Eis alguns dos livros que mais recentemente estão a ocupar o pouco espaço cá de casa! Começo por mais um livro de Adrian Tchaikovsky, o seu mais recente lançamento, Green City Wars. Depois de ter lido dois livros tão distintos quanto Service Model e Made things, resolvi ler este volume assim que o li. Trata-se de uma narrativa futurista onde, tal como na série Uplift de David Brin (que li na adolescência e adorei) os animais são trazidos à consciência.

Neste caso, a acção decorre numa cidade ecológica onde os humanos descansam e os animais executam as mais diferentes tarefas. Estes animais terão sido elevados com base na engenharia genética, dependendo de um medicamento para manterem as suas capacidades cognitivas. Mas claro que este medicamento só é fornecido àqueles que trabalham, como forma de pagamento. Enquanto os humanos descansam, os mais diferentes animais desenvolvem uma sociedade paralela num género de sub-mundo, onde existem máfias, uniões de trabalhadores e animais que, isoladamente, tentam sustentar-se.

Trata-se de uma história movimentada, centrada num guaxinim que se afastou da empresa onde trabalhava, mas ao qual é dada uma missão peculiar – a de encontrar um rato específico que poderá conter a chave para ameaçar todo o estilo de vida dos animais conscientes. Entre animais caricatos e perigosos, sucedem-se episódios cómicos e de perseguição, resultando numa leitura fluída e envolvente que mal nos deixa respirar.

The Giver Quartet, de Lois Lowry é o livro que comecei agora a ler. Trata-se de um clássico a de ficção especulativa que soma inúmeros prémios e que podem encontrar em várias listas de leitura obrigatório no género. Até agora posso dizer que é uma leitura curiosa, algo distópica ou pós-apocalíptica (ou ambas) centrada num jovem rapaz que vai atingir os 12 anos. Na sociedade que encontramos, quase tudo é igual para todos, ainda que existam diferentes capacidades que vão ser usadas para diferentes profissões.

Depois de percebermos que, nesta sociedade, tudo é partilhado (não há portas fechadas e os sonhos são contados no serão familiar), acompanhamos o jovem rapaz a quem vai ser atribuída uma profissão quase única naquela sociedade – a de receber o conhecimento de um ancião. Ao contrário de todos os restantes, o rapaz passa a ser o único que pode guardar segredos, podendo recusar-se a falar do seu treino peculiar. Até agora é uma leitura que me parece distópica, estando curiosa para saber como avança nos próximos livros (este livro é a compilação dos quatro volumes da série e estou no final do primeiro).

O último livro desta foto, Girls who slay monsters é uma leitura mais juvenil, mas que se enquadra no meu gosto por mitologias, neste caso por mitologia irlandesa. Este volume recupera as histórias em torno das deusas míticas, com os seus poderes e a sua bravura.

The Castle & The Cloister estava como aquisição prioritária na minha lista de desejos, pelo que fiquei bastante contente quando apareceu na subscrição da Goldsboro. Está descrito como sendo um livro de fantasia política que acompanha três diferentes personagens – uma princesa, uma ama de leite e um padre. Segundo as críticas, a história destaca-se pela componente política e daí o meu interesse específico neste volume.

Outro livro que já me tinha despertado interesse era o The Heart of the Nhaga, um lançamento sobejamente publicitado – até porque se trata de uma série de grande sucesso na Coreia, onde foi lançado em 2002, chegando a assumir o lugar de pilar máximo da fantasia épica sul-coreana, com comparações a Tolkien. Chega agora ao mercado anglosaxónico por um tradutor premiado, Anton Hur.

A história destaca-se por apresentar elementos baseados na mitologia coreana, desde gigante aviários aos reptilianos Nhaga. Em relação à narrativa, há vários comentários em como não se trata de uma leitura fácil de iniciar, com poucas introduções ou explicações, sendo que o autor coloca o leitor no fundo sem o descrever – algo que pode afastar alguns leitores do género.

O último livro deste trio, Mortedant’s Peril, centra-se num jovem que tem a ocupação que dá nome ao título – Mortedants. Estes Mortedants serão capazes de falar com os mortos e, apesar de não serem devidamente apreciados, são chamados quando há uma morte. Neste caso, a personagem principal, de elevadas capacidades, descobre uma conspiração perigosa que o arrastará, também a ele, para o perigo. Curiosamente, a premissa tinha-me parecido mais interessante antes de ler o The Witness of the dead de Katherinne Addison, onde a personagem principal também tem como função falar com os mortos. Provavelmente vou ter de espaçar a leitura entre os dois livros. Este Mortendant’s Peril aparece como aconselhado a quem gostou de Leigh Bardugo ou Adrian Tchaikovsky (dois autores bastante diferentes) pelo que espero que a forma como o tema é aproveitado seja bastante diferente.

Entre flores em chamas é o mais recente livro publicado em português pela Desrotina da autora Samantha Shannon. Este pequeno volume decorrerá no mesmo Universo que outros livros da autora, mais especificamente O Priorado da Laranjeira que já tive oportunidade de ler, ainda que sejam leitura independentes.

Coisas Ruins, de João Zamith, foi o mais recente premiado com o Ataegina. Trata-se de um competente livro de horror que usa elementos bastante portugueses para criar um ambiente pesado onde se sente o peso das ligações familiares, típico de algumas vilas, onde algumas famílias abastadas continuam a ter alguma influência. Que o inferno pareça aqui é o mais recente livro do autor – e ainda que o género não seja propriamente dos meus favoritos, gostei suficientemente do primeiro para experimentar o próximo.

The Master and Margarita de Mikhail Bulgakov é uma das minhas leituras favoritas de ficção especulativa, ainda que seja um dos livros mais estranhos e menos lineares que já li. Trata-se de um clássico caracterizado por episódios surreais e satíricos que deixa imagens fortes e mirabolantes na mente do leitor. Diabolíada, do mesmo autor, foi recentemente lançado em português pela Editorial Presença, uma tradução directa do russo. O volume contém a história que dá nome ao volume, bem como Ovos Fatídicos. O primeiro, e mais conhecido, destaca-se pelo humor negro e por suscitar a ira da crítica pró-soviética.