Jogos aos Sábados – Sagrada – Adrian Adamescu, Daryl Andrews e Peter Wocken

Azul tem sido um dos jogos mais usados a dois, principalmente quando queremos um jogo com alguma estratégia, mas rápido e de jogadas curtas. O visual é fascinante (e muito elogiado – não é por acaso que acabou de vencer o Spier des Jahles de 2018) e o mecanismo é fácil de aprender. Não é, assim, de estranhar, que quando vi várias comparações do Sagrada com o Azul, dizendo que ainda é mais interessante, tenha tentado comprá-lo, mas acabei por esperar pelo lançamento da MEBO por conta do preço competitivo.

Em aspecto o Sagrada é igualmente fascinante. Menos clássico, mas mais colorido baseia-se nos vitrais da Sagrada Família. O material é visualmente agradável, ainda que as cartas sejam um pouco finas (ou seja, mais susceptíveis a danos) mas a combinação de dados de diferentes cores torna o jogo bastante atractivo. Não jogámos as edições de outras editoras, mas pelas fotos a portuguesa da MEBO parece-me ser, em tudo, equivalente. Em termos práticos, o jogo tem, como único ponto negativo, a dificuldade em manobrar dados tão pequenos no tabuleiro, sendo que quem tem as mãos maiores facilmente muda o valor do dado colocado sem se aperceber.

Este jogo foi dos poucos que tivemos oportunidade de experimentar assim que chegou e rapidamente percebemos as diferenças em relação a Azul. Este é, também, um jogo que se baseia na recolha e colocação de peças mas, apesar das maiores restrições de colocação (em relação a cores, números e padrão específico do nosso tabuleiro), o grosso da pontuação é dado pelo cumprir de um objectivo privado e de vários objectivos públicos que possuem combinações adicionais que podemos seguir.

Sagrada tem, adicionalmente, mais dois elementos que o distinguem: a ordem de recolha de dados (que permite que, a cada ronda, um jogador diferente jogue duas vezes seguidas), e a existência de ferramentas pelas quais podemos pagar para poder quebrar as regras.

O cruzamento de todas estas variáveis faz com que o jogo pareça mais complicado do que é realmente. O que constatámos é que é mais fácil de jogar do que de explicar (ainda que explicar não seja o objectivo desta review) e que o tempo de aprendizagem foi curto ainda que estivéssemos a integrar jogadores pouco experimentes.

Jogámos a quatro e a dois jogadores e a conclusão é que é mais equilibrado a quatro. Por um lado porque a quatro jogadores todos os dados são lançados, fazendo com que o número de dados de cada cor em jogo seja igual (o que possibilita igual oportunidade de cumprir o objectivo privado associado a uma determinada cor). Este desequilíbrio poderá ser ajustado retirando proporcionalmente alguns dados de todas as cores de forma a garantir que as probabilidades de cumprir os objectivos individuais são semelhantes. Ainda, a dois jogadores, é mais evidente a desproporção de pontos entre jogadores com tabuleiros de dificuldade muito diferente. Ainda que os detentores de tabuleiros de maior dificuldade possam utilizar mais ferramentas, até agora, a maior utilização de ferramentas não tem compensado a maior dificuldade do tabuleiro.

Concluindo, Sagrada é um jogo bastante aprazível, de jogadas rápidas, que puxa pelo cérebro. É visualmente atractivo, fácil de perceber e permite alguma adaptação da dificuldade consoante o padrão que se escolhe construir.

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