Novidade: Seca – Jarrod Shusterman e Neal Shusterman

A Saída de Emergência anuncia novo livro de ficção científica – com uma história que esperemos que se mantenha como ficção científica!

Quando a seca atinge proporções catastróficas, há decisões que não podem esperar.

A seca já dura há muito tempo na Califórnia. E a vida da população tornou-se uma interminável lista de proibições: proibido regar a relva, proibido encher a piscina, proibido lavar o carro ou tomar duches longos.
Até que as torneiras secam de vez.
E é assim que, de repente, o tranquilo bairro onde Alyssa Morrow vive se transforma numa zona de guerra, onde vizinhos e famílias, outrora solidários, se digladiam em busca de água. Quando os pais da jovem não regressam e a sua vida é ameaçada, Alyssa tem de tomar decisões impossíveis se quiser sobreviver. Um thriller fantástico que pode acontecer ainda no nosso tempo… e na nossa rua.

 

 

 

Angel Catbird – Vol.1 – Margaret Atwood Johnie Christmas e Tamra Bonvillain

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Margaret Atwood é uma conceituada autora de ficção científica, mais conhecida pelas distopias futurísticas de preocupações ecológicas que constituem a trilogia MaddAddam (da qual foram publicados em Portugal os dois primeiros volumes). Não é, assim, de todo de estranhar que também esta banda desenhada da autora possua preocupações em torno da preservação da natureza, mais concretamente para com os gatos domésticos pouco habituados à rua, e para com as aves selvagens que morrem nas cidades, sem necessidade. O que é de estranhar é que o enredo e a narrativa sejam tão lineares e tão carregados de elementos clichés que pouco trazem de novo ao cenário dos heróis sobre humanos.

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Correspondendo à agenda da autora (preocupação com gatos e aves) a personagem principal, Strig Feleedus, é um cientista que é contratado para terminar o trabalho do seu antecessor, falecido num estranho acidente. Quando finalmente determina a fórmula do soro sofre ele próprio um acidente mas, desta vez, o soro que transporta espalha-se concedendo-lhe capacidades dos dois animais também apanhados pelo carro: um gato e uma ave.

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No dia seguinte prossegue quase normalmente, mas sente agora uma ainda maior atração pela colega de laboratório, também ela uma mulher-gato que o apresenta a um sub-mundo felino onde alguns gatos se transformam em homens-gato. A partir daqui a história prossegue com uma sucessão de clichés em que o vilão, bem conhecido dos dois, é um homem-rato com um plano para dominar a humanidade, fazendo do casal o alvo perfeito para a concretização deste plano.

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Apesar dos elementos que se poderiam tornar interessantes (apresentando, por exemplo, um drácula felino), a história não consegue adoptar um tom coeso. Os episódios de urgência oscilam entre a suposta pressa perante o plano malévolo do vilão e os elementos cómicos mal posicionados.

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Apesar de apresentar alguns elementos interessantes (um herói com características de ave e gato, um dráculo felino e um vilão que é homem-rato) a história é linear e cliché na forma como explora o trio herói, vilão e possível namorada do herói, algo que não esperava de uma história de Margaret Atwood. Falta conceder densidade às personagens para além da acção principal e falta suporte às motivações apresentadas.

Assim foi: Scifi-lX 2016

Decorreu esta fim-de-semana o Scifi-LX, um evento totalmente dedicado à ficção científica, com direito a palestras, filmes, robots, exposições, impressão 3D, banda desenhada, lançamentos… entre outros! Este ano só pude ir no Sábado e cheguei mais tarde do que pensava – o calor não perdoa.

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O átrio revela-se carregado de boas surpresas – videojogos, vários bonecos em crochet, a imaginauta (com Comandante Serralves e os pequenos livros da colecção Barbante), a Bookshop Bivar (uma loja de livros ingleses que para este evento trouxe vários livros de ficção científica), entre outras coisas.

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Na parte de cima encontramos uma exposição de banda desenhada onde encontramos pranchas de vários autores, bem como posters não oficiais de filmes marcantes no género, e alguns autores de banda desenhada a dar autógrafos:

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Carlos Pedro entre autógrafos

Era também no andar de cima que decorriam as palestras, bem como os espaços mais tecnológicos, com construções de Lego com movimento, bancas Steampunk, espaço para videojogos, RPG’s – um sem fim de actividades:

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Durante o Sábado decorreu uma palestra sobre Ficção Científica: Um Universo Transnacional com participação de Luís Filipe Silva, Teresa Botelho (da Universidade Nova de Lisboa), Adelaide Meira Serras e João Félix (ambos da Faculdade de letras da Universidade de Lisboa, do grupo Mensageiros das Estrelas).

