Resumo – 2º trimestre de 2018

Se o primeiro trimestre já tinha começado bem, este segundo permitiu a consolidação das novas vertentes do Rascunhos, apesar dos contratempos pessoais (mudança de casa e novos projectos profissionais). As visualizações ultrapassaram as 26 000 mantendo a tendência do primeiro trimestre, e continuei com a nova vertente do Rascunhos na rádio (na Voz Online, onde falei sobre livros, sozinha e acompanhada, bem como de eventos como o Sci-fi LX – os programas encontram-se disponíveis também na Mixcloud). A componente de jogos de tabuleiro prosseguiu mais lentamente, mas estabeleci a minha primeira parceria de jogos (A Floresta Misteriosa).

EVENTOS

O evento que marcou este segundo trimestre foi definitivamente o Festival Contacto. Apesar de ter decorrido apenas numa tarde em Benfica (num local priveligiado, o Palácio Baldaya) forneceu grande momentos de diversão para todas as idades, com a Escape Room da Liga Steampunk, jogos de tabuleiro diversos, lançamentos de livros, lutas de sabres – entre outros. De destacar o espaço ao ar livre e a existência de um bar de apoio que permitiu a permanência no evento durante toda a tarde.

Este trimestre foi, também, a minha estreia no Lisboacon (sobre este evento falarei mais detalhadamente nos próximos dias). Trata-se de um evento focado exclusivamente em jogos, sobretudo em jogos de tabuleiro (tendo, também, RPG’s) onde se pode experimentar uma enorme diversidade de jogos e adquirir outros tantos a preço mais acessível do que é comum nas lojas. Outro evento que marcou o trimestre foi o breve retorno do Sustos às sextas (ao qual não pude comparecer).

Alguns dos jogos disponíveis no Lisboacon

Mas os últimos trimestres também prometem! Aproximam-se o Sci-fi LX e a Comic Con Portugal, e começaram a ser anunciadas algumas novidades para o último trimestre do ano – Fórum Fantástico e Festival Bang!

LIVROS E BANDA DESENHADA – Portugueses 

Com o mesmo número de leituras do trimestre passado (cerca de 60) destaco, de autoers portugueses, Comandante Serralves – Expansão, The Worst of Álvaro e Han Solo. O primeiro é uma continuação da primeira antologia Serralves, contendo contos Space Opera de vários autores num mesmo Universo. Esta antologia destaca-se pelos elementos portugueses na sua narrativa, desde o humor às expressões e alguns detalhes culturais das personagens.

 

 

 

 

 

 

 

 

The Worst of Álvaro apresenta as piores tiras de Álvaro, num  conjunto divertido que começa com uma paródia certeira às seitas religiosas que realizam espectáculos de diversão (e engodo) nas suas cerimónias. Han Solo de Rui Lacas destaca-se pela expressividade das personagens, criando uma história envolvente com poucas palavras.

LIVROS

 

 

 

 

 

 

 

Este ano tem sido marcado por bons lançamentos de ficção especulativa (não em grande quantidade, mas o que tem havido é de qualidade) e este trimestre li, sobretudo, as novidades publicadas no mercado português. A Cavalo de Ferro surpreendeu com o lançamento de um clássico de horror de Shirley Jackson, A Maldição de Hill House. Não sendo a melhor leitura desta autora, apresenta uma história claustrofóbica que nunca se afimar sobre a origem dos supostos detalhes sobrenaturais, deixando a possibilidade de várias interpretações para o autor.

Num tom bastante diferente, Os Humanos é um relato divertido de um alienígena que tem de se integrar como humano para limpar as pistas de uma importante descoberta científica. Proveniente de uma sociedade bastante diferente, onde os indivíduos são imortais e poderosos, a perspectiva do alienígena é, simultaneamente, perspicaz e cómica.

 

 

 

 

 

 

 

 

Tendo no título a palavra Love, Love Star corre o risco de ser incluído na secção de romance fofinho e cor de rosa (como já o vi). Não poderia ser uma classificação mais enganadora. Love Star apresenta uma sociedade onde a tecnologia se aliou à publicidade com a perspectiva de responder a todas as necessidades de consumo da população, apresentando produtos inovadores como a disposição de corpos humanos em foguetes para serem incinerados automaticamente quando entrem novamente na atmosfera. Trata-se de uma história interessante carregada de reviravoltas irónicas, carregadas de crítica social.

O Poder é outro dos grandes lançamentos deste ano. Bastante aclamado no estrangeiro, apresenta uma reviravolta no equilíbrio de poder nas sociedades humanas – e se as mulheres tivessem a capacidade de electrocutar? O poder surge sobretudo em situações de violência física e psicológica contra mulheres, resultante numa reviravolta interessante. Deste surgir por necessidade ao exercício de poder, a história apresenta novos equilíbrios e desequilíbrios.

 

 

 

 

 

 

 

 

Amatka é, também, um lançamento inesperado para o mercado português, contendo uma sociedade distópica onde os objectos têm de ser constantemente marcados para manterem a sua forma e funções. Quem teme a morte de Nnedi Okorafor não é uma leitura deste ano (li-o em inglês em 2015) mas é um grande lançamento em Portugal. Trata-se de um dos grandes exemplos de afrofuturismo que não teme tratar de temas como o controlo das mulheres através da castração ou como a luta entre populações através das violações que visam diluir o sangue dos vencidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Em inglês, destacou-se The Tangled Lands, um livro de fantasia pouco optimista em que o exercício de magia tem um preço muito elevado e onde o destino das personagens nunca é o programado, com contratempos e reviravoltas difíceis. Já The Martian in the Wood é um dos contos da TOR.com e centra-se num mundo pós Guerra dos Mundos de H. G. Wells, mostrando a vida dos que sobreviveram e como tentam lidar com o desaparecimento dos familiares – mas… nem todos os alienígenas conseguiram abandonar a Terra!

BANDA DESENHADA

A colecção Novela Gráfica ainda agora começou e já proporcionou duas das melhores leituras dos últimos meses, Os Guardiões do Louvre de Taniguchi e Aqui mesmo de Tardi. O primeiro centra-se no Louvre, enquanto museu e espaço que sofreu alterações, falando de alguns autores que influenciaram artistas japonses. Trata-se de um trabalho a cores que dá grande representação a algumas obras clássicas captando o seu próprio estilo. Não sendo dos trabalhos favoritos do autor em termos narrativos, fascina pelo grafismo.

Aqui mesmo (que ainda não tive oportunidade de comentar detalhadamente) é um trabalho excelente que pode ter interpretações políticas (ainda que o autor, na sua introdução descarte grande parte delas), centrando-se numa personagem demasiado agarrada ao passado, traumatizada com as guerras entre famílias e por isso, decidida a manter a sua posição desconfortável, nem que para isso deixe de ter vida própria.

Não tendo lido o romance original no qual se baseia, Afirma Pereira é um fascinante retrato da sociedade portuguesa antes do 25 de Abril mostrando como se exercia influência, poder e medo sobre a população e, neste caso, sobre a classe jornalística portuguesa.

Outra das colecções lançadas pela Levoir foi a colecção Bonelli em que se lançaram álbuns representativos das colecções italianas da editora Bonelli. Em geral são álbuns que dão especial destaque à narrativa, bastante movimentados e centrados em heróis peculiares. Dragonero foi dos meus favoritos contendo referências às mais clássicas séries de Fantasia. Já este volume de Dylan Dog, Os Inquilinos Arcanos, destaca-se pela introdução de Filipe Melo e contém uma diversidade interessante das histórias deste herói com um grafismo competente onde não se podem esquecer os efeitos sobrenaturais e fantásticos.

Próximos tempos? Espera-me o Sci-fi LX, com duas palestras, uma sobre ficção especulativa nacional e outra sobre robots (com João Barreiros), muitos livros e muitos jogos de tabuleiro!

Jogos aos Sábados – Vem aí a Troika! Era uma vez na Portugalândia – Carlos Mesquita e Pedro A. Santos

Eis um jogo datado, com referências à época em que foi publicado mas que, mesmo assim, não deixa de ser divertido. A parte que se destaca é, sem dúvida, a caricatura a alguns dos mais conhecidos políticos, tanto na imagem como na descrição e respectivos poderes. O jogo possui uma versão grega e uma versão espanhola.

