Retrospectiva 2017 – O Rascunhos em Banda desenhada

Numa contagem desatenta percebo que ultrapassei o número de leituras de banda desenhada do ano passado, rondando quase as 200 leituras, algumas (poucas) em francês ou espanhol, mas sobretudo em inglês e português (este registo passou a ser feito no Goodreads). Considero que este foi um grande ano na publicação da banda desenhada em Portugal, com a colecção de Novela Gráfica publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público, a lançar grandes obras que, de outra forma, dificilmente veriam a luz da edição portuguesa, e editoras nacionais a lançarem-se, pela primeira vez, na publicação de banda desenhada.

Banda desenhada portuguesa

 

 

 

 

 

 

 

A melhor leitura – O problema de separar em categorias e ter uma só para a banda desenhada portuguesa é ter de comparar obras bastante diferentes em tom e tema. Eis, portanto, as duas melhores leituras do ano em banda desenhada portuguesa : O Elixir da Eterna Juventude de Fernando Dordio e Osvaldo Medina e Comer Beber de Filipe Melo e Juan Cavia. O primeiro destaca-se pelo tom leve com que integra as músicas de Sérgio Godinho numa aventura divertida e o segundo pela qualidade do desenho e pelos temas, mais sérios, abordados nas duas histórias que compõem o volume que, apesar de curtas, conseguem transmitir o peso dos acontecimentos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – De Rui Lacas, Ermida é uma história curta mas caricata que inspira um enorme simpatia graças à força das expressões e dos modos que as personagens apresentam. Por sua vez, Hanuram de Ricardo Venâncio é visualmente interessante, tanto pela qualidade do desenho como pela composição, centrando-se num guerreiro que ousou desafiar os deuses ao se proclamar invencível. Totalmente diferente dos anteriores, Ermal de Miguel Santos destaca-se pela criação de uma realidade pós-apocalíptica em que o ocidente foge para território africano, resultando em guerras onde as várias facções tentam explorar interesses diferentes. No final o principal defeito é tratar-se de uma história curta. Finalmente, em tom humorístico, Conversas com os putos de Álvaro apresenta vários episódios cómicos que decorreram enquanto dava explicações.

Banda desenhada de ficção científica

A melhor leitura – Valerian de Christin e Mézières – A série publicada pela Asa em parceria com o jornal Público trouxe um conjunto de aventuras com uma qualidade que não esperava. Referida, por diversas vezes, como tendo influenciado Star Wars (ou mais do que influenciado) possui uma grande diversidade de mundos e de espécies alienígenas que se tornam fascinantes pela coerência que possuem. A dupla de agentes, por sua vez, ora viagem no espaço, ora no tempo, e se, nas primeiras aventuras as histórias são simples e quase clichés, sente-se que, com o avançar dos volumes, a série melhora, utilizando as histórias anteriores como alicerces para as seguintes, e ganha uma dimensão avassaladora.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – Pela primeira vez de que me recordo tenho de reclassificar o género de uma série. Autumnlands, que começou por parecer uma série fantástica com elementos extraordinários, assume-se, no segundo volume, como ficção científica, utilizando espécies alienígenas tecnologicamente avançadas para justificar a origem do que se pensava ser magia. Espero que o terceiro volume revele um pouco mais desta dualidade. Por sua vez, Surrogates apresenta um mundo sombrio onde se inventaram corpos artificiais para os quais as pessoas se projectam e com os quais saem à rua, protegendo-se assim de potenciais acidentes e problemas de discriminação (já que o corpo pode não ter qualquer semelhança física com o seu dono). As vantagens são, no entanto, submersas pelas desvantagens, numa sociedade cada vez mais superficial. Outra das grandes descobertas não é uma novidade em termos editoriais, mas trata-se de A feira dos imortais de Bilal, autor do qual apenas conhecia os álbuns mais modernos e só com estes percebi porque tanta gente os repudia.

Banda desenhada de horror

A melhor leitura – Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook – Depois de um excelente primeiro volume, o segundo mantém o tom negro, e percebemos que a menina com capacidades de bruxa, ao contrário do estereotipo se preocupa com a correcta utilização dos seus poderes, por forma a que exista um equilíbrio de forças. Esta preocupação será exacerbada pela entrada de uma nova personagem, uma irmã gémea que terá os meus poderes mas que não os usa de igual forma.

Banda desenhada fantástica

A melhor leitura – Monstress de Marjorie Liu e Sana TakedaMonstress fascinou pelo aspecto exótico e pela mitologia densa num mundo semelhante ao nosso, com tecnologia semi-medieval, onde existem seres semelhantes aos humanos com características de animais. Estes seres são caçados pelos humanos a mando de feiticeiras que com eles pretendem realizar experiências. Enquanto os supostos monstros são emocionalmente mais humanos do que os humanos e os deuses se escondem, simultaneamente dependentes e poderosos, temos uma espécie inteligente de gatos que se dedica a registar e a passar, de geração em geração, a história deste complexo mundo;

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – A famosa série Sandman foi finalmente publicada em Portugal numa parceria entre a Levoir e o jornal Público. Ainda não li todos os volumes mas a série, melancólica, centra-se na figura eterna responsável pelos sonhos cruzando as histórias mitológicas de várias civilizações. O resultado é uma história abismal onde Neil Gaiman explora personagens e mitos de forma envolvente. O Rei Macaco, de Manara e Silverio Piso é uma obra visualmente impressionante, onde a figura divina de um macaco usa o seu carácter irrequieto como explorador e parte do paraíso com o intuito de se tornar imortal e assim poder usufruir eternamente do paraíso. Irónico? Bastante. São comuns os comentários políticos e religiosos, bem como as insinuações fálicas ou a observação do decadente comportamento humano. Finalmente, comecei a série East of West, uma série que cruza tecnologia e fantástico apresentando-nos a demanda dos cavaleiros do apocalipse. A Morte busca o filho que está a ser manipulado para provocar o fim da existência.

Banda desenhada histórica

A melhor leitura – Os trilhos do acaso de Paco Roca – Nesta obra publicada em dois volumes o autor explora a guerra civil espanhola numa perspectiva pouco habitual, seguindo um refugiado espanhol – um homem que se viu obrigado a deixar Espanha num barco e que mesmo assim foi sortudo, considerando que a maioria não foi capaz de embarcar. Este homem é, agora, um velhote que ninguém suspeita ter sido um herói de guerra, lutando na Segunda Guerra Mundial. O que é peculiar não é só a personagem, mas a forma como Paco Roca cria empatia e explora a história mais pelo lado humano do que pela terror da guerra.

Menções honrosas – Também Destino Adiado de Gibrat tem como palco a guerra mas, desta vez, centra-se num jovem que desertou e que, por sorte, foi dado como morto. A partir daqui consegue esconder-se na vila de origem, passando os dias sem poder ser visto, mas numa casa que lhe permite observar o quotidiano de todos.

Antologia

A melhor leituraSilêncio – Das várias antologias de contos de banda desenhada que li este ano a que mais me impressionou foi o segundo volume The Lisbon Studio com o título Silêncio. Neste volume reúne-se o trabalho de vários autores portugueses que pertencem ao mesmo estúdio e se organizaram para entregar histórias curtas centradas no mesmo tema. Este é o segundo volume da série em torno do estúdio, sendo que achei que o trabalho apresentado neste ainda conseguia ser de melhor qualidade do que no primeiro volume. Os temas são diversos bem como o estilo, entregando-se boas histórias curtas.

