As melhores leituras de 2018

Este ano fiquei-me por cerca de 220 leituras (em oposição às 270 do ano passado) em que  cerca de 3/4 são de banda desenhada. Deste um quarto, eis quais as melhores leituras – para a banda desenhada hei-de fazer um best of próprio (lista de livros lidos).

Obras portuguesas

Melhor colectânea – Os Monociclistas / Seis Drones – António Ladeira

 

 

 

 

 

 

 

Neste caso não é uma, mas duas, do mesmo autor e semelhantes em forma. As duas colectãneas reúnem histórias distópicas e futuristas onde o autor usa a projecção de exageros tecnológicos para construir sátiras de ficção científica onde se analisa a sociedade actual e os seus possíveis desenvolvimentos. Nalguns contos a segurança é uma obsessão justificando câmaras de vigilância e métodos de interrogação bastante agressivos, noutros desenvolvem-se tecnologias ao seu extremo, seja por comodidade, seja por vantagem económica. São dois bons conjuntos de histórias, bem construídos e inteligentes que nos fazem pensar nos caminhos que a sociedade actual deve evitar para o futuro.

Comentário mais detalhado aos livros:

Colectâneas – Menções honrosas

Tudo isto existe – João Ventura

Este ano foi bom em colectâneas. A prová-lo temos, também, esta de João Ventura, um conjunto extraordinário de histórias carregadas de imaginação. Algumas pegam em elementos triviais do quotidiano e apresentam-nos sob uma nova luz, jogando com palavras e conceitos e dando vida ao inimaginável. São, na sua maioria, histórias curtas de composição elegante que usam o mínimo de palavras, numa optimização refrescante que obrigam a que se esteja atento a cada passagem.

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Melhor antologia – Lisboa Oculta – Guia Turístico

Esta antologia já anda a ser falada há algum tempo mas viu finalmente a luz do dia em 2018. Apresentando vários locais de Lisboa sob uma luz fantástica, Lisboa Oculta reúne histórias de vários autores numa edição bilingue que se destaca, não só pela qualidade das histórias, mas também pela composição gráfica em que cada conto possui elementos visuais apropriados.

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Menção honrosaComandante Serralves – Expansão

Não é segredo que gostei bastante da primeira antologia Serralves pelos elementos lusitanos que encontramos. Se tinha achado que o primeiro volume não era constante em qualidade, neste segundo as histórias são todas boas e apresentam aspectos diferentes desta realidade futura em que um Império pretende eliminar as diferenças culturais como forma de unir a humanidade contra um inimigo comum. Neste seguimento, existe, claro, um grupo de resistentes com elementos bem portugueses – a nave da resistência chama-se Maria e os seus tripulantes são desenrascados!

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Melhor obra de ficção científica – Crazy Equóides – João Barreiros

Escrito para uma antologia erótica de ficção científica e fantástico que não foi publicada, Crazy Equóides consegue a proeza de usar a sexualidade como premissa sem resvalar para caminhos demasiado obscuros, apresentando uma das suas habituais histórias duras, carregadas de máximo prejuízo, sem perder a coerência narrativa e contendo pequenas reviravoltas que nos mantém interessados. É um livro obrigatório para quem gosta de ficção científica, mas que pode ser mal recebido por pessoas mais sensíveis.

Melhor obra de fantasia – Dormir com Lisboa – Fausta Cardoso Pereira

Publicado no seguimento do prémio Antón Risco, Dormir com Lisboa começa com várias pessoas a desaparecerem por entre efémeros buracos no chão da cidade. Rapidamente desaparecidas sem deixar rasto, levam ao pânico da população e das autoridades que se reúnem para tentar controlar a catástrofe que não parece mostrar padrão ou intenções de parar. Em Dormir com Lisboa a cidade é a protagonista, o elemento que faz mover o enredo, o palco da história, a personagem que se expressa de formas misteriosas nem sempre perceptíveis pelos seus habitantes – a personagem que tem várias faces e se mostra sob diferentes perspectivas, tantas quantas a sua história e diversidade cultural lhe permitem.

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Melhor Conto – O Farol Intergaláctico – João Pedro Oliveira

Não podia fechar este apanhado de melhores leituras de autores portugueses sem referir este conto publicado pela colecção Barbante. Publicado neste pequeno formato, apresenta um jovem que, tendo viajado pelas estrelas umas semanas, visita um amigo e encontra-o velhote mostrando a relatividade provocada pelas viagens intergalácticas. O tema não é novo, mas é tratado de forma envolvente provocando uma certa nostalgia no leitor.