Os líderes

Não vou descrever detalhadamente como se joga (já existem tutoriais para tal) mas referir as suas principais características. É um jogo apropriado para 2 a 4 jogadores, tendo uma jogabilidade apreciável para dois jogadores. Possui dois modos, um simples que se baseia apenas nos valores base das cartas, e outro modo, mais complexo que integra os poderes descritos, interligando as capacidades de diferentes cartas.

Sugere-se jogar uma ou duas vezes no modo simples mas não mais – o modo complexo é aquele onde aplicamos os poderes caricatos de cada carta (desde as meninas boas que inutilizam os líderes políticas aos homens do avental que, com as suas reuniões secretas, permitem controlar mais grupos).

Eis um líder inutilizado pelas meninas boas

A dinâmica e as fases de jogo são simples. Em vezes alternadas cada jogador coloca, na sua mão, cartas de grupo e efectua uma de três acções: coloca dois grupos na mesa, extrai rendimentos de acordo com as cartas que possui na mesa, ou ataca as cartas do jogador adversário para ficar com elas. No final de cada turno é usada uma carta de evento que pode dar vantagem ao governo ou a qualquer outro jogador.

A estratégia de jogo encontra-se em combinar os vários poderes, do líder e do grupo, e em extrair o máximo das suas capacidades – se calha um líder que duplica o rendimento investe-se em grupos que produzem bastante dinheiro, se temos uma carta que tem o dobro do poder com cartas de uma determinada cor, são essas que tentamos deter.

Cartas de evento

Para além da dinâmica (engraçada, mas que não atinge o interesse de outros jogos de cartas como o Munchkin) o principal atractivo deste jogo é a leitura das piadas políticas que possuem – cada evento está acompanhado por notícias e cada grupo social possui um poder que é uma crítica política e social, uma caricatura do jogo de interesses e desvios monetários que caracteriza Portugal.

Outros jogos

Geek life

A noite começa com a actualização do firmware da lâmpada da sala. É que as lâmpadas, que têm colunas incorporadas, controlam-se pelo telemóvel. E não são só as lâmpadas – a televisão ou o ar condicionado também! Apesar de terem comandos próprios. O problema é quando se perde o telemóvel e já não se consegue ligar as luzes da sala.

Ao jantar converte-se a história do homem aranha numa fairytale em que o duende verde não é tão mau quanto o vermelho (casa de sportinguista é assim)  e os pêssegos são descascados da mesma forma que se aprendeu numa banda desenhada do Wolverine.

May the force be with you ou Keep calm and bazinga são frases rotineiras, existem pequenos robots controláveis por som e nas prateleiras escondem-se livros, sabres de luz e jogos de tabuleiro, enquanto passa um filme de ficção científica na televisão.

Retrospectiva 2017 – O Rascunhos em Banda desenhada

Numa contagem desatenta percebo que ultrapassei o número de leituras de banda desenhada do ano passado, rondando quase as 200 leituras, algumas (poucas) em francês ou espanhol, mas sobretudo em inglês e português (este registo passou a ser feito no Goodreads). Considero que este foi um grande ano na publicação da banda desenhada em Portugal, com a colecção de Novela Gráfica publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público, a lançar grandes obras que, de outra forma, dificilmente veriam a luz da edição portuguesa, e editoras nacionais a lançarem-se, pela primeira vez, na publicação de banda desenhada.

Banda desenhada portuguesa

 

 

 

 

 

 

 

A melhor leitura – O problema de separar em categorias e ter uma só para a banda desenhada portuguesa é ter de comparar obras bastante diferentes em tom e tema. Eis, portanto, as duas melhores leituras do ano em banda desenhada portuguesa : O Elixir da Eterna Juventude de Fernando Dordio e Osvaldo Medina e Comer Beber de Filipe Melo e Juan Cavia. O primeiro destaca-se pelo tom leve com que integra as músicas de Sérgio Godinho numa aventura divertida e o segundo pela qualidade do desenho e pelos temas, mais sérios, abordados nas duas histórias que compõem o volume que, apesar de curtas, conseguem transmitir o peso dos acontecimentos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – De Rui Lacas, Ermida é uma história curta mas caricata que inspira um enorme simpatia graças à força das expressões e dos modos que as personagens apresentam. Por sua vez, Hanuram de Ricardo Venâncio é visualmente interessante, tanto pela qualidade do desenho como pela composição, centrando-se num guerreiro que ousou desafiar os deuses ao se proclamar invencível. Totalmente diferente dos anteriores, Ermal de Miguel Santos destaca-se pela criação de uma realidade pós-apocalíptica em que o ocidente foge para território africano, resultando em guerras onde as várias facções tentam explorar interesses diferentes. No final o principal defeito é tratar-se de uma história curta. Finalmente, em tom humorístico, Conversas com os putos de Álvaro apresenta vários episódios cómicos que decorreram enquanto dava explicações.

Banda desenhada de ficção científica

A melhor leitura – Valerian de Christin e Mézières – A série publicada pela Asa em parceria com o jornal Público trouxe um conjunto de aventuras com uma qualidade que não esperava. Referida, por diversas vezes, como tendo influenciado Star Wars (ou mais do que influenciado) possui uma grande diversidade de mundos e de espécies alienígenas que se tornam fascinantes pela coerência que possuem. A dupla de agentes, por sua vez, ora viagem no espaço, ora no tempo, e se, nas primeiras aventuras as histórias são simples e quase clichés, sente-se que, com o avançar dos volumes, a série melhora, utilizando as histórias anteriores como alicerces para as seguintes, e ganha uma dimensão avassaladora.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – Pela primeira vez de que me recordo tenho de reclassificar o género de uma série. Autumnlands, que começou por parecer uma série fantástica com elementos extraordinários, assume-se, no segundo volume, como ficção científica, utilizando espécies alienígenas tecnologicamente avançadas para justificar a origem do que se pensava ser magia. Espero que o terceiro volume revele um pouco mais desta dualidade. Por sua vez, Surrogates apresenta um mundo sombrio onde se inventaram corpos artificiais para os quais as pessoas se projectam e com os quais saem à rua, protegendo-se assim de potenciais acidentes e problemas de discriminação (já que o corpo pode não ter qualquer semelhança física com o seu dono). As vantagens são, no entanto, submersas pelas desvantagens, numa sociedade cada vez mais superficial. Outra das grandes descobertas não é uma novidade em termos editoriais, mas trata-se de A feira dos imortais de Bilal, autor do qual apenas conhecia os álbuns mais modernos e só com estes percebi porque tanta gente os repudia.

Banda desenhada de horror

A melhor leitura – Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook – Depois de um excelente primeiro volume, o segundo mantém o tom negro, e percebemos que a menina com capacidades de bruxa, ao contrário do estereotipo se preocupa com a correcta utilização dos seus poderes, por forma a que exista um equilíbrio de forças. Esta preocupação será exacerbada pela entrada de uma nova personagem, uma irmã gémea que terá os meus poderes mas que não os usa de igual forma.

Banda desenhada fantástica

A melhor leitura – Monstress de Marjorie Liu e Sana TakedaMonstress fascinou pelo aspecto exótico e pela mitologia densa num mundo semelhante ao nosso, com tecnologia semi-medieval, onde existem seres semelhantes aos humanos com características de animais. Estes seres são caçados pelos humanos a mando de feiticeiras que com eles pretendem realizar experiências. Enquanto os supostos monstros são emocionalmente mais humanos do que os humanos e os deuses se escondem, simultaneamente dependentes e poderosos, temos uma espécie inteligente de gatos que se dedica a registar e a passar, de geração em geração, a história deste complexo mundo;

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – A famosa série Sandman foi finalmente publicada em Portugal numa parceria entre a Levoir e o jornal Público. Ainda não li todos os volumes mas a série, melancólica, centra-se na figura eterna responsável pelos sonhos cruzando as histórias mitológicas de várias civilizações. O resultado é uma história abismal onde Neil Gaiman explora personagens e mitos de forma envolvente. O Rei Macaco, de Manara e Silverio Piso é uma obra visualmente impressionante, onde a figura divina de um macaco usa o seu carácter irrequieto como explorador e parte do paraíso com o intuito de se tornar imortal e assim poder usufruir eternamente do paraíso. Irónico? Bastante. São comuns os comentários políticos e religiosos, bem como as insinuações fálicas ou a observação do decadente comportamento humano. Finalmente, comecei a série East of West, uma série que cruza tecnologia e fantástico apresentando-nos a demanda dos cavaleiros do apocalipse. A Morte busca o filho que está a ser manipulado para provocar o fim da existência.