Menções honrosas – Flight Esta é, no mínimo, uma antologia de banda desenhada competente. Todas transmitem alguma narrativa, ainda que nalgumas se perceba que esse não é o foco (são poucas), e todas são visualmente agradáveis (no mínimo), bastantes com detalhes caricatos que transmitem simpatia ao leitor. Ainda que Flight não devesse ser um tema, mas apenas o título do volume, várias das histórias têm o voo como premissa.

Registo autobiográfico

 

A melhor leitura – Tempos Amargos de Étienne Schréder – O autor apresenta os seus piores momentos de degradação originados pelo vício do vinho. Sem conseguir terminar os estudos pretendidos, pai demasiado cedo e trabalhando numa prisão, Étienne Schréder afunda-se cada vez mais na bebedeira como possibilidade de fuga da vida que leva. Aqui expõe-se (mas tem cuidado em não expor os outros) e demonstra os anos de escuridão.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – Em Histórias do bairro o autor mostra a sua infância e, até, adolescência num bairro problemático de onde é difícil escapar. Cedo os habitantes se envolvem em actividades ilícitas que são tão comuns que quase são tomadas por normais. Mas é a capacidade de desenhar e de querer fazer algo com essa capacidade que lhe concede a porta de saída deste mundo. Em Os Ignorantes dois homens trocam paixões com o autor a mostrar a banda desenhada a um produtor de vinho, e o produtor de vinho a demonstrar as fases e segredos da sua profissão.

Outras

A melhor leitura – NonNonBa de Shigeru Mizuki – Um rapaz endiabrado mas de bom coração entrelaça o sobrenatural em todos os momentos da sua vida, fazendo com que criaturas diferentes sejam vistas como a causa para os eventos que os rodeiam. Este rapaz encontra-se no Japão rural, fazendo com que percepcionemos a pobreza deste ambiente, afastado das maravilhas da cidade. Para além deste retrato, que é um factor de peso para ter gostado tanto deste livro, outro elemento importante é o caricato das personagens que nos envolve e cativa, contrastando com os cenários detalhados, bem como a forma como transforma episódios quase banais em grandes aventuras sobrenaturais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas Daytripper foi uma excelente surpresa, explorando a vida como uma série de pequenas fugas a eventos terminais numa história inspiradora e envolvente. Já The Fade Out destacou-se pela temática, com a apresentação de um crime nos bastidores do cinema de Hollywood dos anos 40 num ambiente negro e decadente. Da mesma dupla criativa, Criminal segue a vida de uma série de pessoas que retornam, voluntaria ou involuntariamente a vida do crime. Southern Bastards retrata  o interior americano onde o equilíbrio de forças é controlado pelo maior criminoso local que mantém debaixo de olho até a polícia. Num tom totalmente diferente, Jardim de Inverno é um relato delicioso e expressivo que apresenta a existência cinzenta de um rapaz na cidade.

A Melhor leitura – Tony Chu de John Layman e Rob Guillory A série centra-se em poderes associados à comida e, partindo de Tony Chu, um agente enfezado que percepciona a vida de tudo aquilo que come, tem conseguido centrar-se noutras personagens e manter o interesse do leitor com elementos cada vez mais estranhos.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – É impossível não falar de série de banda desenhada e deixar de fora Saga. Ainda que, nos últimos volumes, sinta que faltam elementos inovadores e que a narrativa está “apenas” a colocar as personagens no local que deseja para poder desenrolar um final, continua a ser uma série interessante e mirabolante, com elementos leves e trágicos, uma piada às séries de ficção científica e fantasia mais conhecidas. Finalmente, estou na leitura da série Fables que tem altos e baixos. Os últimos volumes (13 e 14) que li destacam-se visualmente, com belíssimas composições (que merecia uma melhor qualidade do papel em que é impresso, mas essa é a mesma discussão de sempre em relação à banda desenhada da Vertigo).

Outras retrospectivas

Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

A Biblioteca à noite – Alberto Manguel

Livros sobre livros. E que tal livros sobre bibliotecas? Partindo da sua própria biblioteca que está albergada num local com uma fascinante história própria, Alberto Manguel discorre sobre várias bibliotecas, seja do ponto de vista de conteúdo, organização ou democratização.

Claro que não é possível falar de bibliotecas sem falar das desaparecidas e míticas, como a de Alexandria. Mas como esta, existem outras, reunidas em determinados locais para simplesmente serem extintas, de repente, por algum conservador de ideias que vê, nos livros, uma afronta e um perigo.

Utilizadas para manipulação política (o autor descreve casos em que a disponibilização ou maior destaque foi dado a determinadas publicações), como estrutura diferenciadora de classes (numa altura em que o acesso a livros poderia aprofundar diferenças culturais) ou como monumento de prestígio (que homens ricos deixavam não porque valorizassem a cultura, mas porque desejavam ter o seu nome realçado) as bibliotecas, com os respectivos livros, têm marcado culturas e gerações.

Organizadas de determinadas formas (alguns métodos convertem-se em autênticas dores de cabeça), mantendo, por vezes, a nomenclatura dos donos originais, as bibliotecas privadas reflectem os seus donos, pela diversidade e composição das obras, e representam fisicamente associações de ideias:

Os nossos livros decorrem de outros livros, que os mudam ou enriquecem, que lhes atribuem uma cronologia diferente da dos dicionários literários.

A Biblioteca à noite, publicado em Portugal pela Tinta da China é uma leitura fascinante para quem gosta de livros e bibliotecas – carregado de curiosidades e sem se conter em fazer observações políticas e históricas sobre o acesso à cultura. Cruzando diferenças culturais e históricas com a actualidade ocidental, realça o mistério da biblioteca à noite, obscura, carregando todas as possibilidades e todos os livros, os lidos e os não lidos.

Algumas novidades para o Amadora BD

O AmadoraBD começou ontem e com a aproximação do evento as editoras têm anunciado algumas das novidades que têm preparado. Eis alguns lançamentos, da G Floy e da Arte de Autor. Nos próximos dias seguir-se-ão mais alguns !

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Várias histórias se cruzam neste volume: Gwendolyn e a Gata Mentirosa arriscam tudo para tentarem encontrar uma cura para A Vontade, enquanto Marko e o Príncipe Robot IV se tornam aliados improváveis na busca dos seus filhos desaparecidos, presos num mundo estranho por terríveis inimigos.

Fantasia e ficção científica – e sexo, política, traição, morte, amor verdadeiro e reality shows – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples.

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udo o que ela queria, era ter sido super-heroína…

As aventuras da Vingadora que se tornou detective privada continuam em mais dois casos. Jessica Jones viaja para uma pequena cidade do interior, uma cidade cheia de preconceitos e racismo, para investigar a desaparição de uma adolescente que todos acreditam ser uma mutante… mas será mesmo? E, logo depois, a nossa investigadora azarada vai sair num encontro com… o Homem-Formiga?!

Continuam as aventuras da heroína de banda desenhada da Marvel que deu origem à série de TV da NETFLIX com o mesmo nome!

