The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction

Se bem repararam, o Rascunhos tem estado mais silencioso nestas últimas semanas. Tal redução de publicações deve-se ao surgir de um novo projecto que estou a coordenar conjuntamente com o Carlos Silva – o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction.

Ainda que apenas tenha sido lançado no passado Sábado, dia 11, é um projecto que fervilha desde que a sua necessidade se tornou evidente na Eurocon de Barcelona, há alguns anitos. É que, após apresentarmos vários livros, autores e iniciativas portuguesas, não tinhamos nenhum portal que pudesse dar continuidade ao interesse que se gerava pelo que é feito em Portugal.

É neste seguimento que surge, então, o portal – um esforço conjunto de mais de 20 pessoas que inclui associações e vários bloggers para divulgar tudo o que ocorre a nível nacional em várias vertentes – literatura, jogos de tabuleiro, banda desenhada, videojogos, rgp, cinema, música, teatro. E em língua inglesa para podermos dar maior visibilidade internacional!

O arranque de dia 11 trouxe artigos sobre videojogos, jogos de tabuleiro, livros (claro) e banda desenhada – mas já estão programados artigos sobre cinema, teatro, eventos e muito mais. Estamos abertos a contribuições, sugestões, ideias e muito mais – basta contactarem-nos pelo formulário que se encontra na página.

Anúncios

Ficção científica – algumas adaptações interessantes

A mais recente trilogia de Jeff Vandermeer (publicada em Portugal pela Saída de Emergência) foi adaptada para o cinema. Pelo menos o primeiro volume. Infelizmente, por decisão comercial não será vista nas salas e deverá ser distribuída para a Netflix. As expectativas para o filme são grandes, não só pela história, mas pelo elenco. Recordo que o primeiro volume, Aniquilação, possui uma história carregada de elementos estranhos e com alguns cenários baseados na visita do autor a Portugal (mais concretamente à Quinta da Regaleira).

Carbono alterado, publicado em Portugal também pela Saída de Emergência, é um livro movimentado que se encaixa no género Cyberpunk. Num futuro não muito distante, a sociedade é comandada por empresas poderosas que não se importam de exercer o seu poder contratando forças de elite. Nesta realidade a consciência das pessoas pode ser armazenada digitalmente, o que possibilita a utilização de novos corpos após o esgotar do primeiro. É, no entanto, uma possibilidade cara. O livro foi recentemente adaptado para série televisiva.

Electric Dreams é uma das mais recentes adaptações dos trabalhos de Philip K. Dick que, neste caso se baseia em vários contos do autor. A série está a ser lançada pela Amazon (EUA) e pelo Channel 4 (Reino Unido). As obras do autor estão a ser publicadas em Portugal pela Relógio d’Água.

 

Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

Dead like me

dead like me _2

De desenvolvimento linear e sem grandes complicações no enredo, Dead Like Me é daquelas séries que mostra como a simplicidade consegue funcionar bem para entregar diversão minimamente inteligente. Não esperem grandes reviravoltas ou cliffhanger’s, mas situações caricatas carregadas de ironia que são complementadas por alguns elementos cómicos.

A série começa com Georgia Lass, mais conhecida como George, a morrer quando a tampa de uma sanita de uma estação espacial entra na atmosfera e provoca um aparatoso acidente. Se esta cena parece o final, é na realidade um recomeço para a jovem que passa a desempenhar a função de anjo da morte.

dead like me _ 4

Integra, assim, uma pequena equipa de anjos da morte e, contra a sua vontade, é ensinada a retirar as almas dos que vão morrer, e a acompanhá-las na passagem para a luz. O que se encontra do outro lado os anjos da morte desconhecem, apenas sabem que a sua vez ainda não chegou e, como tal, devem cumprir esta tarefa durante algum tempo.