Banda desenhada histórica

A melhor leitura – Os trilhos do acaso de Paco Roca – Nesta obra publicada em dois volumes o autor explora a guerra civil espanhola numa perspectiva pouco habitual, seguindo um refugiado espanhol – um homem que se viu obrigado a deixar Espanha num barco e que mesmo assim foi sortudo, considerando que a maioria não foi capaz de embarcar. Este homem é, agora, um velhote que ninguém suspeita ter sido um herói de guerra, lutando na Segunda Guerra Mundial. O que é peculiar não é só a personagem, mas a forma como Paco Roca cria empatia e explora a história mais pelo lado humano do que pela terror da guerra.

Menções honrosas – Também Destino Adiado de Gibrat tem como palco a guerra mas, desta vez, centra-se num jovem que desertou e que, por sorte, foi dado como morto. A partir daqui consegue esconder-se na vila de origem, passando os dias sem poder ser visto, mas numa casa que lhe permite observar o quotidiano de todos.

Antologia

A melhor leituraSilêncio – Das várias antologias de contos de banda desenhada que li este ano a que mais me impressionou foi o segundo volume The Lisbon Studio com o título Silêncio. Neste volume reúne-se o trabalho de vários autores portugueses que pertencem ao mesmo estúdio e se organizaram para entregar histórias curtas centradas no mesmo tema. Este é o segundo volume da série em torno do estúdio, sendo que achei que o trabalho apresentado neste ainda conseguia ser de melhor qualidade do que no primeiro volume. Os temas são diversos bem como o estilo, entregando-se boas histórias curtas.

Menções honrosas – Flight Esta é, no mínimo, uma antologia de banda desenhada competente. Todas transmitem alguma narrativa, ainda que nalgumas se perceba que esse não é o foco (são poucas), e todas são visualmente agradáveis (no mínimo), bastantes com detalhes caricatos que transmitem simpatia ao leitor. Ainda que Flight não devesse ser um tema, mas apenas o título do volume, várias das histórias têm o voo como premissa.

Registo autobiográfico

 

A melhor leitura – Tempos Amargos de Étienne Schréder – O autor apresenta os seus piores momentos de degradação originados pelo vício do vinho. Sem conseguir terminar os estudos pretendidos, pai demasiado cedo e trabalhando numa prisão, Étienne Schréder afunda-se cada vez mais na bebedeira como possibilidade de fuga da vida que leva. Aqui expõe-se (mas tem cuidado em não expor os outros) e demonstra os anos de escuridão.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – Em Histórias do bairro o autor mostra a sua infância e, até, adolescência num bairro problemático de onde é difícil escapar. Cedo os habitantes se envolvem em actividades ilícitas que são tão comuns que quase são tomadas por normais. Mas é a capacidade de desenhar e de querer fazer algo com essa capacidade que lhe concede a porta de saída deste mundo. Em Os Ignorantes dois homens trocam paixões com o autor a mostrar a banda desenhada a um produtor de vinho, e o produtor de vinho a demonstrar as fases e segredos da sua profissão.

Outras

A melhor leitura – NonNonBa de Shigeru Mizuki – Um rapaz endiabrado mas de bom coração entrelaça o sobrenatural em todos os momentos da sua vida, fazendo com que criaturas diferentes sejam vistas como a causa para os eventos que os rodeiam. Este rapaz encontra-se no Japão rural, fazendo com que percepcionemos a pobreza deste ambiente, afastado das maravilhas da cidade. Para além deste retrato, que é um factor de peso para ter gostado tanto deste livro, outro elemento importante é o caricato das personagens que nos envolve e cativa, contrastando com os cenários detalhados, bem como a forma como transforma episódios quase banais em grandes aventuras sobrenaturais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas Daytripper foi uma excelente surpresa, explorando a vida como uma série de pequenas fugas a eventos terminais numa história inspiradora e envolvente. Já The Fade Out destacou-se pela temática, com a apresentação de um crime nos bastidores do cinema de Hollywood dos anos 40 num ambiente negro e decadente. Da mesma dupla criativa, Criminal segue a vida de uma série de pessoas que retornam, voluntaria ou involuntariamente a vida do crime. Southern Bastards retrata  o interior americano onde o equilíbrio de forças é controlado pelo maior criminoso local que mantém debaixo de olho até a polícia. Num tom totalmente diferente, Jardim de Inverno é um relato delicioso e expressivo que apresenta a existência cinzenta de um rapaz na cidade.

A Melhor leitura – Tony Chu de John Layman e Rob Guillory A série centra-se em poderes associados à comida e, partindo de Tony Chu, um agente enfezado que percepciona a vida de tudo aquilo que come, tem conseguido centrar-se noutras personagens e manter o interesse do leitor com elementos cada vez mais estranhos.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – É impossível não falar de série de banda desenhada e deixar de fora Saga. Ainda que, nos últimos volumes, sinta que faltam elementos inovadores e que a narrativa está “apenas” a colocar as personagens no local que deseja para poder desenrolar um final, continua a ser uma série interessante e mirabolante, com elementos leves e trágicos, uma piada às séries de ficção científica e fantasia mais conhecidas. Finalmente, estou na leitura da série Fables que tem altos e baixos. Os últimos volumes (13 e 14) que li destacam-se visualmente, com belíssimas composições (que merecia uma melhor qualidade do papel em que é impresso, mas essa é a mesma discussão de sempre em relação à banda desenhada da Vertigo).

Outras retrospectivas

Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

Assim foi: Portugal na Eurocon

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Imagem retirada da página oficial do CCCB

Se tivesse que me mudar para outra cidade europeia decerto mudaria para Barcelona – ruas lindíssimas rodeadas por montes e mar, população de etnia variada e, claro, um sem fim de livrarias enormes, algumas especializadas, outras genéricas, quase todas com obras em vários idiomas (até em português). Saber que a próxima Eurocon seria em Barcelona foi um elemento decisivo para planear uma viagem com dois anos de antecedência. Sim, dois anos. Leram bem.

Para quem não sabe o que é a Eurocon, é uma convenção de ficção científica a nível Europeu que se centra em livros. A convenção decorre todos os anos num local diferente decidido por votação. Para a Eurocon de Barcelona foram anunciados alguns dos autores mais relevantes na ficção científica europeia, como Aliette de Bodard, Johanna Sinisalo, Andrzej Sapkowski, Albert Sánchez Piñol ou Richard Morgan (que esteve em Portugal há uns anos, para o Fórum Fantástico).

Apesar de não ter participado nos anos anteriores, pareceu-me que, devido à proximidade (Barcelona é já ali ao lado), a Eurocon de 2016 se diferenciou por uma forte presença lusa, havendo, para além de uma consistente participação do Luís Filipe Silva em vários painéis, uma banca com divulgação da Ficção Científica em Portugal, obra de André Silva, Tomás Agostinho, Carlos Silva e Pedro Cipriano.

Painéis com participação portuguesa

Atrás han quedado los días de gloria del Imperio – Luís Filipe Silva

SFF in Portugal Nowadays – Luís Filipe Silva, Carlos Silva e eu

Dédalo – Tomás Agostinho

Is there a Southern European SF? – Luís Filipe Silva (e outros autores)

How to promote Euro SF – Luís Filipe Silva (e outros autores)

Atrás han quedado los diás del gloria del Imperio

Não pude assistir a esta mas, felizmente, há gravação.