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Anne tem 19 anos, e parte um osso do tornozelo chamado astrágalo, ao saltar a parede da prisão onde está presa por assalto. Salva por Julien, um ladrão como ela, Anne irá esconder-se, sofrer, rebelar-se, voltar a fugir, tanto faz, está loucamente apaixonada por Julien.

Estavam em fuga, livres e totalmente, furiosamente selvagens… E a sociedade autoritária do pós-guerra da França vai fazer-lhes pagar o preço dessa liberdade.

Adaptado do romance de Albertine Sarrazin, O Astrágalo fez descobrir a milhões de leitores o destino de uma jovem mulher escandalosamente livre na França de antes de Maio 68. Desse destino, Albertine Sarrazin conseguiu fazer uma obra-prima, marcada pelo signo de uma liberdade audaciosa, tónica e cheia de humor. O Astrágalo é o primeiro volume de uma autobiografia em três volumes. No ano em que saiu o terceiro, 1967, Albertine Sarrazin morreria numa mesa de operações. Ainda não tinha 30 anos.

“Albertine, a pequena santa dos escritores inconformistas. Pergunto-me se sem ela, eu seria o que sou hoje. O seu mantra juvenil foi aceite de corpo e alma, impregnando o meu espírito juvenil.”
Patti Smith

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Na pequena vila de Harrow County, no Sul dos Estados Unidos, a jovem Emmy sempre soube que a floresta à volta da sua casa estava cheia de fantasmas e monstros. Mas, na véspera do seu décimo oitavo aniversário, ela descobre que está profundamente ligada a essas criaturas – e à própria terra que pisa – de uma maneira que nunca poderia ter imaginado. Aos poucos, sentirá nascer dentro dela os estranhos poderes que a ligam ao passado de Harrow County… estará ela pronta para enfrentar todos os seus mistérios?

Considerada pelo lendário Mike Mignola como a melhor série do ano de 2015, Harrow County conta-nos a viagem iniciática de uma jovem rapariga numa terra imbuída de sobrenatural. Uma história terrível e onírica ao estilo “southern gothic”, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

“Ao mesmo tempo incrivelmente sedutora e muito perturbadora, esta série é um sucesso brilhante”
Mike Mignola

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Uma obra inédita no nosso mercado. Esta foi a BD que serviu de argumento ao filme “A Vida de Adéle” que no Festival de Cannes de 2013 obteve a Palma de Ouro para o melhor filme. É um livro excepcional, que teve grande sucesso em todos os países onde foi publicado, nomeadamente no Brasil. É também um livro com vários prémios, nomeadamente o do Público no Festival Internacional de BD de Angoulême.

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Druuna está de regresso para desvender as suas origens numa história sem palavras que dá pelo título de Anima. Vinte anos depois de lhe ter dado vida, e 13 anos após a publicação do último álbum, Serpieri regressa ao universo da sua famosa heroína, o qual é um misto de ficção científica e de heroic fantasy, povoado de estranhas criaturas, hostis ou amorosas.
Este tomo 0 é complementado com um caderno de 18 páginas que contem esboços e uma história curta de 7 páginas, inédita, a qual data de 1981.

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O professor Mortimer está farto. Já não suporta ver os outros aproveitarem-se da sua lendária gentileza. Que o seu velho cúmplice Francis Blake se enfie em sua casa,    ainda vá. Que Nasir, o seu fiel servidor, exija um aumento e o pagamento de    horas extraordinárias, aceita-se. Que um bando de delinquentes, que diríamos saídos   do filme Laranja Mecânica, o chateiem, admite-se. Mas quando Blake lhe chama “mole”,   o seu sangue escocês começa a ferver: isto tem de mudar! De regresso a casa, Mortimer prepara um produto revolucionário que o vai transformar num malfeitor  impiedoso e dominador… Por Jove e por Horus! Mas o que é que aconteceu ao nosso  velho amigo Mortimer? Não contente por se transformar fisicamente, qual doutor Jekyll, agora frequenta clubes de strip-tease, aterroriza Olrik e persegue a ambição de dominar o mundo?
Admirador do Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr Hyde, o romance de Stevenson, o  argumentista Pierre Veys é também um leitor assíduo de Jacobs, tal como Nicolas Barral que tem o prazer de reproduzir, nos mais infimos pormenores, o seu universo gráfico  .

Retrospectiva 2015 – Resumo literário

Depois de um pequeno apanhado sobre a ficção especulativa em Portugal durante o ano de 2015, eis a normal lista de melhores do ano, com algumas estatísticas para enquadramento.

2015 no Rascunhos

Por motivos profissionais e pessoais, durante os anos de 2012 / 2013 as minhas leituras ficaram reduzidas quase a zero. Felizmente, em 2014 voltei a ler a sério, que é como quem diz, mais do que um livro por semana (Retrospectiva 2014). O ano de 2015 foi o ano de retomar o meu usual ritmo com 152 livros (Livros lidos em 2015). Ao contrário do que me é costume, este ano tinha alguns objectivos genéricos de leitura – ler mais autores portugueses, livros em espanhol e mais banda desenhada. Ainda não foi desta que voltei a pegar em livros de nuestros hermanos.

As críticas aumentaram, bem como as visualizações (cerca de 24 000). Dediquei mais tempo à página facebook, renovei antigas parcerias e criei novas. Também me associei ao NetGalley, uma plataforma que me tem permitido receber cópias digitais das editoras de vários e bons livros. Tudo isto justifica uma nova página com os livros recebidos pelas editoras ou pelos autores.

Artigos mais lidos este ano? Não contando os acessos directos à página principal: As cruzadas vistas pelos árabes (no seguimento de várias pesquisas de teor duvidoso sobre refugiados) com 935 visualizações, seguido de Rapariga com brinco de pérola com 453, O Visconde cortado ao meio com 437. Dos artigos recentes, o mais visto foi Aventuras de João sem medo com 183 visualizações e Mar de Afonso Cruz com 177.

Entradas no Rascunhos que mais gostei de fazer?

– Como oferecer ficção científica ou fantasia a toda a gente;

– Favoritos – Lista de autores, séries e livros favoritos;

– Série de links interessantes – Halloween;

Distopias;

Lançamento Da Família e Inventário do Pó;

– Colecção Bang! Saída de Emergência / Colecção 1001 Mundos Gailivro;

– Livrarias: Leituria / Fyodor / Bivar;

– Enciclopédias e Dicionários Fantásticos;

– As histórias circulares de Zoran Zivkovic;

– The Gallery – Fredrik Dahl Tyskerud;

Metas para 2016? Manter o ritmo, investir na área vasta que é a banda desenhada e continuar a dar destaque a ficção especulativa portuguesa.

