Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

Assim foi: Portugal na Eurocon

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Imagem retirada da página oficial do CCCB

Se tivesse que me mudar para outra cidade europeia decerto mudaria para Barcelona – ruas lindíssimas rodeadas por montes e mar, população de etnia variada e, claro, um sem fim de livrarias enormes, algumas especializadas, outras genéricas, quase todas com obras em vários idiomas (até em português). Saber que a próxima Eurocon seria em Barcelona foi um elemento decisivo para planear uma viagem com dois anos de antecedência. Sim, dois anos. Leram bem.

Para quem não sabe o que é a Eurocon, é uma convenção de ficção científica a nível Europeu que se centra em livros. A convenção decorre todos os anos num local diferente decidido por votação. Para a Eurocon de Barcelona foram anunciados alguns dos autores mais relevantes na ficção científica europeia, como Aliette de Bodard, Johanna Sinisalo, Andrzej Sapkowski, Albert Sánchez Piñol ou Richard Morgan (que esteve em Portugal há uns anos, para o Fórum Fantástico).

Apesar de não ter participado nos anos anteriores, pareceu-me que, devido à proximidade (Barcelona é já ali ao lado), a Eurocon de 2016 se diferenciou por uma forte presença lusa, havendo, para além de uma consistente participação do Luís Filipe Silva em vários painéis, uma banca com divulgação da Ficção Científica em Portugal, obra de André Silva, Tomás Agostinho, Carlos Silva e Pedro Cipriano.

Painéis com participação portuguesa

Atrás han quedado los días de gloria del Imperio – Luís Filipe Silva

SFF in Portugal Nowadays – Luís Filipe Silva, Carlos Silva e eu

Dédalo – Tomás Agostinho

Is there a Southern European SF? – Luís Filipe Silva (e outros autores)

How to promote Euro SF – Luís Filipe Silva (e outros autores)

Atrás han quedado los diás del gloria del Imperio

Não pude assistir a esta mas, felizmente, há gravação.

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Retirado do Twitter oficial da Eurocon

SFF in Portugal Nowadays

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Pati Manning

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Pati Manning

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Pati Manning

Ainda que a sessão tenha decorrido no edifício Pati Manning (lindíssimo, mas menos central no circuito da Eurocon) tivemos direito a público e a gravação (não oficial). Por enquanto aqui ficam os slides apresentados, realçando-se que foi, também, referido António de Macedo tanto pelos filmes que produziu, como pelos livros que tem escrito. Muito ficou por falar e por destacar mas, infelizmente, não havia espaço para tudo.

Is there a Southern European SF?

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Com moderação de Luís Filipe Silva, esta mesa reuniu Anders Bellis, Arrate Hidalgo, Francesco Verso e Claude Lalumiére numa conversa que deu especial destaque à proximidade Mediterrânica e onde Claude Lalumiére, de origem canadiana, falou das mudanças que a sua própria escrita sofreu com a proximidade ao mar. Esta sessão foi gravada:

How to promote Euro SF

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Sessão mais movimentada, marcada por opiniões mais vincadas, em que se destacou o papel dos prémios nacionais para promover a obra de ficção científica em cada um dos países europeus.

Outras presenças portuguesas

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Sci-fi LX a marcar presença na Eurocon com uma banca em que divulgaram vários projectos portugueses

O Sci-Fi Lx, representado por André Silva, Carlos Silva e Tomás Agostinho marcou espaço com uma banca em que apresentou, não só os projectos que lhe estão directamente relacionados, como outros, portugueses, sendo que a disposição do material era dinâmica, modificada ao longo do dia para ir destacando os vários produtos e ideias. Muitas foram as pessoas que pararam, de diferentes nacionalidades e interesses para saber mais sobre o que se faz neste quadrado à beira mar plantado e a boa disposição dos intervenientes rapidamente se tornou contagiante!

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

O Souvenir Book é um livro de 160 páginas que contém artigos relacionados com a ficção científica europeia. Entre estes artigos encontramos quatro páginas da autoria de Luís Filipe Silva em que se fala da história da ficção científica portuguesa.

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À esquerda Zine produzida durante o evento (http://edm-online.de / http://Hansecon.blogspot.com) e à direita um dos postais distribuídos a todos os participantes com a publicidade à Fénix.

E quase que me esquecia, eis os nomeados portugueses para as várias categorias dos prémios ESFS (na página da Locus podem consultar os vencedores):

  • Best author – João Barreiros
  • Best magazine – Bang!
  • Best artist – Edgar Ascensão
  • Best fanzine – H-Alt
  • Best website – Bibliowiki

E o Encouragement Award português vai para… Rui Ramos!