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Retirado do Twitter oficial da Eurocon

SFF in Portugal Nowadays

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Pati Manning

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Pati Manning

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Pati Manning

Ainda que a sessão tenha decorrido no edifício Pati Manning (lindíssimo, mas menos central no circuito da Eurocon) tivemos direito a público e a gravação (não oficial). Por enquanto aqui ficam os slides apresentados, realçando-se que foi, também, referido António de Macedo tanto pelos filmes que produziu, como pelos livros que tem escrito. Muito ficou por falar e por destacar mas, infelizmente, não havia espaço para tudo.

Is there a Southern European SF?

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Com moderação de Luís Filipe Silva, esta mesa reuniu Anders Bellis, Arrate Hidalgo, Francesco Verso e Claude Lalumiére numa conversa que deu especial destaque à proximidade Mediterrânica e onde Claude Lalumiére, de origem canadiana, falou das mudanças que a sua própria escrita sofreu com a proximidade ao mar. Esta sessão foi gravada:

How to promote Euro SF

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Sessão mais movimentada, marcada por opiniões mais vincadas, em que se destacou o papel dos prémios nacionais para promover a obra de ficção científica em cada um dos países europeus.

Outras presenças portuguesas

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Sci-fi LX a marcar presença na Eurocon com uma banca em que divulgaram vários projectos portugueses

O Sci-Fi Lx, representado por André Silva, Carlos Silva e Tomás Agostinho marcou espaço com uma banca em que apresentou, não só os projectos que lhe estão directamente relacionados, como outros, portugueses, sendo que a disposição do material era dinâmica, modificada ao longo do dia para ir destacando os vários produtos e ideias. Muitas foram as pessoas que pararam, de diferentes nacionalidades e interesses para saber mais sobre o que se faz neste quadrado à beira mar plantado e a boa disposição dos intervenientes rapidamente se tornou contagiante!

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

O Souvenir Book é um livro de 160 páginas que contém artigos relacionados com a ficção científica europeia. Entre estes artigos encontramos quatro páginas da autoria de Luís Filipe Silva em que se fala da história da ficção científica portuguesa.

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À esquerda Zine produzida durante o evento (http://edm-online.de / http://Hansecon.blogspot.com) e à direita um dos postais distribuídos a todos os participantes com a publicidade à Fénix.

E quase que me esquecia, eis os nomeados portugueses para as várias categorias dos prémios ESFS (na página da Locus podem consultar os vencedores):

  • Best author – João Barreiros
  • Best magazine – Bang!
  • Best artist – Edgar Ascensão
  • Best fanzine – H-Alt
  • Best website – Bibliowiki

E o Encouragement Award português vai para… Rui Ramos!

Por último e, ainda que não esteja bem relacionado com a Eurocon, foi engraçado andar a passear por ruas escuras da zona gótica e descobrir livros portugueses numa montra minúscula !

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Eventos: Sci-FI LX

Robots, viagens no espaço, impressões 3D ! Um evento para qualquer geek digno desse nome – É já este fim-de-semana que decorre o maior evento em Portugal dedicado exclusivamente à ficção científica, seja sob a forma cinematográfica, sejam palestras e workshops sobre os mais diversos (e futurísticos) temas.

Contando com um espaço comercial (onde encontramos a Bookshop Bivar, a Kingpin Books, e a Imaginauta, entre outros) e exposições (sobretudo de banda desenhada) vamos ter, também oportunidade de assistir a um duelo steampunk ou a impressões 3D.

a vida oculta

Para visualizarem todas as actividades inerentes ao Sci-fi LX podem consultar a página oficial, enquanto que aqui irei falar daquelas que me despertam mais interesse. Entre elas estão, claro, as exposições de banda desenhada, com especial destaque para Carlos Pedro, Miguel Montenegro, Ricardo Venâncio ou H-alt. De realçar que estes autores estarão num painel a decorrer pelas 19h00 de Sábado e que decorrerá uma sessão de autógrafos de A Vida Oculta de Fernando Pessoa com André Morgado.

mensageiros

Entre a apresentação do Projecto Mensageiros das Estrelas (que tem trazido alguns autores de ficção científica a Portugal como Geoff Ryman) , encontramos palestras sobre Viagens no tempo (a necessidade de viver além do presente), a ficção científica em videojogos, FC em Universo Transnacional (com destaque para a presença de Luís Filipe Silva e Teresa Botelho) e zombies.

TIC

Para actividades mais interactivas temos Impressões em 3D (TIC em 3D) durante os dois dias, crochet (nada como um Yoda de crochet), pintura, duelos, jogos de tabuleiro, cosplay ou torneios de robots.

Claro que não falei de muita coisa, apenas das que mais me interessavam. Há vários eventos temporalmente sobrepostos pelo que se não vos interessar algo em particular podem aproveitar a restante programação nos outros espaços do evento.

Resumo de Leituras – Dezembro de 2015 (2)

chinela

145 – A Chinela Turca – Machado de Assis – Este pequeno livrinho reúne três bons contos. O primeiro é um incómodo que se transforma em pesadelo, enquanto que o segundo, O Espelho, é um pouco filosófico demais, e o último, A Igreja do Diabo é uma cómica história onde o Diabo resolve fundar a sua própria Igreja com culto, livro sagrado e seguidores.

Antologia FC fantasporto

146 – Antologia de ficção científica Fantasporto – Vários autores – Esta antologia reúne histórias de autores conhecidos no género, bem como de autores participantes no concurso do Fantasporto. Algumas histórias são muito boas, outras são razoáveis, o que dá ao conjunto um sentido pouco constante de qualidade. Ainda assim, é uma antologia recomendável por alguns dos bons contos que tem.

can cantankerous

147 – Can & Can’tankerous – Harlan Ellison – Após Deathbird stories estava à espera de histórias fortes e chocantes. Bastante menos corpóreas, as histórias desta antologia não me agradaram da mesma forma, ainda que tenha algumas muito memoráveis.

private eye

148 – The Private Eye – Brian K. Vaughan – Uma excelente distopia futurística de cores garridas. Na realidade apresentada, a forma de interagir com a tecnologia mudou drasticamente quando as informações de todas as clouds foi tornada pública – desde fotos a históricos de navegação. A solução para o escãndalo global? Desligar a internet bem como todos os aparelhos relacionados e passar a usar máscaras para proteger a identidade de cada um.

Assim foi: Conversas Imaginárias 2015 – As Leituras do ano

conversas imaginarias

Esta foi a última conversa do dia, uma conversa que já tem sido habitual nos anos anteriores do Fórum Fantástico e que reúne João Barreiros e seus sobrinhos Artur Coelho, João Campos e eu. Abaixo eis a apresentação dos livros citados, bem como indicação de quem o citou.

explorers guide

Estando do lado da mesa, existem menos hipóteses para tirar notas de pontos interessantes, mas mesmo assim, houve alguns detalhes que gostaria de realçar. Um dos livros indicados por João Barreiros, The Explorer’s Guide de John Baird é um bom exemplo da interacção que permite o formato físico, com páginas amareladas a simular o antigo, e contendo não só texto como banda desenhada e outras imagens. Um livro que foi directo para a minha lista de aquisições futuras.

la casa

Outra das referências de João Barreiros que achei curiosa foi o La Casa de Daniel Torres, um volume que apresentará a casa ao longo dos milénios, desde os primórdios da humanidade aos tempos modernos, mostrando não só o interior das habitações mas representando um pouco do quotidiano e da mentalidade.

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Outro volume referido por João Barreiros foi Slade House de David Mitchell, continuação de The Bone Clocks, onde alguns seres humanos são chamados a uma misteriosa casa para serem enclausurados e comidos de forma estranha. A descrição da história foi bastante vísceral.

luna

Luna foi referido tanto por João Barreiros como por João Campos, mas de formas bastante diferentes. João Barreiros irritou-se bastante com as referências brasileiras mal efectuadas que demonstram pouco trabalho de pesquisa, e com as traduções mal feitas de frases para português (brasileiro) que pareceriam saídas do google translator. Já a João Campos estas referências não estragaram o livro, do qual gostou bastante.