As Melhores Leituras 

stories of your life

Melhor antologia – Stories of your life and others de Ted Chiang – As histórias presentes nesta antologia partem de premissas simples para transformar de forma considerável a sociedade, tendo, comummente, um de dois pontos como partida: a influência da religião ou o desenvolvimento da inteligência. Na influência da religião encontramos contos centrando-se no poder da escrita judaica, com golems e homúnculos, ou na construção de uma torre de babel que atinge a cúpula celeste. Com desenvolvimento da inteligência encontramos homens tão inteligentes que jogam xadrez com a realidade, ou entidades artificiais com capacidade de desenvolvimento, aprendizagem e sentimentos que nos fazem questionar se podem ser consideradas entidades com direitos e deveres. Estes são apenas alguns exemplos, mas as histórias de Ted Chiang caracterizam-se por serem impecáveis do ponto de vista formal (sem episódios em excesso e contendo apenas o essencial para a história sem quebrar a empatia com o leitor), interessantes em premissa e envolventes.

lightspeed magazine 47

Melhor história curtaThe Day the world turned upside down de Thomas Olde Heuvelt. Quando pensei nesta categoria, foi logo esta história que me ocorreu. E logo a seguir o pensamento “Que lugar comum, escolher logo o vencedor do prémio Hugo!”. Razão pela qual fui rever as antologias e revistas que li ao longo deste ano (e foram muitas). Resultado? Voltei à mesma história. Apesar de ter lido dezenas de histórias apocalípticas em antologias dedicadas ao tema, esta destaca-se.  Sem se preocupar com causas, nem efeitos cientificamente correctos, centra-se numa única personagem que, frente à desgraça mundial, procura apenas a ex-namorada, num cenário de cobardia e incapacidade para com os eventos que o rodeiam, mas simultaneamente coragem louca para rever a pessoa pela qual está obcecado.

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Melhor banda desenhada Locke & Key Vol.5 – Excepcional do ponto de vista visual, muito movimentado e bastante revelador da origem de toda a história, este volume possui uma enorme carga trágica, com episódios bastante violentos do ponto de vista psicológico. A premissa é interessante – uma série de chaves que se encontram numa velha casa de família permitem adquirir diversos e até, assustadores poderes. É possível abrir, literalmente a cabeça para retirar ou adicionar conhecimentos, é possível passar a existir como um fantasma ou viajar para qualquer lado que tenha uma porta – mas estes poderes só se encontram acessíveis a jovens.

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– Melhor ficção científica – The Martian Chronicles – Ray Bradbury – Excelente e com uma pitada de humor típica de Bradbury, apresenta-nos uma série de histórias interligadas do tempo em que ainda se podia sonhar com uma civilização perdida em Marte. Histórias dementes que nos fazem apaixonar por um planeta que não existe, de sentimento nostálgico, satirizando governos e situações – The Martian Chronicles é simplesmente fabuloso com pitadas devastadoras de ironia bem posicionada.

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– Melhor fantasiaO Grande Manuscrito – Zoran Zivkovic – Não fosse um dos meus autores favoritos, este foi o último livro lançado do autor cuja história se centra em… livros. A realidade descrita é bastante semelhante à nossa, mas possui contornos surreais e fantásticos que são percepcionados e estranhados pelas próprias personagens. O próprio escritor alterna entre decisor e peão, numa dualidade interessante que é explorada em várias camadas. Este não é o típico livro de fantasia épica, mas das que li, nenhuma me desperta o sentimento de maravilha como este livro;

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Melhor antologia portuguesa – Insonho. Bem sei que é um conjunto de contos, mas é um conjunto coeso de premissa interessante – monstros do popular português.

– Outras menções honrosas

  • Antologias – Depois de ter lido mais de uma dezena de antologias, não é de estranhar que queira realçar mais uma, Deathbird Stories de Harlan Ellison, um conjunto pungente de contos negros, pesadelos que subvertem a realidade de forma dura, crua e contagiosa, falando de deuses tornados homens e homens tornados deuses de forma pervertida. Estes contos são murros no estômago e não devem ser lidos pelos mais sensíveis;
  • Histórias curtas – Entre as dezenas de antologias e colectâneas lidas este ano é impossível não destacar mais histórias. The Mill de Paul di Filippo foi outra das histórias de que me recordei logo. Criando um mundo bastante semelhante ao The Carpet Makers é complexo e interessante, apresentando várias gerações que afinal fazem parte de uma farsa imperial – um mundo inteiro numa economia de mentira. The Autopsy de Michael Shea é um excelente conto de horror científico que, sem grandes efeitos, consegue criar o ambiente perfeito de suspense. Em Sun’s East, Moon’s West de Merrie Haskell o conto de fantasia transforma elementos conhecidos apresentando uma rapariga que, sendo capaz de transformar palha em oiro, prefere matar dragões. Claro que tinha de me recordar de outro conto apocalíptico – Dark, Dark Were the Tunnels de George R. R. Martin apresenta-nos uma humanidade dividida entre aquelas que ficaram na terra durante um desastre nuclear e se refugiaram no subsolo e aqueles que estavam na Lua – será que quando as duas partes se reencontram se reconhecem como pertencendo à mesma espécie? Soft de F. Paul Wilson é outro conto apocalíptico que se destaca pela exploração da componente humana, apresentando uma doença que liquidifica lentamente os ossos;
  • Banda desenhada – Estas são referências que não irão espantar ninguém: Saga é uma extraordinária série cruzando elementos de ficção científica e fantástico com vários elementos cómicos; Tony Chu explora poderes associados à comida que causam fascínio e asco ao leitor, centrando-se numa personagem relativamente mal disposta; Animal’Z é um volume negro, deprimente e apocalíptico que deixa pouca esperança na humanidade como a conhecemos – talvez com umas pequenas alterações? Finalmente, The Private Eye é uma distopia futurista, deprimente, estranha e cativante, de cores fortes;
  • Ficção científica – foram poucos os livros de ficção científica ou fantasia lidos este ano – li sobretudo contos. No entanto, O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood foi uma leitura suficientemente interessante para merecer uma referência. Apocalíptico, acompanha uma seita de naturalistas que passam por loucos numa sociedade degradada e degradante.
  • Autoria portuguesa – As sementes para boa ficção especulativa portuguesa existem. O que não existe é solo para crescerem ou espaço para se consolidarem e crescerem. João Ventura já é um nome constante de diversas antologias e revistas que, desta vez, me surpreendeu com Fogo! na Antologia de Ficção Científica Fantasporto. Urbania – A destilação do absurdo de Carlos Silva também me surpreendeu pela positiva numa compilação lançada digitalmente, Universos Literários. Finalmente, Teddy de João Rogaciano é também uma história cativante que merece referência;
  • Fora de género – À mesa com Kafka é uma divertida compilação de receitas enquadradas numa história contada ao estilo de algum autor conhecido.

Melhoras leituras de anos anteriores

2014

2011

2010

2009

2008

2007

2006

 

Proveniência – David W. Ball (Histórias de Aventureiros e de Patifes)

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Eis uma aventura mirabolante que aproveita o desaparecimento de várias obras de arte às mãos dos nazis na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. Algumas destas obras de arte têm sido usadas como forma de movimentar facilmente avultadas somas e de efectuar trocas comerciais duvidosas.

A história centra-se num comerciante de arte, que, tendo alguns negócios legais, é conhecido no submundo das negociatas duvidosas, como a pessoa certa para arranjar o comprador privado de valiosas obras de arte.

Ao receber informação sobre um valioso quadro que estará oficialmente desaparecido há décadas, procura o comprador certo, contando-lhe detalhadamente a história, quer da criação da obra, como das sucessivas transferências entre donos.

Detalhando excessivamente alguns dos episódios que envolvem a obra, parece inverosímil a forma como conhece pormenores de algumas personagens envolvidas no desaparecimento do quadro. Felizmente este conhecimento é bem explicado numa irónica reviravolta final que dá sentido ao conto.