Obras de autores estrangeiros

Melhor colectânea – O corpo dela e outras partes – Carmen Maria Machado

O corpo dela e outras partes de Carmen Maria Machado reúne várias histórias com elementos de ficção especulativa (horror, ficção científica e fantástico) mas o que surpreende é a forma como entrelaça a sexualidade das suas personagens. Encontramos heterossexuais, homossexuais ou bissexuais em semelhante proporção, em contextos quase banais, sendo que o que se distingue do banal são os elementos fantásticos. O resultado constitui uma abordagem interessante à diversidade dentro do género, construindo boas histórias independentemente desta componente.

Menção honrosa – How to fracture a fairy tale – Jane Yolen

Jane Yolen não é nova nestas andanças de refazer contos de fadas e nesta colectânea reúne o resultado de vários contos refeitos – ora para apresentarem uma perspectiva de uma personagem pouco usual (como a de uma ponte que serve de abrigo a um troll), ora para fazer o leitor se questionar sobre o motivo pelo qual um príncipe quereria beijar uma princesa morta num caixão de vidro.

Melhor antologia – Fungi

Comecei a ler esta antologia em formato digital há uns anos, mas só recentemente, com a aquisição do volume físico é que terminei a leitura. A antologia não tem uma qualidade constante, até porque parece ter-se preocupado mais em apresentar vários formatos diferentes de história (alguns deles experimentais) do que em apresentar boas narrativas, mas possui excelentes contos, como o de Jeff Vandermeer (que decorre na realidade de Ambergris), ou o de Jane Hertenstein com cogumelos que representam um estilo de vida, ou o de Molly Tanzer e Jesse Bullington onde se constrói um mundo felino marcado por uma praga provocado por fungos.

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Melhor obra de ficção científica – Amatka – Karin Tidbeck

Amatka destacou-se pela forma como usa a sua premissa peculiar para apresentar uma distopia de leitura perturbadora. Em Amatka nada é realmente o que parece, sendo que é necessário recordar, todos os dias, os objectos, do que eles são, num processo chamado marcação. E nada de errar na descrição, ou o objecto pode transformar-se noutra coisas qualquer. Não é, assim, de estranhar, que a sanidade mental dos habitantes deste mundo esteja por um fio, sendo mantida por uma série de procedimentos obrigatórios, dos quais fazem parte a denúncia de alguém que não marque bem os objectos pelos quais é responsável.

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Menção honrosa – Os humanos – Matt Haig

Os Humanos é uma obra cómica que usa a presença de um alienígena entre humanos para tecer uma série de piadas sobre a nossa sociedade e a forma como nos relacionamos. Não pretendendo ser séria, consegue ter vários episódios e tiradas que nos fazem pensar nos motivos para agirmos como agimos.

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Melhor obra de horror – A maldição de Hill House – Shirley Jackson

Não é a minha obra favorita de Shirley Jackson, quando comparada com Sempre vivemos no castelo ou The Lottery mas é uma excelente leitura por conseguir transmitir grande urgência e suspense sem apresentar elementos explícitos de terror. É sim, uma história que questiona as capacidades psicológicas e emocionais das personagens e que joga com a percepção do leitor.

Melhor obra de fantasia – The tangled lands – Paolo Bacigalupi e Tobias S. Buckell

Este ano não tive grande oportunidade para ler muitos livros de fantasia, mas este destaca-se pela forma como usa a magia. Sim, neste mundo a magia existe e pode ser usada para múltiplos fins. Mas o seu uso tem consequências – o crescimento de uma espécie de erva daninha que adormece e mata os humanos em que toca. O crescimento desta erva é de tal forma forte que destrói cidades inteiras e origina refugiados. Partindo desta premissa os dois autores tecem quatro bons episódios que se passam neste mundo.

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Melhor conto – The Martian in the Wood – Stephen Baxter

Este conto aproveita a realidade criada em A Guerra dos Mundos para apresentar uma história que decorre algum tempo após o desaparecimento de várias pessoas. Neste contexto uma rapariga volta à casa dos pais desaparecidos, encontrando um irmão semi ausente que prefere explorar a floresta – uma floresta onde ocorrem estranhos fenómenos, e em torno da qual começam a aparecer animais mortos pendurados nos ramos das árvores. Um dia, a rapariga decide perseguir o irmão e encontra uma comunidade de hominídeos que dificilmente consegue explicar.

O fecho do ano de 2018

O Rascunhos em 2018

A ficção especulativa em Portugal

Melhores leituras de outros anos

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2010

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2006

 

 

Um pensamento sobre “As melhores leituras de 2018

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