Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

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A Biblioteca à noite – Alberto Manguel

Livros sobre livros. E que tal livros sobre bibliotecas? Partindo da sua própria biblioteca que está albergada num local com uma fascinante história própria, Alberto Manguel discorre sobre várias bibliotecas, seja do ponto de vista de conteúdo, organização ou democratização.

Claro que não é possível falar de bibliotecas sem falar das desaparecidas e míticas, como a de Alexandria. Mas como esta, existem outras, reunidas em determinados locais para simplesmente serem extintas, de repente, por algum conservador de ideias que vê, nos livros, uma afronta e um perigo.

Utilizadas para manipulação política (o autor descreve casos em que a disponibilização ou maior destaque foi dado a determinadas publicações), como estrutura diferenciadora de classes (numa altura em que o acesso a livros poderia aprofundar diferenças culturais) ou como monumento de prestígio (que homens ricos deixavam não porque valorizassem a cultura, mas porque desejavam ter o seu nome realçado) as bibliotecas, com os respectivos livros, têm marcado culturas e gerações.

Organizadas de determinadas formas (alguns métodos convertem-se em autênticas dores de cabeça), mantendo, por vezes, a nomenclatura dos donos originais, as bibliotecas privadas reflectem os seus donos, pela diversidade e composição das obras, e representam fisicamente associações de ideias:

Os nossos livros decorrem de outros livros, que os mudam ou enriquecem, que lhes atribuem uma cronologia diferente da dos dicionários literários.

A Biblioteca à noite, publicado em Portugal pela Tinta da China é uma leitura fascinante para quem gosta de livros e bibliotecas – carregado de curiosidades e sem se conter em fazer observações políticas e históricas sobre o acesso à cultura. Cruzando diferenças culturais e históricas com a actualidade ocidental, realça o mistério da biblioteca à noite, obscura, carregando todas as possibilidades e todos os livros, os lidos e os não lidos.

Eventos: Sci-FI LX

Robots, viagens no espaço, impressões 3D ! Um evento para qualquer geek digno desse nome – É já este fim-de-semana que decorre o maior evento em Portugal dedicado exclusivamente à ficção científica, seja sob a forma cinematográfica, sejam palestras e workshops sobre os mais diversos (e futurísticos) temas.

Contando com um espaço comercial (onde encontramos a Bookshop Bivar, a Kingpin Books, e a Imaginauta, entre outros) e exposições (sobretudo de banda desenhada) vamos ter, também oportunidade de assistir a um duelo steampunk ou a impressões 3D.

a vida oculta

Para visualizarem todas as actividades inerentes ao Sci-fi LX podem consultar a página oficial, enquanto que aqui irei falar daquelas que me despertam mais interesse. Entre elas estão, claro, as exposições de banda desenhada, com especial destaque para Carlos Pedro, Miguel Montenegro, Ricardo Venâncio ou H-alt. De realçar que estes autores estarão num painel a decorrer pelas 19h00 de Sábado e que decorrerá uma sessão de autógrafos de A Vida Oculta de Fernando Pessoa com André Morgado.

mensageiros

Entre a apresentação do Projecto Mensageiros das Estrelas (que tem trazido alguns autores de ficção científica a Portugal como Geoff Ryman) , encontramos palestras sobre Viagens no tempo (a necessidade de viver além do presente), a ficção científica em videojogos, FC em Universo Transnacional (com destaque para a presença de Luís Filipe Silva e Teresa Botelho) e zombies.

TIC

Para actividades mais interactivas temos Impressões em 3D (TIC em 3D) durante os dois dias, crochet (nada como um Yoda de crochet), pintura, duelos, jogos de tabuleiro, cosplay ou torneios de robots.

Claro que não falei de muita coisa, apenas das que mais me interessavam. Há vários eventos temporalmente sobrepostos pelo que se não vos interessar algo em particular podem aproveitar a restante programação nos outros espaços do evento.

Ciência Religiosa ?

Alguns anos atrás, surgiu uma horrenda teoria no seio do Mundo Científico que pretendia vergar a Ciência sob o jugo da Religião – O Intelligent Design. Partindo da complexidade de alguns mecanismos naturais, da padronização e da incapacidade de explicar certos fenómenos, alguns cientistas (?) começaram a referir-se a uma entidade superior que teria criado o Universo. 

Com a proibição da Teoria da Evolução nalguns Estados dos EUA, por se considerar ir contra os princípios religiosos, o Intelligent Design ganhou força embora não seja verdadeiramente uma teoria científica.

Crenças são crenças, cada um tem as suas e isso é dentro do domínio pessoal da cada um. Mas o que acho cómico é a necessidade de se retirarem teorias científicas do currículo científico escolar. Que tal deixar cada um no seu campo apropriado? Bíblia e religião em aulas de Religião e Moral (ou o equivalente noutra parte do globo), e teorias científicas em aulas de Ciência.

