção. A partir daqui usa o poder obtido para evitar questões e estragar a carreira de todos aqueles que ousam esclarecer a origem da máquina, ou, até, duvidar da sua estabilidade e segurança.

Pois é. É que um cientista do seu instituito percebeu que a conclusão de que, dada a troca de massa e energia, o sol só explodiria daí a largos milhares de anos, poderia ter partido de premissas erradas. E corrigindo as premissas todo o sistema solar estará em perigo eminente. Embatendo frontalmente com o seu chefe percebe que os egos e o conforto da energia a custo 0 são mais importantes do que a segurança de todo planeta, e assim acaba na lista negra e impedido de publicar em ciência.

No outro Universo temos uma diferente realidade. A história começa por nos apresentar um trio de seres que constituirá uma unidade familiar capaz de produzir novos bebés. O trio é composto por três seres de diferentes capacidades: Dua, central e emocional, Odeen, esquerda e científica, Tritt, direita e parental. Os elementos dos trios são denomiados por Os Moles em contraste com os Duros, uma outra espécie que habita o mesmo mundo, mais muduros e intelectualmente mais desenvolvidos.

Dua é uma central estranha – ao contrário dos outros elementos do seu género não tem prazer na conversa oca e nas longas horas ao sol em grupo. Ao invés disso questiona-se como se fosse um intelectual. É, também, uma central excessissivamente etérea, o que contrabalança em termos sociais a sua inesperada racionalidade. É pelas suas características especiais que estabelece um relacionamento mais forte com Odeen, que tem um intelecto desenvolvido até para os do seu género.

Odeen vai ensinando Dua o suficiente para ela perceber a construção da nova bomba de energia e das implicações que poderá ter para o mundo (a Terra) que se encontra no outro lado. A partir daí aproveita-se da capacidade de se evaporar para fazer passar mensagens de perigo para o outro mundo.

A terceira parte decorre na Lua mostrando as diferenças entre os seres humanos que cresceram nos dois planetas. As diferenças de gravidade comprometem a fisionomia e seres humanos que tenham nascido na Lua nunca poderão pisar o solo terrestre. Já o contrário é possível e é assim que um cientista terrestre, ostracizado por questionar a nova fonte de energia, encontra, na Lua, uma comunidade pronta a recebê-lo e e deixar trabalhar.

Para além de tentar provar as teorias sobre a nova fonte de energia, este cientista encontra uma Intuitiva, uma mulher geneticamente modificada com fortes capacidades de intuição que consegue encaminhá-lo no sentido de uma grande descoberta científica.

Com esta disposição, Isaac Asimov consegue explorar e apresentar problemas diferentes. Na componente humana assistimos ao problema dos egos nas carreiras científicas, problema que impede muitas vezes grandes progressos por mentes medianas incapazes de progredir e de cooperar, captando para si o trabalho dos outros. Para além disso percebemos que, face a grandes benefícios e conforto, a maioria dos seres humanos prefere ignorar as consequências.

Na componente central encontramos os alienígenas que, com as suas características próprias conseguem captar a nossa empatia e atenção, apresentando problemas de género que aqui se encontram no contexto diferente. A diferença pode trazer algo positivo e neste caso mostra-se como pode conferir capacidade evolutiva à espécie.

Na última componente, de volta aos seres humanos, voltamos a encontrar problemas títpicos das civilizações humanas, com descriminação entre pessoas de origem diferente ou a necessidade de singrar por meios ilícitos. Por outro lado quem detém poder nem sempre tem os interesses do conjunto em mente, dando mais importância às suas motivações do que ao destino dos restantes.

2 pensamentos sobre “The Gods Themselves – Isaac Asimov

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