De aparência suficientemente diferente para não ser reconhecida, George adopta outro nome e volta a ser contratada pela mesma empresa pois um anjo da morte também tem de comer e também precisa de sítio para dormir. Apenas não deve voltar a contactar a família mas, claro, que a curiosidade é maior e não resiste a espiá-los.

dead like me_5

Sarcástica como a mãe, George consegue sair do papel típico de adolescente para, num distanciamento aparente, depositar tiradas de humor negro e cortante, sobretudo nas diversas situações em que as mortes se devem a cómicos acidentes. Há, literalmente, pianos a cair em cima de pessoas, camiões do lixo que esmagam barulhentas senhoras de cadeiras de rodas, bidões de água que provocam o afogamento de um trabalhador ou pranchas de surf voadores que atravessam a cabeça de alguém.

As mortes irónicas e inventivas sucedem-se a cada episódio. Mas não demasiadas, apenas as suficientes para justificar o trabalho dos anjos da  morte. Lentamente, a reacção de revolta de George dá lugar a uma aceitação do ciclo da vida do qual faz parte e há algum espaço para ir experimentando o que não pode em vida.

dead like me _3

Explorando, mas não em demasia, algumas questões em torno da religiosidade ou do que existe depois da  morte, consegue libertar-se da carga trágica pelos elementos cómicos que explora com ironia.

Serenity – Those left behind

IMG_3458

Firefly – uma das séries de culto de ficção científica que assim se tornou ao ser bloqueada numa fase bastante inicial, quando começava a revelar as aventuras que cumpriam as promessas derivadas do conjugação de um mundo interessante e diverso, com personagens suficientemente malucas, cómicas e divertidas, mesmo em momentos de grande tensão.

Julgo que terá sido esta a  fórmula que tentou copiar a série mais recente, Dark Matter, acrescentando mais detalhes de ficção científica (como clonagem e transmissão de consciência), mas sem o carisma das personagens de Firefly. E este ponto terá sido uma das características que mais destacou a série.

IMG_3484

Nathan Fillion (um dos actores principais, agora mais reconhecido pela personagem Castle na série de mesmo nome) é quem nos introduz esta banda desenhada, espelhando a sua paixão por banda desenhada na infância, paixão essa que terá criado um desejo de se tornar herói. É este sonho que terá sido parcialmente concretizado na série Firefly, e que, a meu ver, se transmitiu no carisma da personagem correspondente.

Infelizmente, a série foi cancelada ainda na fase de promessa semi-concretizada. Este cancelamento originou histórias paralelas em várias fanfiction, de admiradores insatisfeitos. Serenity, um filme lançado posteriormente, terá tido como objectivo fechar a série e responder, em parte, ao sentimento de frustração que a série terá deixado. De tom mais dramático, o filme deixou, mesmo assim, espaço para um conjunto de aventuras. É neste espaço que se enquadram as histórias da banda desenhada, também de Joss Whedon. Mas, apesar de interessante, pelo menos este volume, não me encheu as medidas.

IMG_3486

O que falta? Falta o lado mais descontraído e louco das personagens que tornava as aventuras mirabolantes e emocionantes, sem as carregar de tragicidade nas situações mais inusitadas. Detalhes que, vendo a introdução de Nathan Fillion, terão sido complementados pelos próprios actores. They were having fun. E com eles, nós também.

Reconhece-se a pitada de aventura louca, da desinibição, o pensamento de “nada a perder” de um mercenário que só pensa no lucro. Falta a densidade das personagens, faltam as expressões peculiares de loucura – e não só de Nathan Fillion, como também de Alan Tudyk (que mais tarde iria ser aproveitado para integrar a excepcional Dollhouse, também de Joss Whedon). Nota-se que houve um esforço para tentar passá-las para o papel, Mas… não me parece que tenha sido bem sucedido.

A banda desenhada parece ter sido construída para preencher parcamente o vazio que ficou entre a série e o filme – falta-lhe a mesma paixão, a mesma forte caracterização das personagens que tornava a série tão especial. Esta caracterização parece querer sobreviver com base no eco da série, faltando na banda desenhada a expressividade. Se os grandes planos, longe das personagens, são interessantes, nos planos mais próximos, não se capta o mesmo espírito aventureiro.