Comentário aos restantes contos da antologia:

Bang! N.º 19 – Não ficção

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Cada lançamento de um novo número da revista é uma celebração. De distribuição gratuita e impressão a cores, peca em formato apenas no grande tamanho da página que dificulta o transporte e a leitura em qualquer sítio que não seja a nossa casa. Mas passemos ao conteúdo. É de realçar o texto introdutório de George R. R. Martin à antologia recentemente publicada, Histórias de Aventureiros e Patifes, bem como o texto de João Seixas sobre Ray Bradbury. Encontramos, também, interessantes referências a Shirley Jackson e Lovecraft.

A revista inicia-se com uma introdução mais política de Safaa Dib, fruto dos tempos que ocorrem, relacionando esta temática com a ficção científica. A esta, segue-se o usual texto do editor Luís Corte Real sobre a colecção Bang! que auspicia boas novidades para os apreciadores de ficção científica: Annihilation de Jeff Vandermeer (Hooray), A Balada de Antel (vencedor do prémio Bang|) e a publicação de Terrarium de Luís Filipe Silva e João Barreiros numa nova edição revista. Ficou apenas a faltar a referência a uma data prevista para The Fifteen Lives of Harry August, livro que a editora chegou a anunciar o pré-lançamento para o retirar de imediato. Esperemos, então, um pouco mais.

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Uma das mais belas e simples capas de Annihilation

Ainda que me entusiasmem mais os lançamentos de ficção científica, não é de esquecer os próximos de fantasia, com a antologia, já publicada entretanto, Histórias de Aventureiros e Patifes, organizada por George R. R. Martin; ou The Witcher de Andrej Sapkowski. A estas futuras publicações seguem-se sugestões de outras obras, como o The Martian, ou o Estação Onze (um excelente lançamento da Editorial Presença).

A Arquitecturas da loucura em que Jorge Palinhos fala um pouco de cinema de horror (bem a propósito do Halloween) segue-se um texto de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Metais pesados. Ocupando uma página disserta sobre o snobismo da literatura dita séria em comparação com a literatura de género, escondida e marginalizada. Uma discussão que dá pano para muitas mangas – até porque quem se esconde da FC são essencialmente leitores de best-sellers que do género pouco ou nada sabem. Esta temática será novamente vislumbrada no artigo de João Seixas, em enquadramento distinto.

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A componente de não ficção continua com um bom artigo sobre Banda Desenhada por João Lameiras, sobre Simon du Fleuve, o herói da série de Claude Auclair, e com um artigo sobre cinema de horror de António Monteiro onde disserta sobretudo em torno do The Omen.

Todos adoram um patife é a próxima secção, o nome que foi dado para a transcrição do prefácio de Histórias de Aventureiros e Patifes, escrita por George R. R. Martin, um dos organizadores da antologia. Neste texto, George R. R. Martin aproveita para apresentar alguns bons vilões de cinema e de literatura que, decerto, farão o leitor procurar por alguns destes filmes e livros.

Apesar de não ser particularmente fã dos Iron Maiden (aprecio de algumas músicas, mas a globalidade da sua obra não corresponde aos meus gostos), achei interessante o artigo de Ricardo S. Amorim onde se destacam alguns dos temas literários integrados nos álbuns do grupo. Encontram-se assim referências tão variadas como Poe, Lovecraft ou C. S. Lewis, sobretudo de títulos de horror e ficção científica que terão sido aproveitados quer nas letras, quer nas capas.

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Seguem-se várias críticas a um dos mais recentes lançamentos fantásticos da Saída de Emergência, Rainha Vermelha de Victoria Aveyard, uma entrevista à autora e exposição de alguns factos e personagens que permitem introduzir à obra, cuja premissa exposta me recordou A Trilogia do Mágico Negro de Trudi Canavan (publicada em Portugal há alguns anos).

O Mythos Lovecraftiano nos jogos narrativos de Pedro Lisboa, debruça-se sobre um dos mestres do horror para dissertar sobre a influência nos vários meios que nos rodeiam, dando especial realce aos RPG’s.

De seguida, destaca-se o longo artigo sobre Ray Bradbury de João Seixas, O Futuro é hoje: alimentando as chamas, destruindo o cânone. Como não gostar de um artigo que, expondo alguns factos da vida do escritor, está carregado de referências às suas obras mais emblemáticas?

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Depois deste artigo, ponto algo da revista, os restantes surgem menos iluminados. O Trio Fantástico Carey, Durham e Hobb apresenta uma análise a três das sagas fantásticas que não me interessou o suficiente, o género de análise que possui variáveis como grau de paixão ou conflito que,  dissecando um pouco as séries, não é alto que goste de ler.

Figuras Clássicas do Terror traz-nos um conjunto interessante de ilustrações de monstros conhecidos, de diversos autores que referem um pouco sobre o método de criação da ilustração. Gostei particularmente do Olharapo e do Skeleton Army.

No final uma surpresa. A secção de Sugestões FNAC que já trouxe algumas referências insípidas, sugere agora Shirley Jackson, a autora de obras como Sempre vivemos no castelo ou The Lottery.

Em suma. Após 19 edições a Bang! continua de boa saúde e recomenda-se. Se considerarmos que a revista é gratuita, ainda mais. Notam-se novos nomes nos artigos, o que vai garantindo a introdução de novas ideias e conteúdos, mas nota-se, também, o aumento do conteúdo de propaganda às próprias obras da editora, Saída de Emergência. O que gostava que houvesse de diferente? Maior exposição do que se vai fazendo lá fora, e que quase não chega a Portugal.

Os Favoritos (parte III)

(Os Favoritos – Parte I / Parte II)

Claro que não me podia ficar apenas pelos quatro autores apresentados, com tantas outras boas leituras que já tive oportunidade de apanhar. E ainda não é desta que começo a falar de autores portugueses.

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5 – Amin Maalouf

Não, não li todos os livros que foram publicados do autor em português. Infelizmente descobriu-o numa altura em que já estava a parar de ler romances históricos. Ainda assim, O Périplo de Baldassare destacou-se pelas aventuras atribuladas vividas por um mercador genovês no ano de 1665, ano de caos na Europa pela proximidade ao mítico número da besta, 666. Perto do que acreditavam ser o Fim do Mundo os homens começam a ter comportamentos pouco previsíveis e até erráticos.

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As Cruzadas Vistas pelos Árabes tem um tom bastante mais académico, descrevendo os acontecimentos que rodearam a Guerra Santa, pela perspectiva de quem viu a guerra trazida à sua Terra por bárbaros mal educados, pouco honrados e pouco civilizados – uma propagação de caos que iria fragilizar a zona às conquistas turcas.

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6 – Ursula (K.) le Guin

Aqui está um nome que não podia faltar. Começando pela vertente fantástica, a série The Earthsea é uma das melhores sagas do género que li. Para além do mundo bem estruturado destacam-se as personagens e o seu desenvolvimento ao longo da série. Apesar de poder ser lida por adultos, a saga encontra-se publicada em português na colecção Estrela do Mar da Editorial Presença.

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Mas passando à vertente de ficção científica da autora, que se encontram, também, entre os meus favoritos no género. Claro que The Left Hand of Darkness ou The Dispossessed são incontornáveis referências ao nos apresentarem civilizações humanas onde pequenas diferenças resultam em utopias distópicas – mundos onde a perfeição é relativa, resultando em obras de elevada carga política e social, que conferem vasto alimento para introspecção.