O que achei engraçado nesta diferente percepção do mesmo livro, está relacionado com um texto que li algures numa revista americana de ficção sobre os erros dos romances, e até que ponto está o leitor disposto a acumulá-los até se desgostar com o texto. Claro que tal nível de tolerância está relacionado com o quanto esteja a gostar da história.

the wolf among us

Se ainda não leram John Brunner (como eu) decerto que depois das múltiplas referências de João Campos ficam decididos a ler. Claro que terei de iniciar com Stand on zanzibar que já repousa há algum tempo na prateleira. Outro dos escolhidos de João Campos que me chamou à atenção foi The Wolf Among Us por estar relacionado com a série de banda desenhada Fables. Para além da relação com a banda desenhada, captou-me a forma como o final fará repensar todas as fases do jogo.

Leviathan Wakes, James SA Corey

Já tinha reparado nas várias críticas do Artur Coelho aos livros de James SA Corey, longas space-operas, mas que terão alguns pontos repetitivos ao longo dos vários volumes. Fica a referência ao primeiro, que poderá ser uma boa obra para recordar o estilo. Ficou-me, também, a referência a Os Marcianos somos nós de Nuno Galopim, bem como do mais recente Almanaque Steampunk. Mas sobre as escolhas de Artur Coelho não falo mais – podem encontrar detalhe sobre as mesmas no seu blog.

stories ted chiang

Eis então as minhas escolhas e os motivos que me levaram a selecioná-los. A maioria dos volumes que referi são colectâneas, volumes que reúnem as melhores histórias de alguns autores – já que contos não vendem, este ano foi o que mais li.

O primeiro volume escolhido foi Stories of Your Life and Others de Ted Chiang. Esta foi uma das grandes descobertas do ano. O autor possui contos excepcionais, bem escritos, de premissas desenvolvidas de forma concisa, mas sem sacrificar a empatia das personagens, e dando espaço para o desenrolar dos acontecimentos. A maioria dos contos têm uma de duas premissas: inteligência ou religião.

Os contos de premissa centrada na inteligência desenvolvem-se utilizando ora a inteligência artificial, ora a inteligência humana artificialmente aumentada. Temos assim manipulação de genes que leva a uma nova raça de seres humanos, intelectualmente incompátiveis com os restantes, ou grandes duelos entre dois seres humanos que, de tão inteligentes jogam xadrez com a realidade. Do lado da inteligência artificial temos o conto que dá nome ao conjunto, onde se codificam várias entidades, uma espécie de bonecos virtuais com capacidade de aprendizagem e desenvolvimento, que ao revelarem pensamentos e sentimentos, levam a várias questões sobre onde começará a identidade e os direitos e deveres associados.

Os contos de premissa religiosa não possuem uma perspectiva muito positiva. Ora existem anjos que transformam os humanos, mas nem sempre de forma positiva, fazendo com que percam um braço ou uma perna, sem qualquer explicação; ora apresentam uma nova versão da construção da Torre de Babel onde os homens a terminam, chegando à cúpula celeste.

Mas a colectânea possui, também, várias histórias fora destas premissas. Uma delas apresenta-nos seres inteligentes e humanóides, uma espécie de robots que vivem num mundo quase hermeticamente fechado. A pouca perda de energia fã-los viver cada vez mais lentamente.

the bees

The Bees de Laline Paull não tem uma das premissas mais originais nem é, formalmente, dos melhores livros do último ano. Demasiado centrado numa única personagem demasiado multifacetada,é, no entanto, uma leitura que me entreteve bastante e que tive de referir. Capaz de nos fazer simpatizar com a personagem, possui descrições de como as abelhas se fascinam perante a abelha rainha, e apresenta-nos uma rígida hierarquia na colmeia. Ainda que não ocorra nenhum acontecimento político é um género de distopia animal em que a rigidez social é uma constante já esperada.

deathbird

Se as leituras anteriores se apresentam bastante simpáticas, criando empatia com o leitor, este Deathbird Stories de Harlan Ellison é brutal, visceral e simultaneamente fascinante. O leitor assiste mesmerizado a cenas horrendas, que, são descritas de tal forma, que despertam o lado animal do ser humano. Assim começa a colectânea com um conto brutal, onde todo o bairro assiste, estático, ao homicídio de uma mulher. Um crime sangrento e ruidoso, quase teatral, em que a vítima agonia impotente.

Os restantes contos apresentam ecos deste misto de fascínio e aversão, como que transformando o leitor num dos habitantes do tal bairro, descrevendo de forma controlada mas quase sádica, episódios horrendos com pitadas de ironia que fazem o leitor assistir quase estático.

mesa com kafka

Aqui está um livro que se destaca bastante dos anteriores, nem que seja por poder ser encontrado na secção de culinária. E se calhar esta caracterização nem estará assim tão errada porque o livro, na verdade, até apresenta receitas. À mesa com Kafka apresenta ingredientes e modos de preparo, mas dentro do contexto de uma história que é contada ao estilo de algum escritor conhecido.

E que bem é esse estilo simulado. Sopa rápida de miso a la Franz Kafka recorda na perfeição o livro O Processo, descrevendo um episódio que facilmente poderia ser encaixado no livro sem problema algum. Outro dos contos que achei peculiar é Ovos com estragão a la Jane Austen que se centra numa senhora que pretende apresentar os seus belos ovos à sociedade. De origem menos elevada do que a daqueles a quem pretende apresentar os ovos, procura uma forma de os enaltecer sem cair no ridículo. Já Passarinhas desossadas e recheadas a la Marquês de Sade foi o conto lido no Recordar os Esquecidos e que me fez adquirir o livro.

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Das colectâneas apresentadas, esta, Trigger Warning, é decerto a menos coesa, quer em conteúdo, quer em formato das histórias. Apresentando ora poemas curtos e estranhos (como uma ode a uma cadeira), ora descrições de fotos mórbidas, ora longas histórias que já foram publicadas isoladamente, destaca-se sobretudo por algumas histórias excelentes que fazem valer a pena o livro.

Para além de apresentar o conto The Sleeper and the Spindle (que ganha maior dimensão na versão ilustrada), destacam-se dois contos centrados em personagens bastante conhecidas de todos: Dr. Who e Sherlock Holmes. O primeiro é uma aventura engraçada e caricata que reconstrói de forma impecável o ambiente da série. O segundo apresenta-nos o detective já idoso, explicando parte do seu fascínio por abelhas.

pump six

A maioria das histórias de Paolo Bacigalupi em Pump Six and other stories apresentam um mundo ecologicamente destruído. O nível das águas sobe de tal forma que grande parte do território está inundado gerando milhões de refugiados e a maioria das espécies animais e vegetais foi extinta. Gera-se fome quer pela indisponibilidade de terreno, quer pela extinção em massa. Para compensar, existem fortes investimentos na biologia molecular que produzem várias espécies artificiais, mais adaptadas à nova realidade.

Um dos melhores contos foge, no entanto, deste contexto. Pump six, a história que deu origem ao conjunto foi o conto que me deu a conhecer o autor, e um exemplo extraordinário de uma história apocalíptica contada ironicamente. A história começa com um homem a entrar na cozinha, e a encontrar a esposa com a cabeça dentro do fogão, com um fósforo acesso, procurando a origem de uma fuga de gás. Depois de a retirar, explica-lhe a estupidez do cenário, relembrando um outro episódio onde teria tentado limpar uma tomada com um garfo. Percebemos dentro de pouco tempo o que se passa: a água cada vez mais contaminada das canalizações está a embrutecer e a transformar os seres humanos de tal maneira que alguns já são autênticos animais, restringindo-se a três actividades, copular, comer e pregar partidas.

stranger in olondria

Melancólico e estranho, A Stranger in Olondria, centra-se numa personagem que tem tudo para ser um herói típico de aventuras fantásticas. Enganem-se. O fascínio que nutre por outra civilização onde espera encontrar livros sem fim e viver descansadamente, torna-se um pesadelo de perseguições religiosas, febres constantes em que não sabe se está a ser assombrado ou se terá sucessivos pesadelos desgastantes.