Fica a vontade de rever a série e de melhor recordar a loucura missionária.

Dark Matter – 1ª Temporada

 

dark matter

É comum nesta altura do ano aproveitar para ver séries de uma assentada. Este ano peguei na primeira temporada da Dark Matter. Série de ficção científica típica, com navezinhas no espaço, tem uma premissa simples que, por falhas de concretização, não está a ultrapassar a classificação de suficiente.

O contexto é comum a várias outras séries do estilo. Os seres humanos colonizaram dezenas de planetas e as corporações parecem ter grande poder em vários mundos, guerreando discretamente por maior poderio económico. Alguns mundos servem como bases comerciais enquanto outros parecem servir apenas propósitos laboratoriais – uma interpretação de planeta demasiado simplista.

É neste contexto que seis pessoas acordam, sem memórias, a bordo de uma nave em ruptura técnica. Rapidamente têm de agir e intervir nos sistemas para não sufocar. Ultrapassada esta crise, enfrentam-se. Sem recordações, desconfiam uns dos outros – até porque é fácil perceber que um dos seis terá sido o causador da perda das memórias. Sem nomes, começam a referir-se pela ordem pela qual acordaram: Um, Dois, etc.

dark matter 2

A acompanhá-los encontram, também, uma andróide que cuida dos sistemas da nave e que possui uma personalidade peculiar. Como qualquer elemento de inteligência artificial não capta indirectas ou trocadilhos, criando os usuais momentos cómicos – um cliché que funciona no limite e vai criando alguma empatia pela personagem.

É com a ajuda desta andróide que conseguem descobrir quem eram antes da perda de memória. Pelo menos alguns. Dos seis elementos humanos, cinco são famosos contrabandistas. O sexto, uma adolescente, é uma tripulante clandestina que cedo se percebe conter, inconscientemente, as memórias de todos os elementos, sem que perceba a quem pertencem e sem as conseguir recordar de forma controlada.

Pela própria natureza do negócio em que se encontram, não é de estranhar que comecem a receber propostas para arriscadas missões que desafiam a moralidade destes seres humanos que, agora sem memória, não têm exactamente um motivo consciente para permanecer na clandestinidade. Algumas traições e armadilhas vão diminuir esta resistência em aceitar as missões, e, consequentemente, dividir o grupo – até porque, sem memórias, existem várias questões por responder sobre lealdades e relacionamentos dentro do grupo. Questões são agravadas cada vez que descobrem novas informações descontextualizadas das suas vidas passadas.

dark matter raza

Com esta premissa até se poderia desenvolver uma boa série. O que está a falhar então? Muita coisa. A série, até agora, tem sido pouco mais do que uma exploração das relações conflituosas dos seis elementos. Apesar de aceitarem algumas missões, se não contarmos com os vídeos que receberam, as interacções com outras personagens rareiam e são unidimensionais. Principalmente nos primeiros episódios. Ainda, as interacções entre as personagens principais são insuficientes, tendo evoluído pouco após uma temporada inteira – é que para que a revelação de uma traição anterior tenha impacto, tem de existir algo para além de desconfiança.

Mas não são só as interacções que deixam muito a desejar. Os cenários escasseiam. Quase toda a acção decorre no interior da nave, e quase sempre envolve a paralisação da andróide, electrocutada. Já perdi a conta das vezes em que vi a boneca no chão. E os dados da nave? São problema constante e recorrente. Já compravam uma nova.

Então e o mundo onde decorre a história? A história imperial é revelada, mas demasiado lentamente. Depois de incidir principalmente sobre as interacções e as avarias na nave, percebemos que existem corporações enormes que tentam manter a imagem, utilizando equipas de mercenários para os projectos mais perigosos ou ilegais. Percebemos que existem terroristas que lutam contra o Império e percebemos que, nalgum dos mundos, o herdeiro do trono desapareceu depois de matar o pai.