Dentro do mesmo ciclo encontramos The Word for the World is Forest, um visceral livro de conflito entre duas civilizações planetárias humanas, que relembra a intensiva colonização pelos Europeus, com a exploração desenfreada dos recursos naturais, e o tratamento pouco civilizado dos habitantes de outros continentes.

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Já na ficção curta há a destacar The Ones Who Walk Away from Omelas, uma poderosa história utópica que esconde, também, uma distopia. Mas não devem ser esquecidas as obras menos conhecidas. The Lathe of Heaven apresenta-nos um homem capaz de modelar a realidade com os seus sonhos, Changing Planes centra-se na capacidade de mudar de plano de existência enquanto se espera por um avião.

Abril de 2015

Aqui fica mais um resumo mensal sobre ficção especulativa em Portugal. Esta listinha resume o que achei mais interessante este mês em solo nacional (ou sobre projectos portugueses). Claro que se resume ao que tive acesso, existindo de certeza mais artigos que poderiam cá constar. Convido a deixarem novos blogs a seguir ou outros artigos que tenham achado interessantes.

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Lançamentos Nacionais Relevantes

Talvez por causa da proximidade da Feira do Livro, ou simplesmente coincidência, este foi um bom mês para a ficção especulativa

O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – Gradiva;

O Homem do Castelo Alto – Philip K. Dick – Saída de Emergência (é uma nova edição);

Dias de sangue e Glória – Laini Taylor – Porto Editora;

Bestiário – Julio Cortazar – Cavalo de Ferro;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Asa;

Fatale Vol.2 – G Floy;

Saga Vol.2 G Floy;

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Críticas interessantes

Ficção científica

Continuam a ser poucos os que criticam SF, mas eis alguns relevantes:

The New Atlantis – Ursula K. Le Guin – Nuno Ferreira;

The Long Tomorrow – Leight Brackett – Intergalacticrobot;

Seventy-two Letters – Ted Chiang – Que a Estante nos Caia em Cima;

Contos vários Fantasy&Co – Tales of Gondwana – estão a ser comentados vários dos contos disponíveis gratuitamente, alguns de autores já conhecidos de antologias portuguesas como Ricardo Dias, Carina Portugal ou Pedro Cipriano;

Behold the Man – Michael Moorcock – Intergalacticrobot;

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Fantasia

De realçar o aparecimento contínuo de livros de autores portugueses:

A segunda vinda de Cristo à Terra – João Cerqueira – Uma Biblioteca em Construção;

Insonho: Durma bem – Vários autores – Intergalacticrobot;

O Lobatruz e outras desventuras – Judith Nogueira – Deus me Livro;

Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett – Nuno Ferreira;

A cada dia – David Levithan – Floresta de Livros;

A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss – Uma Biblioteca em Construção;

Coisas frágeis – Neil Gaiman – Nuno Ferreira;

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Banda desenhada

Mucha – David Soares – Intergalacticrobot;

A Metrópole Féerica – José Carlos Fernandes – aCalopsia;

Le Confesseur Sauvage – Philippe Foerster – As Leituras do Pedro;

A Arte de Voar – Altarriba e Kim – Intergalacticrobot;

Comprimidos azuis – Frederik Peeters – Leituras de BD;

Em Busca de Peter Pan – Cosey – As Leituras do Pedro;

Moonhead and the Music Machine – Andrew Rae – Máquina de escrever;

Outros

Os que não me parecem encaixar directamente em nenhuma das categorias anteriores:

História Universal da Infâmia – Jorge Luís Borges – Deus me Livro;

Swan song – Robert McCammon – Intergalacticrobot;

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Outros Artigos

Estranhos são os dias em que estou a adicionar uma ligação ao Correio da Manhã…

Colecção Universo Marvel – Que a Estante nos caia em cima;

Um desabafo e uma bela colecção de banda desenhada – Caderião Voltaire;

Bairro problemático na periferia de Lisboa vira galeria de Arte – Conexão Lusófona;

Tracking with close-ups (7) – Viagem a Andrómeda – e porque o título diz muito pouco, fala-se de Terry Pratchet;

A Ficção de ideias de Ted Chiang – Que a Estante nos caia em cima;

Corrida infestada de Zombis em Sintra – Correio da Manhã;

Muitos poucos dedos de conversa sobre cinema de forma quase nada informada – Ficções Distópicas – Que a Estante nos caia em cima;

Luís Corredoura galardoado com um encouragement award – Jornal de Mafra;

Eventos

Sustos às sextas – espreitem também a perspectiva em Intergalacticrobot, bem como os vídeos em Cadernos de Daath,

Animacomics 2015 – Intergalacticrobot, aCalopsia;

Festival In – Intergalacticrobot – as coisas interessantes que se puderam ver na FIL, ficção científica tornada realidade;

Recordar os Esquecidos.

Resumos mensais anteriores

Janeiro 2015

Fevereiro 2015

Março 2015

Uma série de links interessantes (internacional)

Six by six

Six by Six é um projecto que visa a publicação de seis colectâneas, cada um com seis contos de diferentes autores. Os que participam neste projecto foram convidados pelo SF Signal a indicar as colectâneas favoritas.

Anualmente vemos listas com os melhores livros do próprio ano que se vai. Mas raro é ver listas de melhores publicações com 40 anos. Em BoingBoing foi isso mesmo que fizeram – uma lista de melhores do ano de 1965. Entre as escolhas encontram-se livros de Philip K. Dick, Frank Herbert, mas também sugestão de outras leituras que me passaram despercebidas até agora.

 

Em Monster Brains podem encontrar imagens de um Compendium of Magic and Demonology de 1775 – imagens belíssimas de figuras semi-humanas, semi-animalescas, quimeras monstruosas mas também fascinantes. Se explorarem o mesmo site podem encontrar imagens de outros livros antigos e de imagens do próprio autor do blog.

E eis que surge um projecto para digitalizar mais de 1000 Sci-fi zines, algumas que remontam aos anos 30, e que incluem autores tão conhecidos quanto Ray Bradbury, Arthur C. Clarke ou Harlan Ellison. Uma vez digitalizados, estarão disponíveis no site da Universidade de Iowa.