Por último e, ainda que não esteja bem relacionado com a Eurocon, foi engraçado andar a passear por ruas escuras da zona gótica e descobrir livros portugueses numa montra minúscula !

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Últimas aquisições – Fórum fantástico 2014

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Todos os anos, no seguimento do Fórum Fantástico compro alguns livros, ou para o evento, ou no evento. Para o evento, por conta da vinda de Rhys Hughes, encomendei três livros do autor: Mister Gum, Captains Stupendous (um dos mais recentes, e dedicado s Safaa Dib) e The Gloomy Seahorse. E já estão os três assinados!

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E, claro, não podiam faltar as antologias de autores portugueses, alguns dos quais também no evento, e dos quais aproveitei também para pedir um autógrafo, Serralves, Almanaque Steampunk 2013 e Por Mundos Divergentes. Apenas o Almanaque foi adquirido no evento, os outros dois foram aquisições anteriores. Já agora aproveito para deixar, também, a opinião ao Serralves.

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E finalmente, as BD’s, essas adquiridas no evento:

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E existem ainda, os livros que não foram adquiridos em redor do evento, mas que acabaram por ser referidas, ou elemento central de algum painel:

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O Dicionário de Lugares Imaginários foi o vencedor do Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Estrangeira, Podem ver algumas das belíssimas páginas por aqui. Segue-se Gostamos tanto da Glenda, de Cortázar, o autor chave do Fórum Fantástico deste ano onde, para além da exposição de fotografia (e respectivo concurso Cortazar Frames) se fizeram filmes e paineis.

Lisboa no Ano 2000 foi o vencedor do Prémio Adamastor pela categoria Distinção do Público de Literatura Fantástica Portuguesa. Por sua vez, Cidade Suspensa era um dos livros na shortlist do Prémio para a categoria Ficção Fantástica em Banda Desenhada, da autoria de Penim Loureiro (presente no painel de banda desenhada). Na mesma shortlist encontrava-se O Baile e As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy III, tendo sido este último o vencedor.

Finalmente, Sepulturas dos Pais é o livro de David Soares, também presente no painel de banda desenhada, e A Enciclopédia de Estória Universal de Afonso Cruz foi um dos nomeados para a categoria Literatura Fantástica Portuguesa.

Eventos: Fórum fantástico – dia 2

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Após uma grande correria, lá cheguei ao Fórum, ainda a tempo da apresentação da antologia Comandante Serralves (a qual já li e comentei), um projecto que me parece interessante ir acompanhando. Seguiu-se a apresentação da antologia Insonho, pela qual estou curiosa, mas que ainda não foi lançado – uma séria de histórias fantásticas (ou sobrenaturais) que ocorrem em terras portuguesas (de preferência, bem no meio das vilas inóspidas).

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De seguida aproveitei para lanchar, voltando para o debate em torno de Cortázar em que participaram José Mário Silva, Diogo Madre Deus e João Morales. Ainda em torno de Cortazar, foram apresentados os vencedores dos prémios de fotografia Cortázar Frames. E eis finalmente o grande momento da noite: Por onde anda Rhys Hughes? onde o autor galês discursou sobre as suas obras e influências literárias, passando por vários autores sul americanos (alguns óbvios como Borges ou Córtazar), ou latinos.

O dia terminou com a apresentação dos Prémios Adamastor do Fantástico, de onde se destaca a categoria votada pelo público, onde ganhou Lisboa no Ano 2000 (antologia organizada por João Barreiros).

 

Destaque da semana: Dicionário de Lugares Imaginários

dicionario lugaresNão, não é novo – já foi publicado há quase um ano pela Tinta da China, mas passou-me totalmente despercebido. Só reparei na sua publicação quando o vi na listagem do Prémio Adamastor. Eis a sinopse no site da editora, que promete uma obra que refere alguns dos meus autores favoritos, porque quase tão quanto ler os livros, é relembrar os mundos imaginários em que decorrem:

Um guia indispensável para viajar na literatura. 1200 lugares, mais de 1000 páginas, de Atlântida a Xanadu, passando pelo Castelo de Kafka e pelo País das Maravilhas.

«É um velho costume marítimo que uma nova embarcação seja lançada ao mar com um pedido de bênção para si e para todos os seus tripulantes. Agora que o nosso “Dicionário de Lugares Imaginários” passará a navegar as desconhecidas águas de Portugal, também pedimos que o abençoem as almas generosas de intrépidos viajantes imaginários como Camões, Pessoa, Sophia de Mello Breyner, António Lobo Antunes. Eles entenderão, melhor do que ninguém, a honra que representa para uma obra como a nossa, de viagens a lugares sonhados, partilhar a estante com as crónicas dessas outras viagens a lugares que chamamos, sabe-se lá porquê, verdadeiros.»