Mas a série não possui só pontos negativos. Apesar da bipolaridade e inconsistência revelada por alguns dos elementos, metade são personagens interessantes com potencial para algo mais. Por outro lado, ainda que o início tenha sido lento, foram lançadas as sementes para três linhas narrativas que se podem tornar interessantes – mas que para serem desenvolvidas precisam de um aumento no elenco.

Do ponto de vista tecnológico temos seres humanos criados artificialmente com capacidades aumentadas, andróides com personalidade e clones que permitem viajar entre mundos sem que o corpo original saía do local. São pelo menos três componentes tecnológicas com grande potencial para histórias interessantes que, até agora, não têm sido aproveitadas.

Bang! N.º 19 – Não ficção

capa_bang19_FINAL.ai

Cada lançamento de um novo número da revista é uma celebração. De distribuição gratuita e impressão a cores, peca em formato apenas no grande tamanho da página que dificulta o transporte e a leitura em qualquer sítio que não seja a nossa casa. Mas passemos ao conteúdo. É de realçar o texto introdutório de George R. R. Martin à antologia recentemente publicada, Histórias de Aventureiros e Patifes, bem como o texto de João Seixas sobre Ray Bradbury. Encontramos, também, interessantes referências a Shirley Jackson e Lovecraft.

A revista inicia-se com uma introdução mais política de Safaa Dib, fruto dos tempos que ocorrem, relacionando esta temática com a ficção científica. A esta, segue-se o usual texto do editor Luís Corte Real sobre a colecção Bang! que auspicia boas novidades para os apreciadores de ficção científica: Annihilation de Jeff Vandermeer (Hooray), A Balada de Antel (vencedor do prémio Bang|) e a publicação de Terrarium de Luís Filipe Silva e João Barreiros numa nova edição revista. Ficou apenas a faltar a referência a uma data prevista para The Fifteen Lives of Harry August, livro que a editora chegou a anunciar o pré-lançamento para o retirar de imediato. Esperemos, então, um pouco mais.

Annihilation

Uma das mais belas e simples capas de Annihilation

Ainda que me entusiasmem mais os lançamentos de ficção científica, não é de esquecer os próximos de fantasia, com a antologia, já publicada entretanto, Histórias de Aventureiros e Patifes, organizada por George R. R. Martin; ou The Witcher de Andrej Sapkowski. A estas futuras publicações seguem-se sugestões de outras obras, como o The Martian, ou o Estação Onze (um excelente lançamento da Editorial Presença).

A Arquitecturas da loucura em que Jorge Palinhos fala um pouco de cinema de horror (bem a propósito do Halloween) segue-se um texto de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Metais pesados. Ocupando uma página disserta sobre o snobismo da literatura dita séria em comparação com a literatura de género, escondida e marginalizada. Uma discussão que dá pano para muitas mangas – até porque quem se esconde da FC são essencialmente leitores de best-sellers que do género pouco ou nada sabem. Esta temática será novamente vislumbrada no artigo de João Seixas, em enquadramento distinto.

mailis

A componente de não ficção continua com um bom artigo sobre Banda Desenhada por João Lameiras, sobre Simon du Fleuve, o herói da série de Claude Auclair, e com um artigo sobre cinema de horror de António Monteiro onde disserta sobretudo em torno do The Omen.

Todos adoram um patife é a próxima secção, o nome que foi dado para a transcrição do prefácio de Histórias de Aventureiros e Patifes, escrita por George R. R. Martin, um dos organizadores da antologia. Neste texto, George R. R. Martin aproveita para apresentar alguns bons vilões de cinema e de literatura que, decerto, farão o leitor procurar por alguns destes filmes e livros.