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As próximas referências são livros que se encontram no meu radar para aquisições futuras. City of Blades será o segundo de uma trilogia de volumes independentes. O primeiro, City of Stairs, foi uma das melhores leituras do ano passado e é com curiosidade que aguardo este. O mundo onde decorre possui duas civilizações concorrentes, uma de tecnologia evoluída e outra de grandiosos edifícios construídos por Deuses. Quando os Deuses são assassinados, os edifícios desaparecem, mas persistem as escadas construídas pelos humanos. A cidade fica, assim, carregada de escadas, escadarias, pequenos degraus e caracóis que levam a lado nenhum – pedaços que recordam os milhões de pessoas que desapareceram com os edifícios.

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The Flicker Men parece ser uma das grandes promessas dos próximos tempos. Não foi a sinopse que me captou, mas várias críticas que o descrevem como uma espécie de cruzamento entre Stephen Hawking e Stephen King, ou seja, contendo grande detalhe científico num excelente thriller.

A última referência não tem, ainda, capa. Big Book of SF será o grande projecto de Ann e Jeff Vandermeer para o próximo ano, onde pretendem reunir ficção científica exemplificativa de todo o século XX, com os mais variados temas, origens e desenvolvimentos.

Outros resumos das sessões de Conversas Imaginárias 2015

Bang! N.º 19 – Não ficção

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Cada lançamento de um novo número da revista é uma celebração. De distribuição gratuita e impressão a cores, peca em formato apenas no grande tamanho da página que dificulta o transporte e a leitura em qualquer sítio que não seja a nossa casa. Mas passemos ao conteúdo. É de realçar o texto introdutório de George R. R. Martin à antologia recentemente publicada, Histórias de Aventureiros e Patifes, bem como o texto de João Seixas sobre Ray Bradbury. Encontramos, também, interessantes referências a Shirley Jackson e Lovecraft.

A revista inicia-se com uma introdução mais política de Safaa Dib, fruto dos tempos que ocorrem, relacionando esta temática com a ficção científica. A esta, segue-se o usual texto do editor Luís Corte Real sobre a colecção Bang! que auspicia boas novidades para os apreciadores de ficção científica: Annihilation de Jeff Vandermeer (Hooray), A Balada de Antel (vencedor do prémio Bang|) e a publicação de Terrarium de Luís Filipe Silva e João Barreiros numa nova edição revista. Ficou apenas a faltar a referência a uma data prevista para The Fifteen Lives of Harry August, livro que a editora chegou a anunciar o pré-lançamento para o retirar de imediato. Esperemos, então, um pouco mais.

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Uma das mais belas e simples capas de Annihilation

Ainda que me entusiasmem mais os lançamentos de ficção científica, não é de esquecer os próximos de fantasia, com a antologia, já publicada entretanto, Histórias de Aventureiros e Patifes, organizada por George R. R. Martin; ou The Witcher de Andrej Sapkowski. A estas futuras publicações seguem-se sugestões de outras obras, como o The Martian, ou o Estação Onze (um excelente lançamento da Editorial Presença).

A Arquitecturas da loucura em que Jorge Palinhos fala um pouco de cinema de horror (bem a propósito do Halloween) segue-se um texto de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Metais pesados. Ocupando uma página disserta sobre o snobismo da literatura dita séria em comparação com a literatura de género, escondida e marginalizada. Uma discussão que dá pano para muitas mangas – até porque quem se esconde da FC são essencialmente leitores de best-sellers que do género pouco ou nada sabem. Esta temática será novamente vislumbrada no artigo de João Seixas, em enquadramento distinto.

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A componente de não ficção continua com um bom artigo sobre Banda Desenhada por João Lameiras, sobre Simon du Fleuve, o herói da série de Claude Auclair, e com um artigo sobre cinema de horror de António Monteiro onde disserta sobretudo em torno do The Omen.

Todos adoram um patife é a próxima secção, o nome que foi dado para a transcrição do prefácio de Histórias de Aventureiros e Patifes, escrita por George R. R. Martin, um dos organizadores da antologia. Neste texto, George R. R. Martin aproveita para apresentar alguns bons vilões de cinema e de literatura que, decerto, farão o leitor procurar por alguns destes filmes e livros.

Apesar de não ser particularmente fã dos Iron Maiden (aprecio de algumas músicas, mas a globalidade da sua obra não corresponde aos meus gostos), achei interessante o artigo de Ricardo S. Amorim onde se destacam alguns dos temas literários integrados nos álbuns do grupo. Encontram-se assim referências tão variadas como Poe, Lovecraft ou C. S. Lewis, sobretudo de títulos de horror e ficção científica que terão sido aproveitados quer nas letras, quer nas capas.

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Seguem-se várias críticas a um dos mais recentes lançamentos fantásticos da Saída de Emergência, Rainha Vermelha de Victoria Aveyard, uma entrevista à autora e exposição de alguns factos e personagens que permitem introduzir à obra, cuja premissa exposta me recordou A Trilogia do Mágico Negro de Trudi Canavan (publicada em Portugal há alguns anos).

O Mythos Lovecraftiano nos jogos narrativos de Pedro Lisboa, debruça-se sobre um dos mestres do horror para dissertar sobre a influência nos vários meios que nos rodeiam, dando especial realce aos RPG’s.

De seguida, destaca-se o longo artigo sobre Ray Bradbury de João Seixas, O Futuro é hoje: alimentando as chamas, destruindo o cânone. Como não gostar de um artigo que, expondo alguns factos da vida do escritor, está carregado de referências às suas obras mais emblemáticas?

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Depois deste artigo, ponto algo da revista, os restantes surgem menos iluminados. O Trio Fantástico Carey, Durham e Hobb apresenta uma análise a três das sagas fantásticas que não me interessou o suficiente, o género de análise que possui variáveis como grau de paixão ou conflito que,  dissecando um pouco as séries, não é alto que goste de ler.

Figuras Clássicas do Terror traz-nos um conjunto interessante de ilustrações de monstros conhecidos, de diversos autores que referem um pouco sobre o método de criação da ilustração. Gostei particularmente do Olharapo e do Skeleton Army.

No final uma surpresa. A secção de Sugestões FNAC que já trouxe algumas referências insípidas, sugere agora Shirley Jackson, a autora de obras como Sempre vivemos no castelo ou The Lottery.

Em suma. Após 19 edições a Bang! continua de boa saúde e recomenda-se. Se considerarmos que a revista é gratuita, ainda mais. Notam-se novos nomes nos artigos, o que vai garantindo a introdução de novas ideias e conteúdos, mas nota-se, também, o aumento do conteúdo de propaganda às próprias obras da editora, Saída de Emergência. O que gostava que houvesse de diferente? Maior exposição do que se vai fazendo lá fora, e que quase não chega a Portugal.

Resumo de Leituras

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85 – Uprooted – Naomi Novik – De tom juvenil, possui ideias interessantes como premissa do mundo mágico que se nos apresenta: uma floresta negra em permanente tentativa de expansão, comandando monstros que corrompem tudo aquilo em que tocam, humanos ou animais. Apesar da base original, apresenta-nos uma heroína que tudo pode e a todos surpreende, limitando as restantes personagens a bonecos, sem verdadeira presença;

86 – The Fortuitous Meeting – Christopher Kastensmidt – Divertida aventura, supostamente a primeira de muitas, onde as duas personagens principais se encontram em circunstâncias peculiares, e onde dão a conhecer a sua sagacidade e desenvoltura. Deixou-me curiosa para ler algo mais e perceber como vai funcionar a dupla aventureira;

87 – Tony Chu Vol. 2 – Continuação da aventura iniciada no primeiro volume, recupera o antigo parceiro de Tony Chu, resultando numa equipa de poderes peculiares. Consegue manter-se engraçado mesmo depois de perder a novidade da ideia apresentada no primeiro volume.

88 – O Processo – Franz Kafka – Clássico muito badalado de Kafka sobre um homem que se vê processado sem que lhe seja dado conhecimento do motivo do processo. A pouco importância que lhe dá vai sendo substituída por uma obsessão crescente por tudo o que envolve o processo ao mesmo tempo que procura a sua origem. Talvez por já lhe conhecer o final há muito tempo, achei que se alongou demasiado. Ou fui eu que o li com pouca paciência.