A conversa incidiu sobretudo sobre utopias / distopias, com especial destaque para obras de Ursula Le Guin (é inevitável a referência a The Dispossessed ou The Left Hand of Darkness sem esquecer, claro, The ones that walk away from Omelas) – ainda que, para mim, não haja conto distópico mais brutal que The Lottery. Entre vários géneros da ficção científica falou-se da ficção científica ecológica com especial ênfase, claro, a The Water Knife de Paolo Bacigalupi. Por ler, ficou-me o The Machine Stops de E. M. Foster, em que a humanidade está tão dependente da máquina que uma pequena quebra informática pode por em risco a espécie (já agora, o conto encontra-se disponível gratuitamente aqui).

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A esta palestra seguiu-se uma apresentação sobre zombies com o objectivo de expor, não só a evolução da figura sobrenatural no cinema, como as raízes para o seu mito, bastante mais antigas do que o cinema:

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O dia de Sábado terminou (para mim) com o painel de convidados das exposições de banda desenhada: Miguel Montenegro, Ricardo Venâncio, Carlos Pedro e André Morgado. Este painel teve especial relevância por se ter transformado numa conversa mais informal em que foram os próprios autores (com experiências diferentes) a colocarem-se questões sobre os percursos distintos de cada um (principalmente André Morgado).

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Depois de um dia em cheio, voltei com mais dois livrinhos de banda desenhada, Altemente de Mosi e Double Helix and other stories de Ewing e Montenegro, bem como (im)prováveis destinos de viagem (da Bookshop Bívar):

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Pump Six and Other Stories – Paolo Bacigalupi

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Vencedora do prémio Locus para melhor colecção, tornou-se a melhor colectânea que li em 2014. Apesar de conter algumas histórias mais fracas, a maioria tem qualidade acima da média, tendo sido nomeadas ou vencedoras de vários prémios do género.

Quase todas decorrem num mundo futuro ecologicamente devastado pela subida das águas, que deslocalizou populações e extinguiu espécies de animais e vegetais. E ainda que a humanidade não o compreenda agora, a extinção significa quebra de extensas pirâmides ecológicas que, em linguagem comum, significa adeus a todos os alimentos que conhecemos.

Alguns destes contos encontram-se na origem de Windup Girl, um dos melhores livros do autor, também de preocupações ecológicas, onde se mistura a engenharia genética levada ao limite, com geração de novas espécies ou com controlo de estirpes por multinacionais como as que já existem actualmente.

A maior parte destes contos foi revisto isoladamente:

Softer;

Yellow Card Man – vencedor prémio Hugo;

The Calorie Man – vencedor do prémio Theodore Sturgeon, nomeado para o Hugo;

The People of Sand and Slag – nomeado para os prémios Hugo e Nebula;

The Fluted Girl ;

Pocketful of Dharma.

Quantos serão necessários ? Farewell!

Considerada há muito em extinção, esta espécie de golfinho residente na China, desencadeou a formulação de vários projectos em seu auxílio.

Fugindo da poluição e dos navios, a espécie entrou em rápido declínio com a ascenção económica da China, tendo sido criada em 1992 uma reserva para protecção da espécie. Em 1997 foram detectados apenas 13 no rio, e por volta de 2002, falou-se em transferir alguns exemplares para criação em condições artificiais.

Recentemente, foi programada uma expedição para monitorização da espécie. O resultado é o esperado: extinta.

On Wednesday, an expedition in search of any baiji, run by Chinese biologists and baiji.org, a Swiss foundation, ended empty-handed after six weeks of patrolling its onetime waters in the middle and lower stretches of the river, the baiji’s only known habitat. (…)

On Wednesday, Mr. Pfluger distributed a news release concluding that the baiji was “functionally extinct.” (Decades must pass before international scientific organizations take the formal step of declaring it officially extinct.)

(NYTimes)

Será a espécie humana como aquelas pessoas que afastam todos os amigos, até que acordam um dia e se apercebem que estão … sozinhos?