Apesar de não ser particularmente fã dos Iron Maiden (aprecio de algumas músicas, mas a globalidade da sua obra não corresponde aos meus gostos), achei interessante o artigo de Ricardo S. Amorim onde se destacam alguns dos temas literários integrados nos álbuns do grupo. Encontram-se assim referências tão variadas como Poe, Lovecraft ou C. S. Lewis, sobretudo de títulos de horror e ficção científica que terão sido aproveitados quer nas letras, quer nas capas.

rainha vermelha 2

Seguem-se várias críticas a um dos mais recentes lançamentos fantásticos da Saída de Emergência, Rainha Vermelha de Victoria Aveyard, uma entrevista à autora e exposição de alguns factos e personagens que permitem introduzir à obra, cuja premissa exposta me recordou A Trilogia do Mágico Negro de Trudi Canavan (publicada em Portugal há alguns anos).

O Mythos Lovecraftiano nos jogos narrativos de Pedro Lisboa, debruça-se sobre um dos mestres do horror para dissertar sobre a influência nos vários meios que nos rodeiam, dando especial realce aos RPG’s.

De seguida, destaca-se o longo artigo sobre Ray Bradbury de João Seixas, O Futuro é hoje: alimentando as chamas, destruindo o cânone. Como não gostar de um artigo que, expondo alguns factos da vida do escritor, está carregado de referências às suas obras mais emblemáticas?

Acacia_Vozes_da_Profecia_BP

Depois deste artigo, ponto algo da revista, os restantes surgem menos iluminados. O Trio Fantástico Carey, Durham e Hobb apresenta uma análise a três das sagas fantásticas que não me interessou o suficiente, o género de análise que possui variáveis como grau de paixão ou conflito que,  dissecando um pouco as séries, não é alto que goste de ler.

Figuras Clássicas do Terror traz-nos um conjunto interessante de ilustrações de monstros conhecidos, de diversos autores que referem um pouco sobre o método de criação da ilustração. Gostei particularmente do Olharapo e do Skeleton Army.

No final uma surpresa. A secção de Sugestões FNAC que já trouxe algumas referências insípidas, sugere agora Shirley Jackson, a autora de obras como Sempre vivemos no castelo ou The Lottery.

Em suma. Após 19 edições a Bang! continua de boa saúde e recomenda-se. Se considerarmos que a revista é gratuita, ainda mais. Notam-se novos nomes nos artigos, o que vai garantindo a introdução de novas ideias e conteúdos, mas nota-se, também, o aumento do conteúdo de propaganda às próprias obras da editora, Saída de Emergência. O que gostava que houvesse de diferente? Maior exposição do que se vai fazendo lá fora, e que quase não chega a Portugal.

His Dark Materials – Philip Pullman – Adaptação

pullman_his_dark_materials

Esta saga fantástica foi publicada em Portugal pela Editorial Presença com o título Mundos Paralelos, correspondendo aos três volumes Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e O Telescópio de Âmbar, constituindo, sem fazer favor nenhum, uma das melhores séries fantásticas que tive oportunide de ler. Apesar de se destinar a um público juvenil, pode ser lida por adultos sem as dificuldades usuais.

Esta série tinha sofrido já uma adaptação parcial para cinema, tendo a produção dos filmes seguintes sido suspensa. Tocando em assuntos como o poderio da Igreja Católica, consegue ser uma forte série fantástica com interpretações diferentes para crianças e adultos.

Felizmente, apesar de terem suspendido a produção dos restantes filmes, a BBC estará a adaptar a saga fantástica para série televisiva.

Série de links interessantes (2015-01-23)

brothers-grimm-wanderings-landscape-photography-kilian-schonberger-3

Kilian Schönberger – Fotos inspiradas nos contos dos Grimm

A compilação de links é encabeçada por um conjunto de fotos de Kilian Schonberger onde o fotógrafo se inspirou nos contos dos irmãos Grimm para nos trazer imagens  que poderiam muito bem ter sido palco das histórias. Entre imagens fantásticas como a de cima, encontram-se castelos sombrios que podem muito bem ser assombrados, florestas sombrias com imagens quase humanas sobressaindo de rochas e riachos invulgares onde parecem escorrer mágicos vapores.