 

Among Others – Jo Walton

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Apesar de ter visto várias referências ao livro, foi só quando um amigo mo recomendou que a curiosidade se instalou. Ainda bem – há muito tempo que não era tão positivamente surpreendida por uma história. Vencedor dos prémios Hugo, Nebula e British Fantasy Awards, Among Others, não é uma obra que se distinga pela aventura (que é escassa), nem pela componente fantástica, mas pela personagem principal. A combinação dos diversos factores tornou a história diferente de tudo o que poderia esperar.

Mori, a personagem principal, perdeu a irmã gémea num trágico acidente que crê provocado pela mãe, demente. Ainda que tenha escapado viva, ficou com lesões que a deixaram dependente de um cajado e com dores crónicas. Após o acidente foge de casa, e refugia-se com o pai que não conhecia, um homem que vive à custa das três irmãs ricas e solteiras, com quem partilha o gosto pela leitura, principalmente de fantasia e ficção científica.

Como é tradição na família paterna, Mori é colocada num colégio interno, onde a fisionomia galega e o sotaque carregadoa distinguem dos restantes. Mas não são esses os únicos pontos de discrepância: Mori identifica-se pouco com as colegas que despertam para a adolescência, e acaba por procurar amigos na vila próxima, mais concretamente num clube de leitura onde se vão discutindo vários autores de ficção científica.

Contada pela perspectiva de Mori, a história alterna entre a vivência de uma jovem que não se enquadra no ambiente onde é obrigada a viver, a sua crença nas fadas e na magia, e a opinião dos vários livros que lê. E este é um dos pontos altos e, julgo, uma das razões para ter criado uma forte empatia com a história: Mori é uma leitora voraz que anda sempre à procura da próxima leitura e os livros de que fala devem ser mais do que as páginas da história.

(eis uma lista, incompleta)

2009 Locus Award – Premiados

Depois de anunciados os finalistas, foram recentemente nomeados os vencedores:

  • Science Fiction Novel: Anathem, Neal Stephenson
  • Fantasy Novel: Lavinia, Ursula K. Le Guin (Harcourt)
  • First Novel: Singularity’s Ring, Paul Melko (Tor)
  • Young-Adult Book: The Graveyard Book, Neil Gaiman
  • Novella: “Pretty Monsters”, Kelly Link
  • Novelette: “Pump Six”, Paolo Bacigalupi
  • Short Story: “Exhalation”, Ted Chiang
  • Anthology: The Year’s Best Science Fiction: Twenty-Fifth Annual Collection, Gardner Dozois, ed.
  • Collection: Pump Six and Other Stories, Paolo Bacigalupi

A obra de Neal Stephenson tem sido uma das mais referenciadas desde o seu lançamento, e talvez por isso a sua nomeação não me espantou. Idem aspas para a categoria Young-Adult Novel, ainda que ao lado de The Graveyard Book estivesse Little Brother.

De entre os nomeados ainda não tive oportunidade de pegar em nenhum, mas City at the End of Time, Anathem, The Dragons of Babel e The Graveyard Book são aqueles que me despertaram maior interesse.

Espantar, espantar, espantou-me Paolo Bacigalupi que conseguiu arrebatar dois prémios, um pela Novela Pump-Six (sobre a qual já tinha falado há alguns meses),  e outra pela colectânea que contém esta mesma novela.

2009 Mythopoeic Award – os finalistas

Os Mythopoeic Award são escolhidos pelos membros da Mythopoeic Society, e seleccionados por um comité da mesma sociedade. Esta possui como objectivo a promoção do estudo, discussão e entusiasmo pela literatura fantástica ou mitológica.

O prémio possui quatro categorias (Adult Literature, Children’s Literature, The Mythopoeic Scholarship Award in Inklings Studies e The Mythopoeic Scholarship Award in Myth and Fantasy Studies).

Entre os vencedores dos anos anteriores encontram-se autores como Peter Beagle, Michael Bishop, Tim Powers, Patricia A. McKillip, Susanna Clarke ou Neil Gaiman.

Os nomeados deste ano foram já anunciados.

Adult Literature

  • Carol Berg, Flesh and Spirit and Breath and Bone (Roc)
  • Daryl Gregory, Pandemonium (Del Rey)
  • Ursula K. Le Guin, Lavinia (Harcourt)
  • Patricia A. McKillip, The Bell at Sealey Head (Ace)
  • Gene Wolfe, An Evil Guest (Tor)

Children’s Literature

  • Kristin Cashore, Graceling (Harcourt Children’s Books)
  • Neil Gaiman, The Graveyard Book (HarperCollins)
  • Diana Wynne Jones, House of Many Ways (HarperCollins)
  • Ingrid Law, Savvy (Dial)
  • Terry Pratchett, Nation (HarperCollins)

O nome dos vencedores será conhecido na Mythcon XL, a realizar entre os dias 17 e 20 de Julho.