 

 

 

 

Fórum Fantástico: Sugestões de Leitura (e não só…) – Parte 1

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E porque as sugestões passam a correr, e não há bloco de notas que resista, eis a lista das sugestões apresentadas por todos. Dividi nas três partes da apresentação (Sugestões, Lançamentos e Horrores) para mais fácil consulta e percepção. Neste post ficam só as sugestões, sejam de leitura ou cinema, bem como indicação de quem as apresentou:

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Of Bone and Thunder de Chris Evans – João Barreiros – ficaram-me as palavras “floresta vietnamita” e “dragões senis que explodem”. No mínimo curioso;

World of Trouble de Ben H. Winters – João Barreiros

– American Elsewhere de Robert Jackson Bennett – João Barreiros

Bird Box de John Malerman – João Barreiros

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Trafalgar de Angélica Gorodischer – Cristina Alves

Among Others de Jo Walton – Cristina Alves

Antígona Gelada – Artur Coelho

Portograal

Nome de código Portograal de Luís Corredoura – Artur Coelho

Por vós lhes mandarei embaixadores de Jorge Candeias – Artur Coelho

Ancillary Justice de Ann Leckie – João Campos

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Echopraxia de Peter Watts – João Barreiros

The Peripheral de William Gibson – João Barreiros

Authority de Jeff Vandermeer – João Barreiros

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Bête de Adam Roberts – João Barreiros

Three Parts Dead de Max Gladstone – João Barreiros

London Falling de Paul Cornell – João Barreiros

Esta semana

The Night Circus de Erin Morgenstern – Cristina Alves

Kindred de Octavia E. Butler – Cristina Alves

War Stories – Cristina Alves

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– Edge of Tomorrow – João Campos

– The Guardians of the Galaxy – João Campos

– The Zero Theorem – João Campos

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The Wandering Earth de Liu Cixin – Artur Coelho

The Second Machine Age de Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee – Artur Coelho

Transcendental de James Gunn – Artur Coelho

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Gorel and the pot-bellied God de Lavid Tidhar – Cristina Alves

Station Eleven de Emily St. John Mandel – Cristina Alves

The House of War and Witness de Mike, Linda & Lousie Carey – Cristina Alves

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– The Congress – João Campos

– Under the Skin – João Campos

– Cidade Suspensa de Penim Loureiro – Artur Coelho

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Dylan Dog – Artur Coelho

Starlight de Mark Millar e Goran Parlov – Artur Coelho

Moon Knight de Warren Ellis, Declan Shalvey e Jordie Bellaire – Artur Coelho

Trillium de Jeff Lemire – Artur Coelho

Eventos: Fórum fantástico – dia 3

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E se o segundo dia começou a correr, ainda mais o terceiro – neste é que não convinha chegar tarde, mais que não seja porque ia parar ao palco (se bem que por vezes mais facilmente continuava a ouvir as sugestões do Barreiros ao invés de falar). Mais tarde irei colocar uma lista completa das sugestões apresentadas nesta sessão.

Seguiu-se a celebração dos 30 anos do ciclo “1984: o futuro é já hoje'”, um ciclo envolvendo a cinemateca e a Fundação Caloute Gulbenkian onde João Barreiros teve a oportunidade de escolher os filmes do ciclo, compilando depois um enorme volume sobre os filmes. Bons tempos. No final soube-se que a Fundação terá feito obras na sala de cinema, prevendo-se ciclos de cinema para os próximos tempos (fica a esperança de entre os ciclos existir um do género, mesmo que não tão exaustivo).

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Após um longo lanche, assisti a Alternativas na Edição Literária, um painel onde se falou sobretudo da publicação em formato digital (ebook) e na publicação de autor, sendo interessante ver a diferença entre a publicação digital e a publicação em formato físico. Surgiram, como seria de esperar, opinião diferentes na audiência, ou não houvesse editores e outras pessoas do mundo da publicação.

Como leitora, tenho apenas a acrescentar que normalmente se nota a diferença entre um trabalho amador e profissional, não só por vezes na qualidade da escrita final – um bom editor e isto talvez aconteça mais fora de Portugal – é, também, alguém que revê criticamente o trabalho e pede alterações, obrigando à afinação do texto final; como pela qualidade visual da edição. E os livros não são só páginas soltas com texto, ou não existiria tanto investimento em tudo o que compõe o livro.

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Finalmente, o painel da Banda Desenhada Fantástica, onde se conheceu o trabalho de Penim Loureiro, André Coelho e David Soares. Cidade Suspensa (de Penim Loureiro) li recentemente – um livro de banda desenhada onde a história é escassa, mas a qualidade das imagens é soberba. Tal como as imagens apresentadas pelo autor, principalmente as nunca publicadas, de um livro de Jorge de Sena.

Espectaculares, mas muito mais sombrias, foram as imagens apresentadas por André Coelho, algumas da banda desenhada Torre Terminal (se não me falha a memória). Imagens caóticas, algumas demasiado complexas para fixar impávida, outras mais simples e minimalistas com as quais fiquei fascinada (mesmo não sendo a arte minimalista a minha preferência usual). No final assistimos à intervenção de David Soares, a propósito do lançamento recente de As Sepulturas dos Pais, onde o autor aproveitou para explicar o seu processo criativo.

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Resta aguardar mais um ano para o próximo Fórum Fantástico !

Eventos: Fórum fantástico – dia 2

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Após uma grande correria, lá cheguei ao Fórum, ainda a tempo da apresentação da antologia Comandante Serralves (a qual já li e comentei), um projecto que me parece interessante ir acompanhando. Seguiu-se a apresentação da antologia Insonho, pela qual estou curiosa, mas que ainda não foi lançado – uma séria de histórias fantásticas (ou sobrenaturais) que ocorrem em terras portuguesas (de preferência, bem no meio das vilas inóspidas).

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De seguida aproveitei para lanchar, voltando para o debate em torno de Cortázar em que participaram José Mário Silva, Diogo Madre Deus e João Morales. Ainda em torno de Cortazar, foram apresentados os vencedores dos prémios de fotografia Cortázar Frames. E eis finalmente o grande momento da noite: Por onde anda Rhys Hughes? onde o autor galês discursou sobre as suas obras e influências literárias, passando por vários autores sul americanos (alguns óbvios como Borges ou Córtazar), ou latinos.

O dia terminou com a apresentação dos Prémios Adamastor do Fantástico, de onde se destaca a categoria votada pelo público, onde ganhou Lisboa no Ano 2000 (antologia organizada por João Barreiros).

 

Uma série de links nacionais interessantes – Setembro

Muito me anda a passar ao lado, mas eis o que nao me passou, em Setembro:

– O Homem-Javali vai casar; ou Leng Tch’e – Enquanto aguardamos pelo lançamento de Sepulturas dos Pais de David Soares e André Coelho, David Soares disponibilizou a primeira prancha do seu próximo livro, a publicar ainda este ano pela Kingpin Books.

Fidel Castro – Podem ler sobre The Tragedy of Fidel Castro de João Cerqueira em O Cantinho do Bookaholic.

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The Ironic Fantastic 3 (também no Issuu)- Na terceira edição, gratuita, podem encontrar, entre as 152 páginas, histórias de Rhys Hughes ou Michael Bishop. Encontram, também, várias participações portuguesas: resenhas de Larry Nolen a Palmas para o Esquilo e a O Evangelho do Enforcado, arte de Pedro Lopes, Gisela Monteiro ou Diogo Carvalho. Uma publicação espectacular que ainda por cima é gratuita. Ah! E estão a aceitar submissões para a quarta edição centrada em Lewis Carroll.

Craig Thompson – Nelson Zangalo apresenta-nos Blankets de Craig Thompson.

Wonderbook – O manual de escrita de Jeff Vandermeer possui pequenos desafios literários. E eis que o João Ventura aproveitou o desafio.

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Fórum Fantástico – Para além do cartaz, foram reveladas as datas, bem como o convidado internacional: Rhys Hughes. Em português podem encontrar dois livros, publicados pela Livros de Areia: A Sereia de Curitiba e Uma nova história Universal da Infâmia.

The Motion Demon – A crítica em Intergalactic Robot fez-me acrescentar o livro à Wishlist.

Entrevista a David Soares – Em Que a Estante nos Caia em Cima podem ler uma entrevista a David Soares.

