As melhores Leituras de 2020

A lista de leituras efectuadas durante 2020 encontra-se no Goodreads.

Não Ficção

Entre histórias da ficção científica e outras leituras não ficcionais, destaca-se este livro de Manguel, Uma História da Leitura que nos apresenta factos históricos cruzando-os com curiosidades e deambulações do próprio autor. É uma boa leitura, sem os formalismos esperados de um livro que se entitula história de alguma coisa, mas com factos fascinantes.

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Ficção Científica

Rosa Montero criou uma série de ficção científica com óbvias homenagens a Blade Runner de Philip K. Dick. A narrativa centra-se numa replicante de combate que, após o serviço militar, integrou a sociedade humana como detective. Bruna, a replicante, tem os dias contados – a sua vida expira após um prazo pré-determinado. Enquanto tenta viver os restantes dias ao lado de quem gosta, aproveitando, ao máximo cada momento, o seu amante é raptado.

Os Tempos do Ódio é o terceiro livro de Rosa Montero neste Universo com Bruna como personagem principal. Para além dos variados elementos de ficção científica, a narrativa centra-se sempre nalgum mistério a resolver com Bruna como detective. Esta vertente permite dar velocidade e foco à narrativa, enquanto se exploram, paralelamente, várias questões sociais, aproveitando a realidade dos replicantes. Uma leitura excelente!

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Na segunda leitura escolhida, The Test de Sylvain Neuvel somos confrontados com uma leitura futurista que nos leva ao Reino Unido de fronteiras quase fechadas. Os migrantes, por forma a entrarem no país devem comprovar que possuem competências, independentemente do seu perfil académico. Mas o teste de conhecimentos revela-se mais um teste de perfil psicológico que leva os proponentes numa viagem traumática.

Este The Test é um livro pequeno mas poderoso, que levanta várias questões éticas e tece uma forte crítica à forma como são recebidos os migrantes, bem como os critérios que são usados para a sua selecção.

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Em The Pricking of her thumb, de Adam Roberts, o autor pega em elementos clássicos das histórias de detective (com uma menção óbvia a Agatha Christie / Shakespeare no título) para criar mistérios em sociedades futuristas e distópicas. Na sociedade criada por Adam Roberts, a consciência dos humanos passa a existir num plano digital e não físico, sendo que a maioria das pessoas apenas deixa os seus corpos no mundo real.

A personagem principal, Alma é uma detective famosa no mundo digital. Apesar das óbvias vantagens do mundo digital, Alma não pretende efectuar esta mudança – não só por questões ideológicas, mas porque a sua namorada não pode existir noutra realidade, apresentando problemas que obrigam Alma a estar administrar tratamentos com grande frequência.

Adam Roberts nem sempre é o mais fabuloso dos autores. Costuma ter boas ideias, mas nem sempre estas se concretizam de forma adequada. No entanto, nesta série, acertou em cheio – bom ritmo, intriga, referências a clássicos como Hitchcock ou Kubrick! Tudo num mundo futurista, decadente e controlado por grandes corporações.

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Fantasia

Este ano as leituras de fantasia não foram muitas, mas destacam-se dois livros, um de autor português e outro de autora brasileira.

A Última Vida de Sir David é capaz de ser das melhores leituras de fantasia dos últimos anos: contém uma forte construção de mundo, desenvolve personagens e apresenta uma demanda com as devidas ramificações narrativas para não se transformar linear. Posto isto, não é uma leitura que se inicie facilmente, apresentando-se densa – mas o investimento compensa.

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Por sua vez, o Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados é, também, uma leitura com uma forte construção de mundo que se apresenta pouco linear em tempo em espaço, saltitando entre personagens e locais distintos. Este Atlas é, sobretudo, um puzzle narrativo que se vai centrando em diferentes realidades, consoante a personagem, mas retornando sempre a um espaço âncora, onde todas as personagens se cruzam.

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Colectâneas e antologias

A Cidade de Vapor apresenta uma série de pequenas histórias que decorrem no mesmo universo fantástico da tetratologia O Cemitério dos Livros Esquecidos. Algumas destas histórias centram-se nas personagens que já conhecemos, outras em novas personagens interligadas com o enredo principal, na cidade de Barcelona ou no próprio cemitério. Tal como na tetratologia, encontramos alguns elementos de realismo mágico.

Alguns contos são histórias completas, enquanto outras são episódicas, detalhando alguma interacção entre personagens que já conhecemos. Mas todas revelam o espírito narrativo que já conhecemos, evocando recordações fabulosas – é sem dúvida uma boa leitura para quem gostou de O Cemitério dos Livros Esquecidos.

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A Máquina Pára e Outros Contos começa com a história que dá nome ao conjunto – uma pesada e poderosa distopia que apresenta os humanos sem objectivos, a definhar psicológica e fisicamente. Nesta realidade cada ser humano vive no seu próprio cubículo, sem a luz do sol, e dependendo da máquina para toda a sua sobrevivência. Nada de novo surge, apenas derivações de coisas que já existem. Mas até a máquina, extensa e infalível, se deteriora.

O conto inicial vale a leitura de todo o volume. As restantes histórias afastam-se deste sentimento inicial, com elementos de horror ou de fantasia, mas nunca atingido o assombro inicial. De destacar que o primeiro conto foi escrito há mais de 100 anos e que permanece uma leitura actual e recomendável.

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A Antologia de Ficção Especulativa Queer reúne, como o nome indica, uma série de histórias de ficção especulativa envolvendo personagens Queer. O que se destaca é que as histórias se centram, sobretudo em pessoas e nos seus conflitos únicos, enquadrando essas personagens em cenários de ficção científica ou de fantástica. Sendo uma antologia existem contos para todos os gostos, mas destacam-se algumas histórias fabulosas deste conjunto: Miram, de Joana Eça de Queiroz, O Sabor do Lepton de Nuno Miranda Ribeiro, ou Contenção de Custos de Inês Montenegro (um raro cruzamento de narrativa cómica com fantasia que funciona bem em termos narrativos).

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