Ainda que para alguns a Teoria da Evolução seja apenas uma teoria qualquer, a verdade é que a sua consideração reflecte-se em muito na actual visão de tudo o que nos rodeia. Com a sua retirada do currículo escolar, e introdução da Intelligent Design formam-se futuros cientistas que são incapazes de entender a diferença entre uma teoria científica, uma pseudo-científica e uma crença religiosa. Como pseudo-científica considero o Intelligent Design, pois além de descabida, não pode ser provada, mas também não completamente contestada, por sair dos domínios da Ciência propriamente dita.

Mas ainda que entenda afirmações ridículos dos paizinhos americanos incultos, afirmações destas que partem de professores de ciência parecem-me muito mais graves (NYTimes )

The chairman of the school board, Dr. Steve Abrams, a veterinarian, is not merely a strict creationist. He has openly stated that he believes that God created the universe 6,500 years ago, although he was quoted in The New York Times this month as saying that his personal faith “doesn’t have anything to do with science.” (…)

However, the age of the earth, and the universe, is no more a matter of religious faith than is the question of whether or not the earth is flat.

Mas não é so a Teoria da Evolução que é implicada… Já que é Criacionismo, porque não retirar do currículo escolar, alternativas à criação do Universo?

In a 1999 debate about the removal of evolution and the Big Bang from science standards, Mr. Bacon said he was baffled about the objections of scientists. “I can’t understand what they’re squealing about,” he is quoted as saying. “I wasn’t here, and neither were they.”

Será só a mim que esta frase diz tudo sobre a mente de Mr. Bacon? Será que o conhecimento se deve restringir ao tempo de existência dos seres humanos ?

Falta acreditar que a tecnologia cai do céu, ou que os remédios são milagres perpetuados pelos Santos… O que parece que algumas pessoas não entendem é que os avanços científicos actuais se devem à ciência, a algumas teorias contrárias ou alternativas ao Criacionismo. Também acho engraçado as pessoas acharem que a contradição de “A Terra é plana”  pode afectar a sua fé em Deus ou a sua religião.

Será que daqui a algumas décadas se vão queimar cientistas nalguns estados americanos? Porque parece que pouco falta …

3 novos vizinhos

Segundo uma noticia no DN o nosso sistema solar passará a ser composto por 12 planetas

A revolução pode estar próxima. Milhões de manuais escolares e enciclopédias estão a um passo de se tornarem obsoletos.

Mas o mais engraçado na notícia é que não, não se descobriram novos corpos a circular em torno do Sol. Os 3 novos planetas derivam somente de uma possível modificação do conceito de Planeta, que tem mantido acesa uma discussão no meio. Inicialmente tudo se deve à inclusão de Plutão entre os planetas do nosso sistema, um erro segundo alguns cientistas, devido ao seu diminuto tamanho.

Ainda de realçar a frase cómica sobre os nossos manuais escolares, que parece um tanto ou quanto fora do contexto da notícia. Além disso, eles não se vão tornar obsoletos… eles já o são. Por exemplo, em termos de biologia, chegam a ter atrasos de 20 anos em relação às descobertas actuais… Ensinam-se nomes errados, factos errados, e teorias erradas… Depois disto, preocupam-se com a inclusão de 3 planetas… :S

Educação? Onde?

Não, não me estou a referir à má-educação vigente no dia-a-dia e cada vez mais comum… estou mesmo a referiri à educação (ou falta dela) nas escolas.

Estamos na época do facilitismo – ai ai que as criancinhas não entendem linguagem complicada, ai ai que isto lhes cansa a cabecinha, ai ai que isto é pouco pedagógico.

E os resultados estão à vista. Jovens com 14/15 anos que não leem – gaguejam; e para os quais os mais simples textos estão cobertos de palavras difíceis. Crianças saídas da primária que não somam sem calculadora, ou sem utilizar os dedos.

Depois verifica-se que em vez de tentar elevar a capacidade cognitiva dos alunos, ou o conhecimento , baixam-se os padrões e o nível dos objectivos.

A culpa é … da matéria, que não é divertida. Não, não o critério não é a matéria ser interessante, ou que os professores tentem criar alguma empatia e interesse, não. O problema é que a matéria não é divertida. Sim, porque na vida tudo é uma brincadeira, vai-se a escola para brincar, trabalha-se porque é divertido… 

Atribuída a culpa, procura-se uma solução… se não sabem escrever e têm dificuldades em aprender… bem… ao menos cruzes devem conseguir por??? (Um dia destes se calhar nem isso)