Estão anunciados os finalistas para o prémio Philip K. Dick, entre os quais se encontra alguns livros que já me tinham despertado o interesse, como The Bullet Catcher’s Daughter de Rod Ducan ou Elysium de Jennifer Marie Brissett:

A computer program etched into the atmosphere has a story to tell, the story of two people, of a city lost to chaos, of survival and love. The program’s data, however, has been corrupted. As the novel’s characters struggle to survive apocalypse, they are sustained and challenged by the demands of love in a shattered world both haunted and dangerous.

Artigos

Guy Gavriel Kay and the Intimate Historial Epic – apesar de ter lido poucos livros do autor (talvez pela densidade das histórias), o pouco que li tornou-o num dos meus autores favoritos, esperando sempre reservar alguns momentos para ler algo mais. Este artigo debruça-se principalmente em três livros que decorrem em mundos bastante semelhantes ao nosso, onde se transfigura um pouco a história;

Alternate Pasts: International Uchronia – em Worlds Without Bords pretende-se promover literatura de diversos países. Para além de ficção gratuita encontramos artigos interessantes. Esta edição de Janeiro é dedicada a histórias divergentes, contendo histórias de autores de diversas nacionalidades: Suécia, França, México, Argentina, Perú, Chile ou Brasil (com Gerson Lodi-Ribeiro a centrar-se no rei D. Luís II);

–  Spectrum 21: The Best in Contemporary Fantastic Art – com mudança de editores, a Spectrum tem mais um volume onde nos apresenta as melhores imagens de arte fantásticas, algumas simplesmente surreais, outras alusivas a histórias de ficção científica ou de fantástico;

patrick-commecy-19[6]

Arte na rua em fachadas anteriormente monótomas, de Patrick Commecy

Fake Facades: Patrick Commecy’s Clever Street Art – e porque o fantástico não se resume a livros, séries ou arte impressa e pode andar na rua, eis um artigo sobre as fachadas pintadas de vários prédios onde se mostra um dia-a-dia mais pitoresco do que a realidade, emprestando ao dia-a-dia um pouco de alegria;

Gorgeous Alien Posters send its 35th Anniversary out in Style – com Alien a fazer 35 anos criaram-se três séries de Posters modernos e alusivos aos filme. O artigo possui alguns dos mais espectaculares, mas podem explorar um pouco mais e visualizar os restantes;

Africa, Uncolonized: a Detailed Look at an Alternate Continente – partindo do pressuposto de que a Peste Negra teria morto a maioria dos europeus, sucedem-se vários mapas representando uma história alternativa acompanhando um artigo das consequências derivadas;

Ten fiction books by African authors that you should pick up now for your holiday – uma lista de 10 livros de autores africanos que promete. Entre eles encontramos Lagoon de Nnedi Okorafor (a autora de Who Fears Death, um livro fantástico premiado com o World Fantasy Award e nomeado para o Nebula).

Mais links interessantes no Scoop.

TV: Fandemónio

fandemonio

Com este post descobri que não tinha nenhuma categoria de TV. Eis. Neste caso o post não é sobre um canal qualquer, mas um canal online, Odivelas TV, e mais concretamente sobre um programa de TV dedicado à banda desenhada, desenhos animados, jogos, cinema, música e séries de TV – Fandemónio.

O Fandemónio (com página própria) irá estrear já esta sexta (12 de Dezembro) e terá periodicidade semanal prevendo-se entrevistas a autores de bd, ilustradores, escritores, entre outros. Já estão produzidos 3 programas com as temáticas: Publicações e Edições Alternativas, Amadora BD, Lisboa Games Week. Estão a ser terminados programas dedicados ao Fórum Fantástico 2014 e à Comic Con Portugal.