Clarke Award (2009)

Clarke Award é um prémio inglês atribuído a obras de ficção científica, originalmente estabelecido com fundos de Arthur C. Clarke com o objectivo de promover este género em Inglaterra. O vencedor é escolhido de entre uma pequena lista de seis obras, por uma juri de voluntários entre escritores, críticos ou fans.

Este ano faziam parte da listagem:

  • Song of Time: Ian R. MacLeod – PS Publishing
  • The Quiet War: Paul McAuley – Gollancz
  • House of Suns: Alastair Reynolds – Gollancz
  • Anathem: Neal Stephenson – Atlantic
  • The Margarets: Sheri S. Tepper – Gollancz
  • Martin Martin’s on the Other Side: Mark Wernham – Jonathan Cape

Destes seis, um dos mais falados tem sido sem dúvida a obra de Neal Stephenson, Anathem. No entanto, o vencedor foi Song of Time, de Ian R. MacLeod.

Fica aqui a sinopse, disponível no site da editora PS Publishing:

A man lies half-drowned on a Cornish beach at dawn in the furthest days of this century. The old woman who discovers him, once a famous concert violinist, is close to death herself… or a new kind of life she can barely contemplate. Does death still exist at all, or has it finally been obliterated? And who is this strange man she’s found? Is he a figure returned from her past, a new messiah, or an empty vessel? Is he God, or the Devil?

Filled with love and music, death and life, mind-stretching ideas and sheer, simple humanity, spanning the world from the suburbs of Birmingham to the streets of a new-Renaissance Paris via the ruins of post-apocalyptic India, Multi-award winning author Ian R MacLeod here creates some of his most powerful scenes, and his most extraordinary, and yet most believable, characters. If you care about the future, if you care about good story-telling, Song of Time is a must-read.

PKD – Os vencedores

O prémio Philip K. Dick foi fundado no ano da morte do cérebre autor de Ficção Científica, e desde 2005 apadrinhad pela Sociedade de Ficção Científica da Filadélfia (Philadelphia Science Fiction Society).

Entre os vencedores dos anos anteriores encontram-se The Anubis Gates (Tim Powers), Neuromancer (William Gibson) ou Altered Carbon (Richard Morgan).

Este ano os nomeados foram:

  • Emissaries from the Dead – Adam -Troy Castro
  • Fast Forward 2
  • Judge – Karen Traviss
  • Plague War – Jeff Carlson
  • Terminal Wind – David Walton
  • Time Machines Repaired While-U-Wait – K.A. Bedford

Excepcionalmente, houve dois vencedores, assinalados a bold. Estranhamente, o único do qual me recordo ter ouvido falar antes do prémio, foi o Fast Forward 2.

BSFA Award – os vencedores

Anualmente a Associação Britânica de Ficção Científica (BSFA –  The British Science Fiction Association) premeia algumas obras com base nos votos dos membros da associação e nos membros do Eastercon (convenção britânica de ficção científica).

São quatro as categorias: Best Novel, Best Short Fiction, Best Non-fiction e Best Artwork. No passado este prémios distinguiu livros como Brasyl (Ian McDonald), Air (Geoff Ryman), River of Gods (Ian McDonald) ou The Separation (Christopher Priest).

Para as quatro categorias, esta é a lista de nomeados, na qual os vencedores estão sublinhados:

Best Novel

  • Flood – Stephen Baxter
  • The Gone-Away World – Nick Harkaway
  • The Night Sessions – Ken MacLeod
  • Anathem – Neal Stephenson

Best Short Fiction

  • Exhalation – Ted Chiang
  • Crystal Nights – Greg Egan
  • Little Lost Robot – Paul McAuley
  • Evidence of Love in a Case of Abandonment – M. Rickert

Best Non Fiction

  • Physics for Amnesia – John Clute
  • Superheroes!: Capes and Crusaders in Comics and Films – Roz Kaveney
  • What It Is We Do When We Read Science Fiction – Paul Kincaid
  • Rhetorics of Fantasy – Farah Mendlesohn

Best Artwork

  • Cover of Subterfuge, ed. Ian Whates – Andy Bigwood
  • Cover of Flood by Stephen Baxter – Blacksheep
  • Cover of Swiftly by Adam Roberts – Blacksheep
  • Cover of Murky Depths 4 – Vincent Chong
  • Cover of Interzone 218 – Warwick Fraser Coombe