Eventos de Verão

Basta abrir este blog para se perceber que a leitura é algo indispensável na minha vida. Mas claro que existe espaço para outras coisas, e estes meses de Verão são a loucura em eventos gratuitos. Esta é a razão principal para a diminuição de posts. Eis alguns eventos que me interessam (os links para os sites oficiais ou com informação mais detalhada encontram-se no título de cada evento).

programação

Programação (clicar para aumentar)

Festival ao Largo

Este festival gratuito tem trazido várias peças interessantes, existindo uma clara preocupação em apresentar músicas mais popularizadas, principalmente por filmes e musicais. O evento começou ontem e fez encher o largo S. Carlos de uma forma assustadora. Mas se não gostam de confusão, a alternativa é jantar numa das esplanadas que estão suficientemente perto para se ouvir o concerto. O festival prolonga-se até 25 de Julho e espero assistir a todos os concertos que conseguir.

encerramento

Festas de Lisboa

Este está no final, mas ao longo do mês foram várias as iniciativas que animaram a cidade. O espectáculo de encerramente começou ontem (dia 03 de Julho) e termina hoje com mais música e fogo de artifício. A ocorrer no Terreiro do Paço, promete uma grande diversidade de músicos portugueses.

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Lisbon Music Fest

A decorrer em vários locais pela zona de Lisboa, estende-se a Cascais, Évora, Figueira da Foz, Peniche e Batalha e tem apenas o inconveniente de decorrer nos mesmos dias que outros espectáculos. De entrada gratuita, tem um programa diversificado, tanto em termos de conteúdo como de localização sendo que as ruínas do convento do Carmo, Quinta da Regaleira, Igreja da Graça ou o Mosteiro da Batalha são apenas alguns dos locais escolhidos.

convenção

Sci-fi Lx

Porque pelo meio tinha de existir algo mais geek, eis a Convenção Internacional de Ficção Científica de Lisboa que irá decorrer nos dias 18 e 19 de Julho, no Instituto Superior Técnico. Estou curiosa quanto a este !

cineconchas 2015

Cineconchas 2015

Eis uma oportunidade para ver alguns filmes gratuitamente e ao ar livre.

2014-8-22--29--concerto-dos-Timespine-crop-1140x370-12x370Noites de Verão no MNAC

De entrada livre, decorre no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, mais propriamente nos jardins de Escultura. No link podem consultar a programação completa.

jazz

JiGG

Este é pago (5€) mas parece valer a pena para quem gosta de Jazz. O JiGG (Jazz im Goethe-Garten) é um festival de jazz europeu que decorre entre os dias 01 e 16 de Julho, apresentando oito concertos de bandas de vários países europeus.

OUT JAZZ

MEO OUT JAZZ

Com um extenso programa de Verão, decorre em Lisboa e arredores, até final de Setembro.

Maio de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Este foi um bom mês para os lançamentos nacionais:

O Grande Bazar – Peter V. Brett – Asa;

Número zero – Umberto Eco – Gradiva;

Os bebés de água – Charles Kingsley – Tinta-da-china;

A pedra das águas – Terry Goodkind – Porto Editora;

A espada de Shannara – Terry Brooks – Saída de Emergência;

Estamos todos completamente fora de nós – Karen Joy Fowler – Clube do autor;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Gailivro;

Viagens de Chapéu – Susana Cardoso Ferreira – Oficina do livro.

Críticas interessantes

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Ficção científica

Dreaming 2074 – Vários autores – Intergalacticrobot;

The Lifecycle of Software Objects – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Wayward Pines – Blake Crouch – Livros, livros e mais livros;

O Guardião de Memórias – Lois Lowry – Folhas do Mundo;

Over the top – Vários autores – Intergalacticrobot;

Mais que humano – Theodore Sturgeon – Que a Estante nos Caia em Cima;

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Fantasia

Insonho: Durma bem – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Monstros fantásticos e onde encontrá-los – Newt Scamander – Deus me Livro;

A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

As Terras Devastadas – Stephen King – Nuno Ferreira;

A Lâmina – Joe Abercrombie – Livros, livros e mais livros;

O Dragão de gelo – George R. R. Martin – Deus me Livro;

Solomon – Carlos Pedro – aCalopsia;

Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness – Uma Biblioteca em Construção;

Roy Just Wants to Have Fun – Victor Frazão – Uma Biblioteca em Construção;

Dias de sangue e glória – Laini Taylor – Deus me Livro;

Deixa-me entrar – John Ajvide Lindqvist – Livros, livros e mais livros;

Universos Literários – Vários autores – Floresta de Livros;

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Deus me Livro;

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Banda desenhada

Mort Cinder – Héctor Oesterheld – Intergalacticrobot;

Bando de dois – Danilo Beyruth – As leituras do Pedro;

Saga (Vol. 1 e 2) – Brian Vaughan – Leituras de BD;

O Cavaleiro de Westeros – George R. R. Martin – Leituras do Corvo;

O Long Halloween – Jeph Loeb – Que a Estante nos Caia em Cima;

Fatale (Vol. 2) – Ed Brubaker e Sean Philips – As leituras do Pedro;

O livro do Mr. Natural – Robert Crumb – Intergalacticrobot;

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Outros

As Cidades Invisíveis – Italo Calvino – Nuno Ferreira;

A Alquimista das Cores – Aimee Bender – As Leituras do Corvo;

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Outros Artigos

– Quem tem medo de Palmer Eldritch – Máquina de Escrever;

– O Templo do Espírito Santo – Flannery O’Connor – Contos não Vendem;

– “Frankenstein” na Quinta da Regaleira – Câmara Municipal de Sintra;

– Entrevista a Lauren Beukes – Jornal i;

– Hazul por Hazul – Diário de Notícias;

– Reportagem Antena 1 sobre banda desenhada – RTP;

Science Fiction and Fantasy Books at Bivar Bookshop;

– 17 Imagens que colocam Portugal no Centro da Arte Urbana – Green Savers;

Eventos

– Outras literaturas: Ficção científica – Intergalacticrobot;

– Sustos às sextas V – Intergalacticrobot;

– Feira do Livro do Centro de Recursos Poeta José Fanha – Intergalacticrobot;

– XI Festival Internacional de BD de Beja – Leituras de BD – Fotoreportagem e Opinião;

– Tolkien: Constructor de Mundos – Viagem a Andrómeda [mini];

Recordar os Esquecidos;

Resumos mensais anteriores

Fevereiro 2015

Março 2015

Abril 2015

Fevereiro de 2015

Eis mais um resumo mensal, desta vez com uma pequena modificação de formato.

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Críticas interessantes

Ficção Científica

O Verdadeiro Dr. Fausto – Michael Swanwick – Leituras do Corvo Fiacha;

Por Mundos Divergentes – Vários autores – Que a Estante nos Caia em Cima;

Exhalation – Ted Chiang – Nuno Ferreira;

Fantasia

A Segunda Vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Deus me Livro;

Mares de SangueScott Lynch – Nuno Ferreira;

O Poço da Ascenção – Brandon Sanderson – Deus me Livro;

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Banda desenhada

A Morte Persegue-me – Ed Brubaker – Que a Estante nos Caia em Cima;

Poem Strip – Dino Buzzati – aCalopsia;

2001 Nights – Intergalacticrobot;

Revoir Paris – Benoit Peeters, François Schuiten – Intergalacticrobot;

Habibi – Craig Thomson – Cadeirão Voltaire;

Outros

O Deserto dos Tártaros – Dino Buzzati – Leituras do Corvo Fiacha;

A Biblioteca – Zoran Zivkovic – Deus me Livro;

Contos reunidos – Aldous Huxley – Deus me Livro;

contos nao vendem

Outros artigos

Vejam Lisboa na Era Neo-Vitoriana – Game Over – Adaptação de várias cidades ao estilo do The Order: 1886 – mas se quiserem ver as imagens oficiais, eis;

O Regresso de Luís Louro: 1994 a 2007 – aCalopsia;

Fantasporto procura histórias… – Simetria;

Micro-contos de Jacques Sternberg, lidos por Joana Bértholo – Contos não vendem;

EBA: Dança e Storytelling – Virtual Illusion.

