E eis a segunda parte das Escolhas do Ano – uma lista de melhores leituras apresentada durante o Fórum Fantástico!


A próxima sugestão é Sistemas em Estado Crítico de Martha Wells – trata-se de um lançamento insuspeito da Relógio d’água que se centra num andróide, com parte mecânica e parte orgânica, que, de alguma forma, foi capaz de hackear a sua ligação ao sistema central e desenvolver raciocínios mais privados. Este andróide passa os tempos mortos a ver séries televisivas, trabalhando numa calma expedição. Ou não assim tão calma, porque, de alguma forma, os sistemas estão a ser sabotados e este andróide terá um papel a desempenhar.
The Terraformers de Annalee Newitz debruça-se sobre um tema que sempre me fascinou na ficção científica – a terratransformação de um planeta. Ou, por outras palavras, a adaptação de um sistema de forma a ser capaz de suster vida humana. Claro que tal não ocorre de um dia para o outro, existindo técnicas complexas que se desenvolvem ao longo de vários séculos. A história decorre ao longo da transformação de um planeta, com três fases distintas, focadas em três personagens distintas.
A história ganha principal interesse porque a terratransformação estará a ser levada a cabo por poderosas empresas que tentam esmagar quem para elas trabalha, havendo uma luta, ao longo de séculos, para tentar impor direitos que seriam básicos. Destacam-se as diferentes formas de vida que são desenvolvidas, bem como as diferentes perspectivas que são exploradas.



Passando à banda desenhada, comecei por falar de duas histórias de banda desenhada no género da fantasia que, apesar de serem do mesmo autor, são bastante diferentes. Ambas usam os clichés do género de forma inusitada e inovadora, mas enquanto I Hate Fairyland opta por uma abordagem mais violenta e devastadora, Twig é uma demanda fofinha que justifica todas as demandas fantásticas.
A premissa do primeiro, I Hate Fairyland, é muito simples – Gertrudes, como tantas outras crianças, é escolhida para uma aventura na terra das fadas, dos doces e das coisas fofinhas. Mas, incapaz de interpretar mapas e seguir pistas, depois de muitos anos a tentar sair, frustra-se e resolve matar literalmente tudo à sua passagem para conseguir sair.
A terceira recomendação é, também, um livro leve, constituindo o primeiro de uma série que segue a premissa de tantas outras séries Mangá, onde um jovem se torna um herói destacado e, volume após volume, enfrenta-se monstros ou vilões cada vez maiores e mais poderosos. Neste caso, a série destaca-se pelas seguintes questões: a exploração tangencial de elementos políticos que vão tendo cada vez mais visibilidade, a particularidade dos poderes do herói, e o desenho.


Na linha das histórias que parecem fofinhas mas não são, The Promised Neverland é uma série que começa por nos mostrar o quotidiano fofinho e feliz num orfanato, onde as crianças alternam entre brincadeiras e um ensino particularmente exigente. Quem toma conta delas é uma figura maternal e complacente. Tudo parece perfeito. Até ao final do primeiro volume em que nos apercebemos, tal como algumas personagens, que não estamos a ver um orfanato, mas uma quinta onde as crianças serão servidas a monstros alienígenas.
Neste seguimento, temos também La Cuisine des Ogres, uma banda desenhada de visual fabuloso onde um jovem órfão que vive na rua tenta salvar os amigos que foram raptados para a cozinha dos Ogres. Aqui, presenciará (tal como nós) verdadeiros horrores, existindo vários ingredientes que são retratados de forma banal em cenários visuais atractivos, mas que, na verdade, reflectem pesadelos para as personagens.