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The Martian – Artur Coelho publica a sua opinião do The Martian, um dos livros mais falados este ano e, estranhamente, já publicado em Portugal.

Sandra Carvalho – Os livros de Sandra Carvalho estão a ser alvo de sucessivas resenhas em O Cantinho do Bookaholic.

Uma série de links interessantes

Depois de um artigo absurdo, lembrei-me de uma compilação bastante interessante de ficção distópica que alimentou a minha wishlist para os próximos meses: trilogias e histórias isoladas. Mas se ficção distópica não é o vosso forte, eis outras listinhas com sugestões interessantes para o verão:

All the Amazing Must-read Science Fiction and Fantasy Books for August Lock in, Colorless, We Will go Down Together parecem promissores. Mais que não seja porque este último promete “monster-killing  nuns and evil angels”;

31 Science Fiction, Fantasy and Horror Books Released in August – também com algumas coisas interessantes, como o The Apex Book of World SF 3, We are All Completely Fine ou Year’s Best Weird Fiction.

Estes foram os que me chamaram à atenção, mas se conhecerem outros, estejam à vontade para recomendar.

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Mas se preferem um conjunto de histórias /artigos  gratuitos, eis também algumas sugestões:

– Fanzine Big Sky – com artigos bastante interessantes;

20 histórias disponíveis – na verdade é uma lista de 100 histórias escritas por mulheres, das quais 20 podem ser lidas gratuitamente. Mas sinceramente, não percebo qual a necessidade de explicitar que são escritas por mulheres. Enfim;

Fanzine Somnium;

– Bang! – a 16ª edição já está disponível online.

 

 

Esta semana

13-08-2011

Rule 34 – Charles Stross ( Intergalactirobot)

Fables – Animal Farm – Bill Willingham (Floresta de Livros)

14-08-2011

Touch of Frost – Jennifer Estep (Livros, livros e mais livros)

– Desaparecidos – Michael Grant (Pedacinho Literário)

15-08-2011

Vidro Demónio – Rachel Hawkins (As Histórias de Elphaba)

– La Lecture des Ruines – David B. (Intergalacticrobot)

Impacto – Douglas Preston (As Leituras do Corvo)

A Glória dos Traidores – George R. R, Martin (Ler y Criticar)

16-08-2011

– Lua Azul – Alyson Noel (D311nh4)

– Club Dead – Charlaine Harris (O Cantinho do Bookaholic)

17-08-2011

– Espíritos de Gelo – Raphael Draccon (As Histórias de Elphaba)

– Harry Potter e a Câmara dos Segredos – J. K. Rowling (Livros, livros e mais livros)

– União – Ally Condie (Bela Lugosi is Dead)

Insónia – Stephen King (Que a Estante nos Caia em Cima)

18-08-2011

– Fragmentos de Cristal – R. A. Salvatore (Bela Lugosi is Dead)

– Dagon 1 (Illusionary Pleasure)

– Visions of Heat – Nalini Singh (Floresta de Livros)

– Sangue Mortífero – Charlainne Harris (Muito para Ler)

– Hounded – Kevin Hearne (Livros, livros e mais livros)

19-08-2011

– Harry Potter e a Câmara dos Segredos – J. K. Rowling (Estante de Livros)

O Beijo Mais Escuro – Gena Showalter (As Leituras do Corvo)

– O beijo das sombras – Laurell K. Hamilton (D311nh4)

– Fragmento de Cristal – R. A. Salvatore (Journeys of the Sorcerer)

20-08-2011

– Hammered – Kevin Hearne (Livros, livros e mais livros)

– Harry Potter and the Chamber of Secrets  – J. K. Rowling (Papéis e Letras)

– Harry Potter e a Pedra Filosofal – J. K. Rowling (Que a Estante nos Caia em Cima)

________________________

Para além das críticas

– Recentes desenvolvimentos sobre a antologia Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa (Efeitos Secundários)

Maré Alta Estelar – David Brin – PEA/FC Bolso 116/117 (1986) (Memórias da Ficção Científica) – Aqui está uma das séries de FC que me fascinou na adolescência

Destaque da Semana – O Manual de Detective

Não fosse terem-me avisado e o lançamento deste livro em português ter-me-ia passado despercebido. A capa e o título relembram um banal livro de detectives de enquadramento juvenil, mas na realidade enquadra-se no género fantástico, tendo sido extremamente publicitado no mercado de língua inglesa, com o título Manual of Detection. Deixo-vos a sinopse da edição inglesa.

Resumo de Leituras – Junho 2011

31 – Espíritos de Gelo – Raphael Draccon – um dos dois livros que iniciaram a colecção Mitos Urbanos, não conseguiu chegar à categoria do Bom. A história é coesa mas simples e com clichés. É um dos raros exemplos em que o facto do autor ser brasileiro me empatou a leitura e o texto relevou-se de qualidade média. Uma leitura rápida que não deixou marcas.

32 – Three hearts and three lions – Poul Anderson – um dos melhores textos fantásticos dos últimos tempos, conta a história de um homem que se vê transformado num herói ao viajar para uma realidade paralela. Desconhecendo a sua identidade nesta realidade, é um relato mágico e tocante que revela algum paralelismo com acontecimentos históricos.

33 – A Luz Miserável – David Soares – Se existe género com o qual sou rigorosa é o horror. Talvez porque não ser facilmente impressionável, talvez por, muitas vezes, achar cómico o show off de descrições sangrentas e violência gratuita. É daqueles géneros que não funciona comigo se não estiver excelentemente balanceado e narrado. E ainda que outras histórias no género horror de David Soares não me tenham impressionado, neste caso, gostei imenso do conjunto. Um livro sem dúvida para rever nos próximos dias.

34 – The Elephant – Slawomir Mrozek – cómico e absurdo de uma forma séria, em que se levam os pequenos detalhes anormais ou até fantásticos, até às últimas consequências. Entre algumas histórias excelentes existem outras que não se destacaram, talvez por serem demasiado curtas.  Ainda assim, um conjunto que aconselharia a qualquer um que goste de Borges ou Zoran Zivkovic.

35 – O Pintor debaixo do Lava-loiças – Afonso Cruz – talvez um meio termo entre Enciclopédia da Estória Universal e Os Livros que devoraram o meu pai apresenta-nos uma história mais complexa que o segundo, mas ainda assim de estrutura relaxada onde reencontramos personagens que conhecemos. Não se tornou o meu favorito do autor, mas ainda assim é uma leitura interessante que irei rever nos próximos dias.

36 – The Prisoner – Thomas M. Disch – dois dos livros deste  autor quase que foram incluídos na SF Masterworks. Sem saber que The Prisoner já tinha sido adaptado para série televisiva, decidi-me a lê-lo. E foi uma decepção. A história não avança, roda sempre em torno das tentativa de fuga da mesma personagem, e apresenta uma circularidade que parece psicótica. Talvez pelos anos que já decorreram desde que a obra foi escrita, o jogo psicológico não me impressionou e foi uma das leituras mais aborrecidas dos últimos tempos.

37 – Vamiré – J. H. Rosny – esta é a história de um homem primitivo que se lança à aventura, explorando novos territórios. Narrada de forma demasiado romântica, confere constantemente sentimos como honra, lealdade e despeito aos animais, quer sejam leões ou hienas. Uma história pouco provável que, a meu ver, não envelheceu bem.