Lançamentos nacionais mais relevantes

Terras devastadas Stephen King – publicado pela Bertrand é o terceiro volume da série;

O Poço da Ascenção – Brandon Sanderson – publicado pela Saída de Emergência, pertence à saga Mistborn;

A Quimera de Praga – Taini Taylor – a nova aposta fantástica da Porto Editora;

Sete minutos depois da meia noite – Patrick Ness – pela Editorial Presença parece ser um juvenil fantástico com elementos de horror;

Colecção Novela Gráfica – saiu o primeiro volume, Um Contrato com Deus, em capa dura e preço acessível;

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – apesar de existirem volumes com a obra completa, a Quetzal tem publicado estes pequenos conjuntos, mais manobráveis.

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Eventos

Se normalmente os eventos se costumam acumular todos por volta de Outubro / Novembro, parece que este ano é a excepção. Os eventos iniciados em Janeiro prosseguem, e esperemos que assim seja nos próximos meses:

Sustos às sextas – a segunda sessão foi marcada por interpretação ao vivo de passagens do Fantasma da Ópera, por uma pequena sessão em torno do filme Coisa Ruim, e pela leitura de um conto de António Monteiro à luz das velas;

Recordar os Esquecidos – decorreu a segunda sessão de Recordar os Esquecidos na Almedina, sessões moderadas por João Morales onde convidados recordam livros que poucos lembram, ou que nunca foram muito conhecidos.

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Outros resumos

Novembro 2014

Dezembro 2014

Janeiro 2015

Eventos: Sustos às sextas (Sessão de 13 de Fevereiro)

Sustos às sextas é o nome de um evento que se dispõe a falar de horror em diversas artes ao longo de cinco sessões mensais, no Palácio dos Aciprestes em Linda-a-velha. Não tendo podido ir à primeira sessão, foi com agradável surpresa que entrei no belíssimo espaço, através de uma sombria entrada lateral, bem enquadrada no espírito do evento.

Lá dentro, aguardava-me um ambiente acolhedor e nada escuro, com exposições artísticas de teor fantástico (ou fantasioso), de acordo com a temática. Mas o inesperado é a sala principal – mesmo depois de ter visto as fotos da sessão anterior, o espaço que encontrei é ainda mais acolhedor e propício.

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Anabela Paixão e António Leitão com Manuela Fonseca ao piano

 

Sentados, eis que a sessão começa com a apresentação de dois trechos do Fantasma da Ópera de Andrew Lloyd Weber. Após a introdução do Prof. Fernando Serafim os trechos foram interpretados por Anabela Paixão e António Leitão, acompanhados por Manuela Fonseca ao Piano. Uma performance arrepiante que começou com uma das mais conhecidas e marcantes músicas deste espectáculo.

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Coisa Ruim – conversa com Rodrigo Guedes de Carvalho e Frederico Serra

 

Segue-se uma pequena apresentação de alguns dos mais conhecidos filmes de horror, que nos pretende introduzir à conversa em torno de Coisa Ruim, com Rodrigo Guedes de Carvalho e Frederico Serra. Para quem não viu o filme, tenho a dizer que foi dos poucos filmes portugueses que apreciei. Sem ser um supra-sumo do cinema, destacou-se por aproveitar o ambiente aterrador das quase abandonadas aldeias portuguesas, trazendo à tona o clima supersticioso do interior português.

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António Monteiro em leitura de um conto do próprio

 

Após um breve intervalo, inicia-se a terceira e última parte da sessão, a leitura de um conto de horror por António Monteiro da autoria do próprio. Em sala escura iluminada apenas por velas, ouviu-se uma história onde, novamente, se destaca o ambiente rural e sombrio do interior, onde os idosos continuam a fazer as suas mezinhas, e onde se acredita que o diabo anda à solta.

Em suma, espaço extraordinário para um evento muito agradável que aconselho vivamente, e espero que nada me impeça de poder comparecer às próximas sessões.

Página Oficial do Evento

Eventos: Sustos às sextas

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Cartaz de Luiz Morgadinho

 

Sustos às sextas é um ciclo de palestras e arte sobre o terror e o sobrenatural, que irá decorrer em Linda-a-velha de Janeiro a Maio, sempre numa sexta-feira. Está previsto que sejam abordados temas como a literatura, o cinema, o teatro, a fotografia, a ilustração, a pintura e a escultura. No âmbito do evento existe ainda um concurso de contos de terror.

Mais detalhes sobre o ciclo estão a ser publicados na página de facebook do evento, mas já se conhece o orador para o dia 17 de Abril – David Soares.

Fórum Fantástico: Sugestões de Leitura (e não só…) – Parte 1

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E porque as sugestões passam a correr, e não há bloco de notas que resista, eis a lista das sugestões apresentadas por todos. Dividi nas três partes da apresentação (Sugestões, Lançamentos e Horrores) para mais fácil consulta e percepção. Neste post ficam só as sugestões, sejam de leitura ou cinema, bem como indicação de quem as apresentou:

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Of Bone and Thunder de Chris Evans – João Barreiros – ficaram-me as palavras “floresta vietnamita” e “dragões senis que explodem”. No mínimo curioso;

World of Trouble de Ben H. Winters – João Barreiros

– American Elsewhere de Robert Jackson Bennett – João Barreiros

Bird Box de John Malerman – João Barreiros

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Trafalgar de Angélica Gorodischer – Cristina Alves

Among Others de Jo Walton – Cristina Alves

Antígona Gelada – Artur Coelho

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Nome de código Portograal de Luís Corredoura – Artur Coelho

Por vós lhes mandarei embaixadores de Jorge Candeias – Artur Coelho

Ancillary Justice de Ann Leckie – João Campos

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Echopraxia de Peter Watts – João Barreiros

The Peripheral de William Gibson – João Barreiros

Authority de Jeff Vandermeer – João Barreiros

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Bête de Adam Roberts – João Barreiros

Three Parts Dead de Max Gladstone – João Barreiros

London Falling de Paul Cornell – João Barreiros

Esta semana

The Night Circus de Erin Morgenstern – Cristina Alves

Kindred de Octavia E. Butler – Cristina Alves

War Stories – Cristina Alves

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– Edge of Tomorrow – João Campos

– The Guardians of the Galaxy – João Campos

– The Zero Theorem – João Campos

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The Wandering Earth de Liu Cixin – Artur Coelho

The Second Machine Age de Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee – Artur Coelho

Transcendental de James Gunn – Artur Coelho

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Gorel and the pot-bellied God de Lavid Tidhar – Cristina Alves

Station Eleven de Emily St. John Mandel – Cristina Alves

The House of War and Witness de Mike, Linda & Lousie Carey – Cristina Alves

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– The Congress – João Campos

– Under the Skin – João Campos

– Cidade Suspensa de Penim Loureiro – Artur Coelho

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Dylan Dog – Artur Coelho

Starlight de Mark Millar e Goran Parlov – Artur Coelho

Moon Knight de Warren Ellis, Declan Shalvey e Jordie Bellaire – Artur Coelho

Trillium de Jeff Lemire – Artur Coelho

Eventos: Fórum fantástico – dia 2

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Após uma grande correria, lá cheguei ao Fórum, ainda a tempo da apresentação da antologia Comandante Serralves (a qual já li e comentei), um projecto que me parece interessante ir acompanhando. Seguiu-se a apresentação da antologia Insonho, pela qual estou curiosa, mas que ainda não foi lançado – uma séria de histórias fantásticas (ou sobrenaturais) que ocorrem em terras portuguesas (de preferência, bem no meio das vilas inóspidas).

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De seguida aproveitei para lanchar, voltando para o debate em torno de Cortázar em que participaram José Mário Silva, Diogo Madre Deus e João Morales. Ainda em torno de Cortazar, foram apresentados os vencedores dos prémios de fotografia Cortázar Frames. E eis finalmente o grande momento da noite: Por onde anda Rhys Hughes? onde o autor galês discursou sobre as suas obras e influências literárias, passando por vários autores sul americanos (alguns óbvios como Borges ou Córtazar), ou latinos.

O dia terminou com a apresentação dos Prémios Adamastor do Fantástico, de onde se destaca a categoria votada pelo público, onde ganhou Lisboa no Ano 2000 (antologia organizada por João Barreiros).